Banda Beirut volta ao Brasil pela primeira vez em 17 anos e se apresenta no C6 Fest

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Banda Beirut volta ao Brasil pela primeira vez em 17 anos e se apresenta no C6 Fest


Em meio à ansiedade de voar, cancelamentos e fantasmas da exaustão, Zach Condon finalmente parece pronto para reencontrar o Brasil. Mais de 15 anos depois da passagem turbulenta que inspirou parte do disco “The Rip Tide”, o líder da banda Beirut desembarca em São Paulo para tocar no C6 Fest, festival que acontece no parque Ibirapuera e consolidou-se como um dos grandes eventos do calendário brasileiro recente ao aproximar jazz, indie, música experimental e nomes veteranos da canção pop.

“Quero finalmente fazer isso direito”, diz Condon, rindo, ao lembrar das duas visitas anteriores ao país que acabaram sendo canceladas. “Seria ótimo simplesmente aparecer saudável.”

A relação do músico americano com o Brasil ocupa um lugar quase mítico em sua trajetória. Em 2009, durante uma passagem pelo Rio, ele chegou ao país já completamente esgotado pela rotina intensa de turnês.

No primeiro dia, correu para a praia com amigos e entrou no mar “como um turista idiota”, segundo ele mesmo descreve. Acabou atingido por uma onda forte, foi arrastado contra o fundo do mar e perfurou o tímpano. “Quando subi para respirar, estava sangrando pelo ouvido”, relembra.

Os problemas continuariam nos dias seguintes. Durante um show, sua voz falhou repentinamente. No hospital, recebeu o diagnóstico de um cisto nas cordas vocais. “Era problema atrás de problema”, diz. O episódio acabaria se transformando em metáfora para “The Rip Tide”. “Era como ser arrastado por uma força maior do que você”, afirma.

Condon faz questão, porém, de separar o trauma físico da experiência brasileira em si. O país, ao contrário, sempre ocupou um espaço central em sua imaginação musical. Entre os artistas que cita como fundamentais estão João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Os Tincoãs.

“Quando ouvi João Gilberto pela primeira vez, aquilo parou tudo”, diz. “A voz era tão contida, tão baixa, que você precisava se inclinar em direção ao som.”

O fascínio pela música brasileira ajuda a explicar parte da estética do Beirut, banda que transformou fanfarras balcânicas, chanson francesa e folk em canções melancólicas de apelo cinematográfico.

Aos 40 anos, completados em fevereiro, o músico também parece menos interessado em perseguir relevância cultural. Ele revisita com ironia os anos em que observava a cena indie nova-iorquina tentando entender como se tornar “cool”.

Hoje, ele vê justamente nessa vulnerabilidade o motivo de permanência do Beirut em uma era dominada por tendências aceleradas e redes sociais. “Eu já tinha aceitado a ideia de ficar irrelevante”, admite. “Mas talvez a sinceridade tenha uma duração maior do que certas modas.”

Essa percepção atravessa “A Study of Losses”, álbum mais recente do grupo, no qual Condon formula quase uma tese estética contra a obsessão contemporânea pela ironia e pela subversão.”A arte moderna inteira parece tentar desconstruir tudo o tempo todo”, afirma. “E eu estou cansado disso. Beleza ainda importa.”

A declaração ajuda a entender por que canções como “Postcards from Italy”, “Nantes” e “Elephant Gun” seguem circulando entre públicos jovens, que parecem se aproximar ao sentimentalismo assumido, às melodias expansivas e à ausência de cinismo.

No C6 Fest, Condon encontrará um ambiente particularmente propício para essa redescoberta. Desde sua criação, o festival apostou em line-ups que aproximam artistas veteranos e nomes contemporâneos sem obedecer rigidamente a gêneros ou nichos de mercado.

A edição deste ano reforça a proposta híbrida. O line-up reúne nomes históricos e artistas em ascensão, como The xx, Robert Plant com o projeto Saving Grace ao lado de Suzi Dian, Branford Marsalis e seu quarteto, Matt Berninger, Lykke Li, Wolf Alice, Amaarae, Cameron Winter e Oklou.

A seleção brasileira inclui BaianaSystem com Makaveli e Kadilida, Os Paralamas do Sucesso com participação da Nação Zumbi, e uma apresentação da Hermeto Pascoal & Big Band, que tocava com o músico morto no ano passado.

Segundo Condon, a escolha pelo festival teve razões práticas. “Se eu viesse, iria querer tocar no Rio, em Salvador, no Recife. Mas o Brasil é enorme”, diz. “Então, pensei, talvez São Paulo seja a forma de reunir todo mundo num lugar só.”



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