Fujimori consegue conquistar a Presidência na quarta tentativa, em eleições marcadas pelo desencanto político. País teve dez presidentes em dez anos
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A candidata do partido de extrema direita Força Popular, Keiko Fujimori, venceu por uma margem estreita no segundo turno das eleições presidenciais peruanas, realizadas neste domingo, 7, com 50,7% dos votos, segundo pesquisas de boca de urna.
Fujimori derrota assim o candidato do Juntos pelo Peru (esquerda), Roberto Sánchez, que obteria 49,3% dos votos, de acordo com o estudo publicado pela Ipsos. De acordo com a pesquisa da Datum, Fujimori também seria a vencedora com 50,53% dos votos contra 49,47% de Sánchez.
Fujimori conseguiria, assim, conquistar a Presidência em sua quarta tentativa, em eleições marcadas pelo desencanto político de um país que teve dez presidentes em dez anos.
Congresso bicameral
Os peruanos aspiram a conter uma crise institucional que já se tornou um paradigma de governança, como demonstra o fato de que, nos últimos dez anos, desde Ollanta Humala – atualmente preso por corrupção -, nenhum presidente conseguiu concluir seu mandato.
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Uma das chaves dessa instabilidade reside no artigo 113 da Constituição, que permite ao Congresso destituir o presidente por incapacidade moral ou física, tornando-se, na última década, uma ferramenta de controle discricionário sobre o Executivo, sem as exigências e os prazos previstos nos processos de impeachment.
Essas eleições também marcaram o retorno de um Congresso bicameral, com 130 deputados e 60 senadores, no qual a Fuerza Popular volta a ser a formação política mais numerosa do espectro parlamentar, à frente do Juntos por el Perú, e pela primeira vez em muito tempo sem a presença de alguns partidos históricos.
O novo Senado, que não pode ser dissolvido pelo presidente, será fundamental nesta nova legislatura, pois terá a palavra final na aprovação de leis, que podem ser revisadas, modificadas ou rejeitadas sem a necessidade de passar novamente pela Câmara dos Deputados. Além disso, será responsável pela nomeação de altos funcionários, como o Provedor de Justiça ou os juízes do Tribunal Constitucional, entre outros.
Esse controle das câmaras, exercido durante a última década pelo Fuerza Popular e pela Renovación Popular de López Aliaga, seu principal parceiro nesta próxima legislatura, foi incapaz de atender às demandas da cidadania e, para alguns analistas, significou a captura do Estado pelo Congresso.
Isso gerou um clima de frustração e de expectativas não atendidas entre uma população cansada da classe política, o que se reflete, por sua vez, na fragmentação do voto e naquele número recorde de candidatos, alguns deles supostos e autodeclarados “outsiders”, no primeiro turno.
*Da Europa Press












