Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no DF
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– FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL
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A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino, que tem como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, investiga o Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), conglomerado do setor de combustíveis suspeito de ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e evasão de divisas. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Castro, na Barra da Tijuca, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros das empresas investigadas.
Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. Entre os afastados está o desembargador Guaraci de Campos Vianna, do Tribunal de Justiça do Rio, suspeito de conceder decisões favoráveis consideradas absurdas à refinaria. A operação também mira o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador-geral do Estado Renan Saad. O empresário Ricardo Magro, dono da Refit, teve sua inclusão determinada na Difusão Vermelha da Interpol. Até o momento, as defesas dos citados não se manifestaram.
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DEVEDOR CONTUMAZ
Apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do país, com dívidas que superam R$ 26 bilhões, o Grupo Refit já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato em novembro de 2025. As investigações apontam que o conglomerado utilizava uma sofisticada rede empresarial de holdings, fundos de investimento fechados e empresas de fachada para sonegar o ICMS e blindar os verdadeiros beneficiários do esquema. Diante da fiscalização, novas firmas eram sucessivamente abertas para dar continuidade às fraudes, que envolveram importações de mais de R$ 32 bilhões entre 2020 e 2025.
A engrenagem financeira do grupo contava com estruturas internacionais complexas para lavagem de dinheiro, incluindo mais de 15 empresas offshores em Delaware e uma exportadora em Houston, nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, o esquema movimentava bilhões por meio de contratos de mútuo e contas-bolsão para dificultar o rastreamento, reinvestindo os valores sonegados em imóveis e fundos no Brasil. A Receita Federal também identificou conexões financeiras entre o grupo e alvos da Operação Carbono Oculto, que apura a lavagem de dinheiro no setor de combustíveis com ramificações ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
GOVERNADORES INVESTIGADOS
Sete ex-governadores do Rio de Janeiro foram investigados nos últimos 40 anos por envolvimento em esquemas de corrupção ou outras irregularidades. Desses, cinco foram presos. Nesta sexta-feira, 15, o ex-governador Cláudio Castro foi alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, que apura supostas fraudes na atuação de um conglomerado do setor de combustíveis.
Agentes cumpriram o mandado de busca e apreensão na residência do político, na cobertura de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. O telefone e o tablet do ex-governador foram apreendidos pela PF.
Desde o fim do regime militar em 1985, apenas dois governadores do Rio não sofreram investigação ou foram presos: Leonel Brizola (PDT), que governou de 1991 a 1994; Marcello Alencar (PSDB), de 1995 a 1999. Outros três, também não investigados, assumiram o cargo temporariamente, na condição de vices: Nilo Batista (PDT), de 1994 a 1995; Francisco Dornelles (PP), em 2016 e 2018, e Benedita da Silva (PT), de 2002 a 2003.










