Alfabetização avança em Pernambuco, mas maioria da Região Metropolitana do Recife tem desempenho estagnado

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Alfabetização avança em Pernambuco, mas maioria da Região Metropolitana do Recife tem desempenho estagnado


No ranking da RMR, Itapissuma lidera a região, com 88% de crianças alfabetizadas, seguida de Igarassu, que alcançou 75%, ante a meta de 68%

Por

Mirella Araújo


Publicado em 02/04/2026 às 14:24
| Atualizado em 02/04/2026 às 14:53



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Dos 184 municípios de Pernambuco, 130 alcançaram o índice de alfabetização estabelecido pelo Indicador Criança Alfabetizada (ICA). Desse total, 117 superaram o percentual previsto, enquanto 54 não atingiram o patamar esperado. No geral, o estado registrou 66% de crianças alfabetizadas, cumprindo o objetivo estipulado para 2025.

O resultado indica que a maioria das crianças do 2º ano do Ensino Fundamental conclui a etapa com nível adequado de alfabetização, segundo dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Com base nestes indicadores, a União dos Dirigentes Municipais de Educação de Pernambuco (Undime -PE) fez um levantamento que mostra que 70,7% dos municípios atingiram a meta prevista para 2025, dos quais 68,5% já a superaram. Em relação à meta de 2026, 63,6% alcançaram o índice esperado, sendo que 59,2% já estão acima do patamar. Já para 2030, 33,2% dos municípios atingiram a meta, com 32,1% superando o indicador.

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Quando analisamos esses percentuais, é possível observar que o avanço em Pernambuco é alavancado principalmente pelos municípios do interior, enquanto a Região Metropolitana do Recife (RMR) apresenta desempenho mais estagnado e, em geral, abaixo das metas.

No Recife, por exemplo, apenas 57% das crianças estão alfabetizadas, enquanto a meta prevista para 2025 era de 68%. No ano anterior, a capital pernambucana também ficou abaixo da meta estipulada pelo ICA, ao registrar 54% das crianças alfabetizadas na idade correta, ante 65%. Entre as capitais brasileiras, a cidade ocupa a 19ª posição.

No ranking geral, Carnaubeira da Penha matém a liderança ao alcançar 100% das crianças alfabetizadas, superando com folga a meta de 80%. Na sequência, os municípios de Quixaba e Rio Formoso aparecem com 98% cada, também acima da meta estabelecida.

Andreika Asseker Amarante, presidente da Undime-PE, chama atenção para o fato de que a alfabetização não pode ser tratada como uma ação direta, de causa e efeito imediato, pois envolve vidas e contextos específicos. Cada município apresenta uma realidade própria e, nas grandes cidades, essas diferenças se multiplicam, com múltiplos contextos convivendo dentro de um mesmo território.

“Na ótica da Undime, existem desafios a serem vencidos nessas cidades maiores, seja de logística, seja de diferentes comunidades, seja da própria situação social que elas vivem. A conjuntura social das grandes cidades traz uma complexidade maior em relação à violência, à situação econômica, à infraestrutura. Então, você tem várias nuances, vários elementos que podem interferir nos processos de aprendizagem, porque a criança que vai para a escola sai de uma casa, de uma família, de uma comunidade que vive uma realidade”, disse em entrevista a coluna Enem e Educação.

Em contrapartida, é necessário que, no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, instituído pelo governo federal, haja o fortalecimento do regime de colaboração entre estados e municípios para que a política avance de forma efetiva.

“Porque, por muitos anos, de maneira geral — sem apontar ninguém —, os prefeitos se envolviam mais com a parte de infraestrutura, com a melhoria da rede e das escolas, o que é muito importante. Mas a preocupação com a avaliação e com a formação continuada ficava mais a cargo dos secretários de Educação e das próprias pastas”, destacou Andreika. 

 


Talita Castro/Divulgação

“Somente em 2025, foram realizadas mais de 50 palestras de enfrentamento à violência escolar, alcançando cerca de 2500 estudantes”, disse Andreika Asseker, secretária de educação de Igarassu – Talita Castro/Divulgação

Compreensão de criança alfabetizada

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), uma criança é considerada alfabetizada quando desenvolve compreensão leitora — sendo capaz de ler textos curtos, como tirinhas e bilhetes simples — e apresenta autonomia na escrita, produzindo palavras e pequenas frases sem a necessidade de copiar.

A taxa de alfabetização nos municípios é medida pelo Indicador Criança Alfabetizada , que considera esse conjunto de habilidades. Para ser classificado como alfabetizado, o estudante precisa atingir pelo menos 743 pontos na avaliação do Saeb, aplicada no 2º ano do Ensino Fundamental.

Para o Mozart Neves Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP de Ribeirão Preto, o parâmetro adotado no Brasil ainda está abaixo do observado em países desenvolvidos.

Segundo ele, estudos recentes apontam que o nível considerado adequado no Brasil é inferior ao de países como o Chile. “Uma criança alfabetizada no Chile, na segunda série, equivale a um aluno no Brasil com desempenho próximo ao de quem está concluindo o quinto ano do Ensino Fundamental”, afirmou em conversa com a coluna Enem e Educação.

