MPPE pede que Justiça não autorize Alessandro Barbosa Martins de Sousa, investigado por corrupção, a retornar às funções públicas
Raphael Guerra
Publicado em 20/05/2026 às 13:02
| Atualizado em 20/05/2026 às 13:36
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Investigado por liderar um forte esquema de corrupção na Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, localizada em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, o ex-diretor Alessandro Barbosa Martins de Sousa teria exigido a quantia de R$ 5 mil de cada pavilhão da unidade como “presente de aniversário”, além de valores extras para compra de motos e “patrocínio” de festa pela aprovação de um filho no vestibular.
As informações constam em documento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), obtido com exclusividade pela coluna Segurança. No parecer encaminhado à Justiça na última semana, o promotor Djalma Valares pede que seja mantido o afastamento do ex-diretor das atividades no sistema prisional. Em abril, a Justiça autorizou a retirada da tornozeleira eletrônica.
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Alessandro foi afastado das atividades em agosto de 2025, quando foi deflagrada a Operação Publicanos. Na ocasião, o ex-diretor e cinco policiais penais foram alvos de busca e apreensão. O inquérito segue em andamento, com dezenas de investigados – entre servidores públicos e detentos.
O promotor destacou que a manutenção da medida cautelar para Alessandro é “absolutamente inafastável” para garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal.
“Alessandro figura como líder do núcleo de agentes públicos, valendo-se do seu alto cargo de diretor da unidade prisional para negociar privilégios, transferências, funções de ‘chaveiros’ e ‘cantineiro’, além de facilitar regalias a detentos de alta periculosidade, em troca de vultosas vantagens indevidas”, citou o promotor, no documento.
Alessandro estava à frente da penitenciária desde 2015. A investigação da Polícia Civil identificou que ele e a esposa movimentaram mais de R$ 3,3 milhões desde abril de 2022 – valor incompatível com a renda mensal declarada pelo casal.
A Polícia Civil suspeita que valores teriam sido repassados ao gestor como propina para liberação de entrada de drogas, bebidas alcoólicas, celulares e negociação de venda de cantinas e até camas na unidade prisional.
Estão sendo apurados os crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e introdução de aparelho telefônico de comunicação móvel em presídio.
A defesa do ex-diretor nega as suspeitas. Na época da operação disse, em nota, que os valores apontados na investigação não condizem com a realidade financeira de Alessandro e da esposa e que eles vivem “de forma modesta”.
“CARGO PÚBLICO É O PRÓPRIO INSTRUMENTO DO CRIME”
No novo parecer, o promotor ressaltou que as provas indicam que os servidores tinham “hábito de tentar encobrir os ilícitos” e que diálogos interceptados e mensagens deletadas de WhatsApp comprovaram as irregularidades.
O promotor citou que o ex-diretor atuava ativamente para maquiar a realidade da penitenciária momentos antes da realização de inspeções. Ele mandava retirar televisores, armários e equipamentos de musculação das celas para “zelar pelo seu nome”.
“Permitir o seu retorno à função seria o mesmo que entregar a cena do crime aos cuidados do principal suspeito. (…) No caso em tela, o cargo público é o próprio instrumento do crime”, afirmou o promotor, no parecer.
Além da cobrança de valores como presente de aniversário, o MPPE pontou que o ex-diretor negociava carros de luxo diretamente com líderes de facções.
INVESTIGAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO
O promotor Djalma Valares confirmou à Justiça que o inquérito segue em andamento, sob a responsabilidade da Polícia civil de Pernambuco. E ressaltou que se trata de investigação de altíssima complexidade, com dezenas de investigados divididos em núcleos.










