Organização das Nações Unidas declara que a escravização de africanos foi o crime mais grave cometido contra os valores da civilização
JC
Publicado em 26/03/2026 às 0:00
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Seres humanos tratados como mercadorias de consumo para a realização de serviços pesados ou domésticos: essa realidade foi vista como natural durante séculos, por diversos povos que sequestravam, prendiam e oprimiam outros povos em nome de vantagens econômicas – mas não apenas. Longe de configurar exclusivamente uma transação comercial, o que já seria um horror, a escravização e o tráfico de gente contaram com a concordância da maioria das populações que usufruíram desse expediente. Se foi deturpação política visando o lucro dos poderosos de épocas através de gerações, o longo crime contra homens e mulheres escravizadas também indica um problema social de raiz profunda na história das civilizações.
A visão de que a submissão de alguém – submissão plena e inescapável – seria um direito de determinada classe de cidadãos, ou grupo que se acha privilegiado por nascença, apresenta-se até hoje como um distúrbio coletivo, compartilhado por indivíduos que parecem não conseguir enxergar o mundo sem a segregação e o domínio de uns sobre outros. Distúrbio que se propaga em variados graus, mantendo injustiças, preconceitos, e violências morais e físicas acentuadas pela concepção, ainda transmitida, de superioridade de quem exerce a brutalidade. Numa variante do “bom selvagem” para o “servo por natureza”.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) acaba de dar um passo importante de reconhecimento do desvio civilizatório que é a escravização. O sentido econômico é aviltante, mas a permissividade social, que incluía setores da classe média, inclusive no Brasil, é ainda mais estarrecedora à luz dos valores consagrados pelo humanismo, no pilar da igualdade e da universalidade dos direitos. “Hoje, estamos reunidos aqui solenemente e em solidariedade para proclamar a verdade e continuar o caminho rumo à cura e à justiça restaurativa”, discursou o presidente de Gana, John Mahama, durante a Assembleia. Para ele, “a adoção desta resolução também serve como uma salvaguarda contra o esquecimento”.
Vale mencionar que três países representados na ONU votaram contra a resolução, segundo a qual a escravização é o pior crime da humanidade contra si mesma. Os governos chefiados por Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Javier Milei, Estados Unidos, Israel e Argentina, se posicionaram oficialmente contrários ao reconhecimento, em ato mais que simbólico, da instituição global que busca legitimar os destinos coletivos, embora estruturalmente fragilizada. A abstenção da Europa, em bloco, foi igualmente vergonhosa, como se os exploradores não pudessem, sequer, pedir desculpas pelos crimes cometidos.
O secretário-geral, Antonio Guterres, assinalou que a ideologia racista segue firme num mundo repleto de intolerância. De acordo com o representante dos EUA, no entanto, a injustiça não pode ser reparada se não havia ilegalidade na época em que ocorreram. Por esse argumento, a barbárie e outras violências não seriam condenáveis, à luz da compreensão de agora. Talvez seja esse mesmo raciocínio o motor do impulso agressivo e conquistador que não passa, estimulando guerras, massacres e até os feminicídios que, em alta no Brasil, também corroem a fé na humanidade.


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