“Zé do Cão – Cap. 01” costura aboio, repente, coco e embolada a beats eletrônicos e samples do cinema nacional e fala sobre Agreste de Pernambuco
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Os sons de máquinas de costura, as paisagens e os sotaques do Agreste de Pernambuco viraram música e poética em “Zé do Cão – Cap. 01”, álbum de Vinícius Tavares, lançado no dia 1º de maio em todas as plataformas de música.
Artista de Toritama, a 170 km do Recife, Vinícius defende que seu trabalho é um manifesto sonoro do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco.
No EP, o chão árido e industrial têxtil da cidade dialoga com os fluxos das feiras, o cosmopolitismo e a modernidade.
Ao longo de sete faixas, o músico costura aboio, repente, coco e embolada a beats eletrônicos e samples do cinema nacional.
“A pesquisa desse álbum envolveu as sonoridades nordestinas, principalmente instrumentos, como a viola, um instrumento que eu estudo, o rock, que passeia por essa poética do Agreste, e também do cinema”, conta Vinícius.
Com a intenção de “falar sobre Toritama”, o artista colocou nas músicas a paisagem sonora do município. “Eu falo muito do cotidiano dos trabalhadores, como uma manifestação desse polo”.
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Em produção desde 2023, o álbum conta com participações da rapper e repentista sertaneja Jéssica Caitano, da multiartista Virgínia Guimarães, da cantora Nathália Tenório, do poeta Pinto do Monteiro, do filósofo Nêgo Bispo e do artista Rimas INC.
Vinícius Tavares intitula “Zé do Cão – Cap. 01” como uma exploração do gênero eletrococo e um álbum sobre memória e ruralidade “em um lugar que só se tem notícia do que é industrial”.
“Estamos exaltando nossa existência cosmopolita, fazendo jus ao trânsito, ao fluxo que nos atravessa e ao nosso gozo sobre toda estrutura econômica. É um sentimento de força, de enraizamento, de possibilidade”, diz.
Palhaçaria e Zé do Cão
Na capa do EP, Vinícius se veste de palhaço e evoca a cultura popular. De brincante e artista, conta, começou a trajetória como artista de rua nas feiras e na palhaçaria.
“E aí eu começo a desenvolver essa estética da máscara, dos símbolos e esse chapéu que ao mesmo é um globo de festa, mas conecta com o cosmo e reflete, porque é espelhado”.
O personagem também se inspira no Mateu do Reisado do Congo, no jagunço subvertido do Cinema Novo, no trabalhador do polo têxtil e na performance das pistas.
O outro protagonista do álbum, Zé do Cão, foi extraído do drama musical “A Noite do Espantalho” (Sérgio Ricardo, 1974), filmado em Nova Jerusalém. Figura inquieta, subversiva e quase alegórica,
O projeto foi realizado com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), do Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

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