Diante desse cenário, Ramos defendeu a elevação do nível de exigência, especialmente em municípios que já atingiram ou superaram a marca de 80% de crianças alfabetizadas. Para ele, o próximo passo é avançar para os chamados multiletramentos, como o letramento matemático, digital e socioemocional.

“O desafio agora é garantir uma alfabetização que leve ao desenvolvimento pleno dessas crianças. Hoje, o que consideramos como criança alfabetizada ainda está em um patamar muito baixo diante das demandas do século XXI”, avaliou.

 


Guga Matos/JC Imagem

O professor Mozart Neves Ramos falando para o público no auditório Graça Araújo, no Sistema Jornal do Commercio, no JC Educação – Guga Matos/JC Imagem

Monitoramento e formação

O avanço de municípios nos índices de alfabetização tem sido associado a estratégias de acompanhamento mais próximas das redes de ensino. De acordo Andreika Asseker, um dos principais diferenciais está no monitoramento pedagógico realizado pelas secretarias municipais de Educação, que passam a atuar de forma mais ativa no apoio às escolas.

Em municípios menores, essa presença tende a ser mais efetiva, permitindo uma atuação mais próxima da realidade das escolas. Outro ponto destacado é a necessidade de um olhar individualizado para os estudantes, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais e diferentes níveis de aprendizagem. A lógica, segundo a dirigente, não deve se limitar ao alcance das metas gerais, mas garantir que todos os alunos avancem no processo de alfabetização, com ações como busca ativa e maior envolvimento das famílias.

Avançar na formação de alfabetizadores no Brasil, com maior aproximação entre teoria e prática, também pode contribuir para melhorar os índices e fazer com que eles reflitam, de fato, o processo de aprendizagem. Segundo Mozart Neves Ramos, apesar dos investimentos realizados, ainda há distância entre a formação oferecida pelas universidades e a realidade das escolas públicas.

“Deveríamos ter um trabalho mais forte no campo da formação de alfabetizadores, com uma abordagem mais prática. Em geral, as universidades ainda estão distantes do chão da escola, e a formação deixa a desejar”, afirmou.

O educador também defende que o currículo esteja alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular, com foco em uma educação integral. Para ele, três competências devem ser priorizadas desde a pré-escola e ao longo do processo de alfabetização: a cognitiva, a socioemocional e a comportamental.

“A articulação dessas competências permite que a escola ofereça uma educação mais alinhada às demandas do século atual e às necessidades futuras das crianças”, destacou. 

Confira os resultados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) em Pernambuco:

Municípios com melhor desempenho em 2025

  1. Carnaubeira da Penha — 100% (Meta: 80%)
  2. Quixaba — 98% (Meta: 80%)
  3. Rio Formoso — 98% (Meta: 80%)
  4. Lagoa dos Gatos — 96% (Meta: 74%)
  5. Calumbi — 95% (Meta: 76%)
  6. Casinhas — 95% (Meta: 80%)
  7. Custódia — 95% (Meta: 80%)
  8. Ferreiros — 95% (Meta: 80%)
  9. Barra de Guabiraba — 94% (Meta: 80%)
  10. Bom Jardim — 94% (Meta: 80%)
  11. Buenos Aires — 94% (Meta: 68%)
  12. Cortês — 94% (Meta: 68%)
  13. Terezinha — 94% (Meta: 72%)

Municípios da Região Metropolitana do Recife

  1. Itapissuma — 88% (Meta: 78%)
  2. Igarassu — 75% (Meta: 68%)
  3. Olinda — 63% (Meta: 66%)
  4. Camaragibe — 62% (Meta: 66%)
  5. São Lourenço da Mata — 60% (Meta: 56%)
  6. Paulista — 59% (Meta: 61%)
  7. Araçoiaba — 58% (Meta: 57%)
  8. Recife — 57% (Meta: 61%)
  9. Jaboatão dos Guararapes — 55% (Meta: 65%)
  10. Moreno — 52% (Meta: 62%)
  11. Cabo de Santo Agostinho — 52% (Meta: 63%)
  12. Ilha de Itamaracá — 52% (Meta: 62%)
  13. Abreu e Lima — 49% (Meta: 58%)
  14. Goiana — 46% (Meta: 62%)

Municípios com o pior desempenho em 2025

  1. Gravatá — 42% (Meta: 54%)
  2. Sertânia — 43% (Meta: 66%)
  3. Ouricuri — 45% (Meta: 50%)
  4. Goiana — 46% (Meta: 62%)
  5. Vitória de Santo Antão — 47% (Meta: 57%)
  6. São José da Coroa Grande — 49% (Meta: 54%)
  7. Abreu e Lima — 49% (Meta: 58%)
  8. Alagoinha — 50% (Meta: 55%)
  9. Joaquim Nabuco — 50% (Meta: 59%)
  10. Belém de São Francisco — 51% (Meta: 61%)

*Fonte: Inep/MEC

O resultado de todos os municípios podem ser acessados pelo site: 






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