Crítica | SP
Casa Rios
Quatro estrelas (muito bom)
R. Deputado Lacerda Franco, 478, Pinheiros, região oeste. @casariosrestaurante
Comer na Casa Rios é uma aula sobre o que o fogo é capaz. Tanto que o cardápio não faz distinção do que é entrada ou principal. Em vez disso, separa os preparos em lenha, brasa, defumação e grelhados. Na prática, algumas receitas passam por mais de um desses processos. Como a porção que pedimos para começar, de broa de milho com manteiga e pimentão (R$ 49).
Daquelas entradas que parecem triviais, mas que separam os restaurantes medianos dos realmente bons. Uma leve pressão na casca crocante da broa e já dava para sentir a maciez do miolo. Ao ser rasgado (sim, rasgar é o melhor verbo para o ato de dividir este pão fofo e elástico), curvas de fumaça denunciavam que ele tinha acabado de sair do forno.
Arroz caldoso servido no restaurante Casa Rios
–
Priscila Pastre/Folhapress
A manteiga defumada que o acompanha é feita a partir do creme de leite da fazenda Atalaia (o que aponta para a qualidade dos produtos usados na casa). Se você está imaginando notas de fumaça, esqueça. A defumação entra para potencializar o sabor. Já o pimentão é feito em escabeche com páprica e limão-taiti. Em contraposição à manteiga, seus pedaços suculentos e carnudos surpreendem pela suavidade.
Outro exemplo que mescla brasa e defumação num mesmo preparo são as coxinhas de galinha (R$ 46). Sabores bem marcados e toques cítricos que ficam ainda melhores com a espuma de requeijão defumado que vem junto. Levíssima e aerada, é um deleite.
Perguntamos ao garçom quais pratos eram montados como principais. Aqueles que, a despeito da recomendação de compartilhar, você pode pedir para chamar de seu, só seu! E seguimos as recomendações.
O arroz cateto caldoso (R$ 109) vem com um bom pedaço de cupim laqueado defumado e um montinho cremoso de maionese de limão e alho negro. Gostoso, mas no limite do enjoativo. As notas de nozes da manteiga queimada, o defumado do cupim, o toque marcante de avelã, o trufado do alho negro… É tanto umami, tanta informação, que o paladar se perde.
O mesmo acontece com o polvo laqueado (R$ 129). Chegou numa bela apresentação, e perfeito em seu ponto firme e macio. Acompanhado por fregola (massa que tem o formato de bolinhas bem pequenas) em caldo de sobrasada, com óleo de shissô e pimenta-de-cheiro em conserva. O polvo rende prazerosas mordidas, mas fiquei procurando o sabor dele, escondido pelo tempero forte e adocicado. A delicadeza da massa também se perde com a picância da conserva.
Assim como as entradas, a torta de queijo de ovelha com goiabada na lenha (R$ 45) consegue alcançar o equilíbrio. Dá para sentir cada ingrediente, mas sem o mesmo peso para tudo. Até o puxuri e o cumaru, especiarias amazônicas que se usadas um pouco além da conta se sobressaem demais, aqui aparecem na medida. Uma das melhores sobremesas que já provei.
Quem se senta no quintal consegue observar a fotogênica fachada da casa. Uma trepadeira envolve a janela do segundo piso e o telhado em duas águas parece apontar para o céu —o que foi especialmente romântico naquela noite de lua cheia. Com cenário bonito, atendimento impecável e cozinha de alto nível, o Casa Rios é um lugar para degustar sem pressa. De preferência as receitas que não se obrigam a entregar tantas coisas num prato só.



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/magnific-geranio-florido-em-vaso-d-2936075736.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)




/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/magnific-close-realista-da-borrach-2936427058.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)






/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/magnific-geranio-florido-em-vaso-d-2936075736.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)

