Game de terror ‘Subversive Memories’ resgata memórias da ditadura militar no Brasil

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Game de terror ‘Subversive Memories’ resgata memórias da ditadura militar no Brasil


Renata desperta de um acidente de trânsito em frente a um quartel-general das Forças Armadas, sem memória de como foi parar ali. O cenário é de escuridão e não há sinal de vida. É assim que começa “Subversive Memories”, jogo brasileiro de terror ambientado no período da ditadura militar, lançado para computadores em abril deste ano.

Com gráficos simples e poligonais, a obra busca emular o visual e a atmosfera de clássicos do gênero, como “Alone in the Dark” e a série “Resident Evil” —que recebeu um novo e elogiado capítulo este ano—, enquanto exige que o jogador explore uma base militar e a misteriosa galeria subterrânea do local.

Com recursos limitados, deve resolver quebra-cabeças em busca de informações sobre o que houve ali e como os eventos se ligam ao passado da protagonista.

Para isso, a jovem conta com habilidades mediúnicas que permitem se comunicar com os mortos, revivendo capítulos de suas histórias e os momentos finais de suas vidas. Pelo caminho, o jogador também enfrenta entidades fantasmagóricas, visíveis somente por suas sombras e combatidas com o uso de uma lanterna com bateria finita.

A obra é o título de lançamento da Southward Studio, estúdio de um homem só —o paulista Akira Ribeiro, de 36 anos. Natural de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, ele se mudou para o Japão em 2022, onde deu aulas de inglês. Foi ali que o jogo surgiu inicialmente como um projeto de estudos do motor gráfico Unity, em 2023, e aos poucos aumentou de escopo.

“Durante a pandemia comecei a ter essa ideia de trabalhar com jogos de novo, como um hobby, porque tinha muito tempo livre”, afirma Akira. “Na época eu estava jogando muito ‘Control’, que tem a premissa de um departamento de inteligência americano focado em eventos paranormais. Eu comecei a imaginar como seria uma história parecida no Brasil, durante a ditadura.”

Entre as razões para a escolha do período, Akira destaca um desconforto com a representação de forças de defesa em obras estrangeiras. “Uma das coisas mais romantizadas nos Estados Unidos, por exemplo, é o trabalho de detetive e policial”, diz. “Mas eu acho que no Brasil essa visão é muito mais cinza, e eu quis incorporar um pouco mais da nossa perspectiva na história.”

O tema principal do jogo, no entanto, é muito mais pessoal, diz o desenvolvedor.

“O que eu sinto mais medo é do apagamento. Eu tenho essa crença de que o nosso desaparecimento acontece quando nós somos esquecidos”, afirma. “Naquela época, foi isso o que aconteceu. O objetivo de apagar essas pessoas foi cumprido.”

Mais do que a ditadura militar, o jogo abarca um drama pessoal sobre memória e esquecimento —tema alimentado também pela própria experiência do autor, que ficou longe da família até voltar a morar no Brasil neste ano.

Outra preocupação foi a fidelidade ao representar o contexto histórico. Pesquisas em livros, acervos de museus, jornais e outras fontes orientaram a criação da narrativa e dos cenários, que contam com gravações de noticiários do período, cartazes da seleção brasileira e outros ícones nacionais.

Nos três anos de desenvolvimento, Akira diz ter contado com apoios pontuais para chegar ao resultado final, com nomes responsáveis pela trilha sonora e pela programação auxiliar, por exemplo.

O destaque, no entanto, foi o apoio da comunidade online do canal do YouTube Nautilus, especializado na cobertura de jogos. Centenas de horas de desenvolvimento foram compartilhados com seguidores e membros do canal em chats e chamadas online. “Sem o apoio deles, o jogo não teria existido. Tanto no sentido de apoio emocional, de encorajamento, quanto em testes e feedbacks.”

A conclusão deste processo foi o lançamento oficial do título no mês passado. Poucos dias depois, a recepção de “Subversive Memories” surpreende seu criador, que afirma ter tido as expectativas superadas, entre críticas positivas e manchetes em diferentes jornais e portais.

Ainda assim, diz Akira, não há planos para sequências, nem conteúdos extras. Há abertura para adaptações ou colaborações dentro do universo, mas o criador considera o ciclo da obra completo. “A história de ‘Subversive Memories’ é a história da Renata, e ela está fechada”, afirma.

Agora, o plano é buscar a direção oposta nos próximos títulos do estúdio. “Eu quero fazer um jogo que seja uma coisa muito feliz, muito cheia de vida”, afirma. “Ou se for terror, que seja algo que misture comédia. Quem sabe personagens bonitinhos num mundo assustador.”



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