Quando subir ao palco da Movistar Arena, em Bogotá, na noite desta sexta-feira (15), Natalia Lafourcade diz querer que a plateia de cerca de 10 mil pessoas seja um disparador. “Ao vivo, a energia do público transforma como eu me relaciono com a música. O público se torna um gatilho. A energia influencia a forma como conduzo o show”, diz a cantora, compositora e produtora mexicana.
A turnê latino-americana do álbum Cancionera, lançado em 2025, passará por países como México, Colômbia, Peru, Chile, Uruguai, Argentina, Equador e Guatemala além de 11 cidades dos Estados Unidos e do Canadá —e deve chegar ao Brasil em 2027.
“Estamos conversando e tentando acertar datas”, explica. “Sempre quis conquistar meu espaço no Brasil, [país] que faz parte de mim. Parece que está no meu sangue, talvez de vidas passadas, não sei. O Brasil é uma grande influência, sempre esteve presente nos ritmos e na música que ouço.”
Uma das mais laureadas artistas latinas de todos os tempos, Lafourcade “reimagina a música tradicional mexicana”, como definiu a revista The New Yorker em um longo perfil publicado em dezembro do ano passado.
Ela é dona de cinco estatuetas do Grammy, incluindo melhor álbum de pop latino por “Cancionera”, batendo nomes como Alejandro Sanz —espanhol que emplaca sucessos em novelas brasileiras desde os anos 1990—, Karol G e Rauw Alejandro —astros da nova música urbana que têm conquistado fãs no Brasil.
Natalia Lafourcade segue um caminho diferente. Curiosa e estudiosa, explora diferentes gêneros em sua discografia, do indie pop ao bolero, jazz e folk, com uma parada na bossa nova. Em 2005, aos 19 anos, gravou uma versão em espanhol do clássico “O Pato” no único álbum da banda Natalia y La Forquetina.
“Meu gosto musical é bastante amplo. Talvez, nos últimos anos, tenha-se direcionado um pouco mais para influências da música tradicional, folk ou música mais acústica”, diz.
Isso inclui os dois volumes de “Musas”, projeto que homenageia o folclore latino-americano, e “Mujer Divina”, de 2012, que apresenta releituras de Agustín Lara, um dos principais compositores mexicanos. Para este álbum, ela convidou Gilberto Gil, na faixa “Farolito”, e Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos, para “Azul”.
Caetano Veloso é outro brasileiro que cruzou a jornada exploratória de Lafourcade. Em 2012, o baiano foi homenageado como pessoa do ano no Grammy Latino. Na cerimônia, a artista fez um dueto com Alexandre Pires. “Era a primeira vez que cantava em português, estava muito nervosa”, diz, aos risos. “Não falo português, mas adoraria aprender.”
Anos depois, em 2021, a artista dividiu os vocais com Caetano na releitura de “Soy lo Prohibido”, sucesso romântico de Luis Miguel. A faixa está no segundo volume de “Un Canto por México”, em que interpreta cânones do cancioneiro de seu país.
“Percebi que, sem querer, sem buscar e sem pensar dessa forma, consegui me tornar uma ponte”, diz. “Quando eu era pequena, escutava muito Gilberto Gil; eu ficava feliz em ouvir a música dele. E sentir que Caetano Veloso não está muito longe, por mais lendário que seja, é mágico. A música quebra barreiras e mostra que, na verdade, não existe tanta distância assim, nem mesmo entre uma cultura e outra. No fim das contas, existe irmandade.”
Natália Lafourcade talvez estivesse mesmo destinada à música. Filha do cravista e pedagogo chileno Gastón Lafourcade, desde criança estava cercada de estímulos. Mas foi um acidente aos seis anos de idade, quando levou um coice de um cavalo que a deixou muito ferida, que selou seu caminho. Para ajudar na recuperação da filha, Maria del Carmen Silva desenvolveu um método de aprendizagem baseado na música, o Macarsi, que continua sendo aplicado no México.
Na estrada desde 1998, quando aos 14 anos integrou uma girl band chamada Twist, ela estourou em 2002 com “Busca Un Problema” e “En El 2000”, do seu primeiro álbum, que a tornaram uma estrela da MTV. Após o sucesso repentino, tanto solo quanto com a banda La Forquetina, ela voltaria apenas em 2009, após um período de estudos no Canadá.
Desde então, colaborou com nomes como Omara Portuondo, cantora cubana do Buena Vista Social Club, e o uruguaio Jorge Drexler. Em 2019 e, depois, em 2024, juntou-se ao maestro venezuelano Gustavo Dudamel e à Orquestra Filarmônica de Los Angeles para concertos em homenagem à herança latina nos Estados Unidos.
“De Todas las Flores”, de 2022, álbum gravado em sessões no seu rancho no estado de Veracruz, no leste do México, durante a pandemia, traz influências fortes das tradições mexicanas, da música afro ao pop tropical.
O projeto levou o Grammy de melhor álbum Latino de rock ou música alternativa, desdobrando-se, ainda, em videoclipes para cada faixa, livro, podcast e uma apresentação esgotada no célebre Carnegie Hall, em Nova York, registrada em um caloroso álbum ao vivo que traz os hits “Caminar Bonito”, “Mi Manera de Querer” e “Muerte”, com David Byrne.
Hoje, aos 42 anos de idade, Natalia Lafourcade entra em uma nova fase. Nasceu, em dezembro, seu primeiro filho. Em um raro post pessoal no Instagram, no qual mantém um perfil discreto, disse que “ser mãe é o maior ato de amor que existe”.
“A maternidade deu um novo significado à minha vida e me colocou em uma posição diferente. Mudou completamente minhas prioridades e a perspectiva a partir da qual quero fazer as coisas. Tornou-me muito mais presente, atenta, cautelosa”, afirma.
“Essa é a minha maior preocupação agora —como evitar me perder nesta jornada que já comecei e na qual as coisas podem ficar difíceis? Esse período me ajudou a descobrir para onde o barco deveria estar indo. Como você vai usar o tempo que lhe resta?”
Questionada se Caetano e Gil, que continuam lotando estádios aos 80 e poucos anos, são um caminho para esse barco, Natalia Lafourcade responde empolgada: “‘Ojalá, ojalá’! Se eu conseguir chegar onde eles chegaram, atingir essa idade, é simplesmente incrível. Eu brinco: ‘qual o segredo desses homens?’ A receita é a música; eles continuam fazendo música.”

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