No dia em que a Copa do Mundo deste ano dá seu pontapé inicial, 11 de junho, com México x África do Sul, estreia nos cinemas um documentário que mostra uma Buenos Aires diferente da conhecida mundialmente.
Não com um outro olhar em relação à capital da Argentina. É uma outra Buenos Aires mesmo. A cidade de Buenos Aires que fica no interior de Pernambuco, a cerca de 80 km do Recife, na Zona da Mata do estado nordestino.
“BuenosAires”, produzido e dirigido por Tuca Siqueira, que se tornou uma frequentadora do município a fim de conhecê-lo e compreendê-lo para roteirizá-lo, não tem como foco único o futebol, porém ele está presente de forma significativa no dia a dia da população de 13 mil habitantes.
Nesse “filme-paisagem”, assim definido pela diretora, que tem narração em espanhol (com legendas em português) de uma professora que ensina na Buenos Aires pernambucana a língua falada na Argentina, a população, ao menos parte dela, identifica-se com a Argentina.
No comércio, as camisas da seleção liderada por Lionel Messi aparecem em número similar ao da seleção brasileira. Cidade afora, pessoas andam costumeiramente com a vestimenta com listras verticais azuis e brancas. Houve, tamanha veneração, quem desse ao filho o nome Lionel.
Um visitante desavisado que chegue à cidade pode, com razão, não entender nada, e o filme peca por não explicar –talvez por meio de um historiador– por que a localidade, que um dia chamou-se Jacu (uma ave), desde 1928 é Buenos Aires. Falta esse contexto.
O fato é que as pessoas de lá convivem bem com o gentílico buenos-airense, e muitas gostam bastante desse elo com a xará famosa.
Um exemplo da conexão: a empanada, um salgado muito consumido na Argentina, está presente na alimentação cotidiana da Buenos Aires de Pernambuco.
Nos dias de jogos da seleção alviceleste na Copa, muitos dos habitantes estarão reunidos suas casas, em bares ou espaços comunitários para torcer fervorosamente pela atual campeã mundial, como aconteceu, conforme mostra “BuenosAires”, no Mundial no Qatar, no final de 2022.
Como o filme fala de universos que de alguma maneira tentam se aproximar —ou, ao menos, como a Buenos Aires pernambucana tenta se assemelhar a uma outra Buenos Aires, a argentina—, existe um espírito da Copa que atravessa o filme
O gosto pelo futebol argentino vai além do campo e da seleção.
Há um clube na cidade chamado Boca Junior, quase homônimo do Boca Juniors, um dos dois maiores times da Argentina. O uniforme é parecidíssimo. A diferença é que os “craques”, 100% brasucas, jogam na quadra, praticam o futsal.
Um dos chamarizes do documentário é justamente uma final regional “internacional”: Boca Junior x Peñarol. O distrito de Outeiro, na própria cidade, tem uma equipe em homenagem ao gigante do Uruguai.
O “jogo do ano”, com “entrega de troféu e medalhas”, é anunciado em carro de som pelas pacatas ruelas da cidadezinha “argentina” para as 19 horas de um 3 de dezembro.
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A torcida, nas precárias arquibancadas do acanhado ginásio da Vila São Luís, tem o seu favorito.
Mas será que os “brasileiros portenhos” do Boca Junior, liderados por Zé Paulo (fundador, presidente, técnico, preparador físico e jogador do time) e com um jogador parecido com Everton Cebolinha, têm futebol (ou melhor, futsal) para superar os adversários de “sangue uruguaio”?
Com empanadas de carne ou de frango vendidas em espanhol fluente por uma ambulante a R$ 3, locutor com sotaque nordestino pró-Boca e rivalidade digna de Libertadores, essa é a final da Copa do Mundo de Buenos Aires.
Não a de 1978, Argentina 3 x 1 Holanda. Outra. À brasileira.
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