Todas as segundas-feiras, a Coluna João Alberto apresenta entrevistas exclusivas com personalidades de destaque na sociedade pernambucana
JC
Publicado em 20/04/2026 às 3:00
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Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
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Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
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Primeira mulher a presidir o Instituto dos Advogados de Pernambuco em mais de 170 anos, Érika Ferraz construiu uma trajetória pautada pela defesa da Justiça, pela força dos valores e por decisões firmes ao longo do caminho. Com atuação de destaque no Tribunal Regional Eleitoral, onde quebrou barreiras ao ocupar, como advogada, um espaço até então inédito para mulheres, consolidou-se como um nome de referência pela coragem e pela capacidade de enfrentar desafios. O mestrado na USP e a publicação de obra na área empresarial refletem seu compromisso com o estudo e o aprofundamento técnico. Transitando com segurança entre a prática jurídica, a produção acadêmica e a atuação institucional, Érika constrói uma carreira sólida, guiada por um princípio claro: não ter medo de disputar espaços e fazer escolhas, mesmo diante do risco.
Sempre gostei de Justiça e sempre admirei os profissionais que atuam nessa área — essa ideia de restabelecer o que é justo e defender os valores corretos. Por isso, considerei seguir o Direito, embora também pensasse em Medicina. Foram minhas duas opções, mas percebi rapidamente que não me adaptaria à Medicina, que não era minha vocação.
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Teve influência familiar?
Tive, meu pai era juiz de Direito e há vários advogados na minha família, então já tinha uma noção maior desse meio.
Érika Ferraz, figura de destaque no universo jurídico – Arquivo pessoal
Como a sua família é formada hoje?
Tenho duas filhas, Catarina e Fernanda. A mais velha, Catarina, é advogada na Inglaterra, e Fernanda é administradora. Tenho dois netos: uma menina, Magdalena, e um menino, Edward, que mora em Londres. Eles têm um ano de idade e nasceram praticamente na mesma época, com apenas seis meses de diferença.
Algum momento decisivo que definiu sua trajetória profissional?
Um deles foi quando disputei a vaga no TRE para desembargadora eleitoral. Outro foi o mestrado na USP, quando decidi estudar em São Paulo, uma escolha importante, que exigiu dedicação e deslocamentos constantes. Agora, com o instituto, vivo mais um momento relevante. São diferentes frentes de atuação dentro do Direito, uma área que abrange um leque amplo.
Com as filhas, Catarina e Fernanda, e os netos, Edward e Magdalena – Arquivo pessoal
Qual a parte da profissão com que você mais se identifica?
A dinamicidade. Como citei acima, você pode fazer várias coisas, e eu sou dinâmica, gosto disso, gosto de desafios, e as coisas que fiz foram experiências muito boas.
Desde o início, você já tinha afinidade com o Direito Civil e Comercial?
Desde o início. Sempre tive maior afinidade com o Direito Civil e Comercial, ou seja, com o Direito Privado. Embora também gostasse de áreas como Penal e Administrativo, era no campo cível que eu me via atuando, especialmente com contratos, família e sucessões. Com o tempo, acabei me apaixonando pelo Direito Comercial, por toda a dinâmica envolvendo negócios e empresas.
Os maiores desafios enfrentados na carreira?
Lembro muito da OAB, um momento extremamente significativo, quando você conquista a licença para advogar. Os meus primeiros casos, que marcam o início da prática, com audiências e o contato direto com o exercício do Direito, idas aos fóruns… Outro marco importante foi a disputa pelo TRE, já que nenhuma mulher advogada havia ocupado o cargo de desembargadora eleitoral em Pernambuco. Foi uma conquista que, de certa forma, abriu caminhos. Agora, à frente do instituto, vivo mais um momento histórico: sou a primeira mulher a presidi-lo em 173 anos. São desafios que marcaram minha formação.
Como encara o desafio de ser a primeira mulher a assumir cargos importantes?
Embora já houvesse uma desembargadora no TRE oriunda da magistratura, nunca havia existido uma mulher advogada ocupando essa vaga. Depois disso, não sei se por coincidência, mas outras mulheres também passaram a ser escolhidas. Não é fácil. Tudo o que fazemos pela primeira vez, especialmente quando traz visibilidade profissional, exige ainda mais. No caso das mulheres, acredito que seja mais trabalhoso: é preciso ter mais cuidado, se esforçar mais e enfrentar barreiras, obstáculos e até tentativas de desmotivação.
Como foi o processo de ser nomeada no TRE?
O TRE é composto por advogados e juízes de carreira, tanto da esfera estadual quanto da federal, incluindo magistrados de primeiro e segundo grau. No caso da advocacia, existem duas vagas, preenchidas a partir de uma lista tríplice. O processo começa com um edital aberto, no qual os interessados podem se inscrever. Em seguida, há uma seleção no Tribunal de Justiça do estado, que escolhe três nomes para compor a lista. Essa lista é então encaminhada ao presidente da República, responsável pela escolha final.
O que mais marcou na atuação como ouvidora do Tribunal Regional Eleitoral?
