Teresinha Soares (1927 – 2026) – Morre Teresinha Soares, artista visual que debateu o corpo feminino, aos 99

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Teresinha Soares (1927 – 2026) – Morre Teresinha Soares, artista visual que debateu o corpo feminino, aos 99


Morreu na madrugada desta terça-feira, 31, a artista Teresinha Soares, que debateu o corpo feminino a partir de obras que mesclam erotismo e crítica. Ela tinha 99 anos.

Teresinha quebrou o fêmur há cerca de três semanas, e estava internada no hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. Ela não se recuperou desde então, diz a filha, Valeska.

Teresinha marcou as décadas de 1960 e 1970 com uma produção voltada ao confronto. Suas colagens e instalações faziam protestos, de caráter feminista, nunca conformado. Ela rompeu com a ideia de que o corpo feminino é passivo —fez dele um campo de crítica, de autonomia.

A pegada erótica das obras era o que mais chamava a atenção. A partir de símbolos como bocas, seios, e genitais, ela insinuava seu descontentamento com o controle.

Em 2017, no Museu de Arte de São Paulo, o Masp, Teresinha ganhou uma retrospectiva que tentava dar conta de explicar porque as suas telas, gravuras, esculturas e performances fizeram ela ser chamada de “pintora que escandaliza a ‘society'” pela crítica.

“Minha obra é como se fosse um parto, uma coisa muito fisiológica, um grito. É a necessidade de pôr para fora o que está dentro de mim”, disse a artista à Folha, na exposição.

Anos depois, em 2023, Teresinha foi alvo de uma mostra menor, “Um Alegre Teatro Sério”, nome de obra que pintou em 1966, na galeria Gomide&Co, também em São Paulo. Lá, havia, por exemplo, uma peça que mostrava silhuetas femininas, um beijo entre dois rostos, e, entre os corpos, frases recortadas de jornais com proibições sobre os corpos das mulheres.

Outra obra que chamava a atenção na seleção era “Casa Suspeita”, de 1967, em que a artista retrata prostituição, com corpos sensuais postos ao lado dos convites “venha conferir” e “fazemos qualquer negócio”.

Teresinha flertou também com o movimento pop art, associado a artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein), mas numa vertente brasileira. Suas obras eram repletas de cores fortes e contrastadas e

repetição de imagens, e até de psicodelia, elementos comuns dessa linguagem.

Mas ela ia além do debate sobre consumismo que imperava na arte pop de fora. Seu negócio era se apropriar da tendência para atacar, na verdade, a política da época —o Brasil vivia sob o regime militar.

“Na minha vida, nunca teve drama, mas eu sentia uma revolta e me sentia livre. Tinha coragem, não tinha medo”, afirmou Teresinha a este jornal quando ganhou a mostra no Masp. “Nunca coloquei um selo no que eu faço, mas é claro que tem um aspecto político. Sexo, amor, cama, tudo isso é política. Não é só sexo, mas é a mulher tomando consciência de seu valor.”

Embora tenha vivido rápida ascensão, Teresinha viu sua produção cessar em 1976. Fora um fim abrupto que nem ela soube explicar porque aconteceu.

A obra de Teresinha passou por um resgate na década passada sob a nova onda feminista. Tanto é que alguns de seus grandes trabalhos expostos em 2015 na Tate Modern, em Londres, mostra dedicada à arte pop feita em países de fora da Europa e dos Estados Unidos.

Teresinha nasceu em Araxá, em Minas Gerais, mas cresceu em Belo Horizonte. Participou de três edições da Bienal de São Paulo, e várias outras grandes exposições no país.

Além de artista plástica, foi a primeira mulher eleita vereadora na cidade em que nasceu. Trabalhou também como miss, professora e escritora.



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