Visão atual para o futuro

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Visão atual para o futuro



Fundador da Quaest, cientista político Felipe Nunes lançou livro no Recife e afirmou que a sociedade brasileira tem dificuldades para se reconhecer

Por

JC


Publicado em 23/05/2026 às 0:00

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Um espelho para um país diverso, imenso e complexo. A proposta de um livro que sintetiza dados e conclusões de extensa pesquisa foi apresentada na última quinta, no Recife, pelo autor, o cientista político e fundador da Quaest, Felipe Nunes, em lançamento na Livraria Jaqueira do Recife Antigo. Em “Brasil no Espelho – Um guia para entender o Brasil dos brasileiros”, a coleta de dados serve como base descritiva para se compreender melhor a realidade presente, e projetar a nação que será formada nos próximos anos. Uma visão da atualidade para mirar o futuro com menos caricaturas e mais fundamento.
Segundo Nunes, a personalidade coletiva que desponta, em suas várias facetas, faz aflorar perspectivas dos problemas enfrentados coletivamente, e também lança luz sobre gargalos ao desenvolvimento. Com isso, pode-se vislumbrar roteiros de abordagens úteis para políticas públicas, que antes poderiam estar difíceis de se discernir. A partir do cruzamento de 10 mil entrevistas, o enfoque é enriquecido por interpretações novas a respeito do corpo social brasileiro, onde a população, muitas vezes, não consegue se reconhecer. “Os valores de uma sociedade, isso muda de 15 a 20 anos. Você precisa de uma geração inteira nova para mudar os valores dessa sociedade”, afirma o fundador da Quaest.
O livro traz elementos para defender, com equilíbrio, que os brasileiros demandam simultaneamente o alinhamento de “ordem com justiça, mérito com proteção, família com escola, fé com responsabilidade e dados com decisões”. Se não se trata de um caminho simples, abre-se, com o olhar abrangente proposto, a necessidade da ativação conjunta de “um Estado competente, comunidades vivas e um mercado político que recompense quem entrega políticas públicas eficientes e melhorias cotidianas concretas, não quem promete atalhos”. O conservadorismo detectado solicita menos populismo e mais eficiência da política e da gestão pública.
Para sair da areia movediça da desigualdade, a população aceita o papel do Estado sem desprezar a importância do esforço dos indivíduos. No evento no Recife, Felipe Nunes destacou a relevância da visão regional para os políticos que disputarão eleições, assim como para os eleitos para mandatos a partir do ano que vem. “A diversidade regional que a gente revela no estudo e os padrões que eu descrevo do que diz respeito ao debate do mercado de trabalho, da discussão de como o Estado tem que funcionar em relação ao papel na economia, a enorme força que as mulheres têm e o protagonismo que elas ganharam no Brasil de hoje, a importância da religião, a diferença dos jovens de hoje para os jovens do passado… Essas descrições sobre a maneira de pensar do brasileiro são, na minha visão, muito úteis para planejar o Brasil do futuro e para pensar a discussão do presente”, avalia.
Um guia para a compreensão de um país com a variedade de formações e demandas como o nosso, configura instrumento valioso para estudos contínuos nas universidades, além de indispensável para o planejamento público e até privado, na decisão sobre investimentos. Felipe Nunes traz importante contribuição ao debate sobre a brasilidade hoje, e as projeções que podemos fazer para a nossa trajetória coletiva, adiante.



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