O primeiro mandato, em especial, foi muito significativo para mim, porque meu pai ainda estava vivo e pôde acompanhar a minha posse. Também destaco os períodos eleitorais, tanto nas eleições estaduais quanto municipais. São fases de trabalho intenso, com campanhas, disputas e muitas demandas surgindo ao mesmo tempo. Isso cria uma dinâmica muito forte. A eleição envolve não só razão e direito, mas também emoção e muitos outros fatores, o que torna a experiência ainda mais interessante e desafiadora.
Sua forma de gestão e liderança:
Tenho muito cuidado com o que faço. Não tomo decisões sem pensar e avaliar, e me considero uma pessoa responsável. Quando assumo qualquer função, sobretudo aquelas com maior visibilidade — seja em cargos públicos ou mesmo na atuação no meu escritório —, procuro me dedicar da mesma forma, inclusive em casos pro bono.
Como tem sido liderar o Instituto dos Advogados de Pernambuco?
Apesar de a advocacia hoje ter muitas mulheres, nunca houve uma liderança feminina em mais de 170 anos de história na presidência, e eu fui a primeira. Isso traz um peso de responsabilidade enorme; já houve conselheiras e advogadas. É um ambiente naturalmente questionador, como é próprio da advocacia, mas também de muito apoio e construção de relações. Meu foco foi agregar, dar visibilidade ao instituto e fortalecer sua missão de promover o aperfeiçoamento cultural e profissional. Trouxemos eventos, juristas e professores, valorizando também a tradição jurídica de Pernambuco, que é referência no país.
Quais são as principais metas da sua gestão?
Então, de certa forma, dar visibilidade ao instituto é fundamental. Ele tem como finalidade o aperfeiçoamento cultural e profissional, e eu busco justamente isso: promover bons eventos, trazer juristas e professores importantes, aproximar pessoas de Pernambuco. Isso é muito significativo, porque temos uma tradição forte no Direito — a Faculdade de Direito foi a primeira do Brasil.
Como pretende aproximar ainda mais o Instituto da advocacia pernambucana?
Minha intenção é seguir fortalecendo as atividades do instituto, promovendo o aperfeiçoamento dos associados, valorizando os profissionais de Pernambuco e ampliando esse intercâmbio cultural e jurídico.
Qual a importância de aproximar a prática jurídica da produção acadêmica?
A publicação abre espaço para o intercâmbio acadêmico e profissional — surgem dúvidas, discussões, trocas de ideias — e isso também contribui para o nosso próprio desenvolvimento. Por isso, considero que publicar é não só importante, mas essencial.
Como recebe homenagens como a Medalha Professora Fátima Oliveira?
Fico muito honrada com qualquer destaque ou medalha que recebo. A Medalha Fátima Oliveira, por exemplo, tem um significado especial: leva o nome de uma professora muito dedicada, de grande destaque, que influenciou outras mulheres em uma época em que isso era ainda mais desafiador do que hoje. Ela era mãe de uma amiga minha e também diretora do instituto. Tudo isso me honra profundamente. Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade, graças a Deus, de receber diversas homenagens. Em maio, devo receber uma da Academia Pernambucana de Letras Jurídicas.
Quem é Érika Ferraz fora do Direito?
Sou uma pessoa de personalidade forte. Valorizo muito as amizades, a ética profissional e os valores. Também me considero uma pessoa delicada. Gosto muito de música, fiz dança por bastante tempo e, hoje, pratico defesa pessoal, especificamente Krav Maga, que é algo de que gosto bastante. Além disso, gosto de ler. Viajar também é uma grande paixão. Tenho uma filha que mora na Inglaterra, então estamos sempre nos visitando. Aproveito também para conhecer outros lugares, explorar novidades e ter novas experiências. Gosto de aprender, de conhecer novas pessoas e de estar sempre em movimento.
Já enfrentou algum tipo de preconceito ou barreira por ser mulher?
Não diria que foi misoginia, porque não houve algo direto — nunca fui preterida. Mas já fui, sim, desencorajada a participar de certas atividades por ser mulher.
Que legado deseja deixar para as próximas gerações de mulheres no Direito?
A coragem. Quando decido algo, não tenho medo — nem mesmo de perder, porque entendo que a perda faz parte da vida. Procuro sempre fazer avaliações cuidadosas e pragmáticas. Penso: “eu posso disputar isso, tenho condições”. Essa visão mais objetiva me favorece, porque dificilmente entro em situações impulsivas ou inviáveis. Evito decisões precipitadas e avalio tudo de forma concreta, com os pés no chão. A partir disso, escolho onde estar, o que disputar e o que realmente pode agregar à minha carreira.
Seus valores inegociáveis?
Especialmente os ligados ao estudo, ao esforço e ao trabalho para conquistar as coisas da forma correta.
RAIO X
RESTAURANTE: Kojima.
LUGAR BONITO: Florença, na Itália.
HOBBY: Defesa pessoal e dança.
MANIA: Comer chocolate.
AMOR: Minha família.
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