Opinião – Plástico: Nicole Kidman dança e turbina vendas em leilão bilionário em Nova York

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Opinião – Plástico: Nicole Kidman dança e turbina vendas em leilão bilionário em Nova York


Ela entra na galeria e se despede rápido de alguém do outro lado da linha no telefone, o som dos saltos altos ecoando pelo espaço. Tem pressa e um encontro marcado. Nicole Kidman, estrela de cinema e agora de uma peça publicitária da casa de leilões Christie’s, uma das maiores do mundo, gravou um filme de menos de dois minutos para promover uma só obra de uma venda que resultou bilionária na semana passada, em Nova York.

No comercial-performance, ela fica cara a cara com “Danaïde”, obra de 1913 do romeno Constantin Brancusi, agora a segunda escultura mais cara já vendida em leilão na história —US$ 107,6 milhões, ou R$ 539,1 milhões, ficando atrás só de uma peça do suíço Alberto Giacometti, “L’Homme au Doigt”, vendida em 2015 por US$ 141,2 milhões, ou R$ 707 milhões.

Longe de Hollywood e dentro do “star system” da arte, Kidman encara a escultura de traços minimalistas de Brancusi como se seduzisse um amante, a peça de bronze com sobrancelhas arqueadas que emolduram o rosto de um nariz e boca quase invisíveis. Então ela dança em volta da obra ao som de “Golden Years”, de David Bowie, jogando os cabelos para o alto enquanto a sala rodeada de cortinas ganha um brilho dourado como a cabeça da mulher esculpida.

Kidman aparece em estado de graça, num truque de marketing que revela muito do estado atual da arte. Artistas visuais e celebridades —basta lembrar Marina Abramovic e Jay Z se encarando no clipe “Picasso Baby” ou o mesmo rapper com a mulher Beyoncé flanando pelo Louvre noutro filme— flertam há muito tempo. E agora o mercado injeta uma dose de dinheiro nisso tudo, escalando uma diva vencedora do Oscar para vender uma das obras-primas da coleção do magnata da mídia S.I. Newhouse, chefão da Condé Nast, o império por trás de publicações como Vogue, The New Yorker e Architectural Digest.

É um aceno a uma nova geração de colecionadores mais impressionáveis, menos ligados aos rituais consagrados do circuito e sua ciranda de informações privilegiadas e mais propensos a ostentar compras milionárias entre pares, os “tech bros” e aventureiros do capitalismo tardio. O rosto de uma bela atriz prova que pode catapultar o belíssimo indizível do modernismo. Se a moda pega, veremos mais estrelas de Hollywood no circuito dos leilões, todo um cínico espetáculo à parte.

JOGO ABERTO Enquanto isso, em São Paulo, a feira ArPa abre nesta semana a sua quinta edição na Mercado Livre Arena Pacaembu. Destaques na seleção são as galerias Athena, do Rio de Janeiro, e Verve, de São Paulo, com obras de Antonio Dias, Felippe Moraes e Gustavo Prado, a paulistana Luisa Strina, com Ana Prata, Bruno Baptistelli e o argentino Pablo Accinelli. Na Pinakotheke, trabalhos de Farnese de Andrade, e na Yehudi Hollander-Pappi, Gustavo Silvamaral e Natalia Ivanov.

BELEZA NO CENTRO A galeria Ora, no subsolo do Instituto de Arquitetos do Brasil, joia desenhada por Rino Levi no centro paulistano, abre duas mostras ambiciosas em paralelo à ArPa. Numa delas, estão trabalhos de grandes damas da arte do país, Anna Maria Maiolino, Iole de Freitas, que tem ainda em cartaz uma mostra na Raquel Arnaud, Liuba Wolf e Tomie Ohtake. Na outra, mestres e jovens, como Adriano Costa, Hélio Oiticica, Jac Leirner, Juan Casemiro e Pablo Accinelli.

ORIGINÁRIOS No mês que vem, o Centro Cultural Fiesp, na avenida Paulista, abre uma mostra do modernista Victor Brecheret centrada em seu olhar sobre os indígenas do país como ideia de construção de brasilidade.


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