Opinião: ‘Hacks’, no final, quer ser tão imortal quanto a sua eterna Deborah Vance

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Opinião: ‘Hacks’, no final, quer ser tão imortal quanto a sua eterna Deborah Vance


Como alcançar a imortalidade? É essa a reflexão que Deborah Vance e “Hacks” fazem no seu episódio final, que foi ao ar nesta quinta-feira. Ainda é cedo para dizer que a série virou um clássico, mas sua protagonista não precisa se preocupar com eternidade —já a havia alcançado faz tempo, afinal.

Cabeça-dura, a comediante interpretada com primor por Jean Smart está há cinco temporadas buscando formas de chegar ao Olimpo dos humoristas depois de ser esquecida pela indústria e pelo público por simplesmente envelhecer. Deborah teme, acima de tudo, ser descartada de vez —e, que irônico, este se tornou o medo da própria série.

Os criadores de “Hacks” disseram ao Deadline que devem lançar uma caixa de DVDs com as temporadas, mais uns extras, no melhor estilo anos 2000, para garantir que a obra não se perca no mundo digital do streaming. As coisas estão sendo retiradas dos catálogos o tempo todo, reclamou Lucia Aniello, uma das criadoras e diretora deste episódio.

Longevidade não deve ser um problema para “Hacks”. Não bastasse a coleção de troféus do Emmy que a obra juntou nos seus poucos cinco anos de vida —foram 12, quatro deles só para Smart—, a comédia foi uma das poucas da sua leva a permanecer consistente e instigante por toda a sua extensão.

Acima de tudo, “Hacks” soube a hora de parar. Por isso, quando Ava, papel de Hannah Einbinder, implora que Deborah não a deixe, o faz já sabendo que seu pedido é inútil. De certa forma, ela representa os próprios fãs, que lamentam se despedir da série, mas reconhecem que já era tempo do fim.

Não há nada genial neste final. Sem revelar muito da trama, o tema do último episódio, o mais longo da série, havia sido lançado à deriva uns capítulos atrás —os mais espertos o pescaram. A quarta temporada já tinha feito piada do que se desenrolou agora quando o público nem cogitava algo do tipo. Isso, sim, foi genial.

Há incentivo para uns lacrimejos aqui, mas sem dramalhão, porque “Hacks” nunca foi disso, e Deborah tampouco gostaria disso. O ruim é que a personagem, sempre tão bem escrita, forçou sua teimosia numa discussão sobre finitude para criar conflitos que acabam por se resolver fácil demais.

Mas tudo bem, porque “Hacks” termina com sorrisos de todos os lados, com suas cenas abobalhadas que fazem rir de constrangimento. O melhor capítulo segue sendo o oitavo, em que Deborah e Ava são obrigadas a se entrelaçar mais do que nunca.

Quem sabe assim não tenhamos uma série só sobre as aventuras de Ava, especialmente nesses tempos em que tudo o que é bom não acaba. Não está nos planos dos criadores, mas como bem disse Deborah Vance, uma primeira oferta nunca é a final.



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