Empresário participa do primeiro episódio do podcast Papo de Negócio, da Fiepe Jovem, e destaca a importância do jovem empreendedor na economia
JC
Publicado em 18/03/2026 às 15:13
| Atualizado em 18/03/2026 às 18:20
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O podcast Papo de Negócio, iniciativa da Fiepe Jovem, recebeu o empresário e ex-CEO da Suzano Walter Schalka para discutir os caminhos e as responsabilidades do jovem empreendedor.
A conversa foi conduzida pelo presidente da Fiepe Jovem, Rodrigo Veloso, e contou com a participação do jornalista Fernando Castilho, que assina a Coluna JC Negócios do Jornal do Commercio, como entrevistador convidado. O episódio vai ao ar no dia 25 deste mês de março, na playlist do Papo de Negócio.

Walter Schalka participa do podcast Papo de Negócio, ao lado de Rodrigo Veloso e Fernando Castilho – Reprodução/Fiepe Jovem
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Engenheiro formado pelo ITA, com passagem pelo Citibank e atuação na Fundação SOS Mata Atlântica, Schalka é referência em gestão e produção sustentável. Na entrevista, ele compartilha experiências pessoais e reflete sobre formação profissional, liderança e o papel das novas gerações.
Decisões importantes no começo da carreira
Logo no início, ao falar sobre o começo da própria trajetória, Schalka destacou que decisões de carreira não devem ser guiadas apenas por retorno financeiro imediato. Ele lembrou que recebeu diversas propostas ao sair da faculdade, mas optou por aquela que oferecia maior aprendizado.
“O primeiro emprego, a diferença salarial não é o que vai fazer a construção da sua vida financeira ao longo do tempo. O que vai fazer é o seu desenvolvimento profissional”, apontando que o jovem empreendedor precisa, antes de tudo, construir repertório.
Formação, potencial e o papel das empresas
Essa lógica, segundo ele, se estende à forma como empresas devem olhar para novos talentos. Ao longo da carreira, Schalka participou diretamente da seleção de trainees e adotou um critério claro: mais importante do que o ponto de partida é a capacidade de evolução.
Ele explica que “a gente não escolhe os trainees pela posição que ele está, mas sim pelo potencial que tem”, destacando a importância do chamado learning agility. Mais do que selecionar, ele buscava engaja-los pessoalmente, reforçando o valor estratégico daquele processo dentro da empresa.
Cultura organizacional começa nas pessoas
Ao falar sobre gestão, Schalka rejeita a ideia de que resultados vêm apenas de estratégia ou tecnologia. Para ele, o centro de qualquer organização está nas pessoas e na forma como são mobilizadas.
“Gente é que faz empresa. Quem faz empresa não é máquina, porque máquina você compra, tecnologia você compra. Gente não”, afirmou. Na prática, isso se traduz em um modelo de liderança mais próximo da operação.
Ele relata que evitava uma gestão baseada apenas em relatórios e apresentações, preferindo contato direto com equipes, clientes e processos. Esse movimento, segundo ele, cria engajamento real e permite que as pessoas atinjam seu máximo potencial.
Competitividade e diferenciais difíceis de copiar
Outro ponto recorrente na fala do executivo é a necessidade de construir vantagens competitivas que não sejam facilmente replicáveis. Para ele, empresas bem-sucedidas são aquelas que desenvolvem diferenciais ao longo do tempo e conseguem ampliá-los com escala.
“O que nós temos que ser obsessivos é em buscar a irreplicabilidade desses diferenciais”, afirmou, citando exemplos de grandes companhias globais para ilustrar como essa construção acontece ao longo de décadas.
A lógica, segundo ele, é contínua para melhorar todos os dias e se manter à frente. Não se trata de eliminar a concorrência, mas de evoluir constantemente dentro do próprio ritmo.
Dentro desse processo, Schalka defende que o erro não deve ser evitado a qualquer custo, mas gerenciado de forma inteligente. Projetos que falham em pequena escala fazem parte do aprendizado e ajudam a evitar perdas maiores no futuro.
“Se errar pequeno está tudo bem, porque o erro é adotado como aprendizado”, explicou, destacando que a evolução empresarial passa, inevitavelmente, por tentativas que não dão certo.
Sustentabilidade exige ação coletiva
Ao ampliar a discussão para além do ambiente corporativo, Schalka trouxe uma visão crítica sobre o papel das empresas diante dos desafios globais, especialmente na área ambiental.
Para ele, não há mais espaço para tratar sustentabilidade como tendência ou discurso. “Sustentabilidade é um jogo coletivo, não é um jogo de competição. São oito bilhões de pessoas trabalhando juntos com o mesmo objetivo”, afirmou.
O executivo alertou ainda para a urgência do tema, defendendo que a sociedade tem negligenciado a gravidade da crise climática. Em um dos momentos mais enfáticos da entrevista, disse que “nós estamos indo em direção ao precipício e acelerando”, ao comentar a falta de ação concreta diante do problema.
Juventude precisa assumir protagonismo
Ao falar sobre novas gerações, Schalka fez um chamado direto à participação ativa dos jovens na transformação da sociedade. Para ele, há um risco crescente de acomodação, especialmente no cenário pós-pandemia, que precisa ser enfrentado.
“Nós não podemos ser espectadores”, afirmou, ao defender que mudanças estruturais não podem ficar restritas ao poder público ou às lideranças tradicionais.
Ele argumenta que empresários e executivos mais jovens devem assumir um papel ativo na construção de soluções, indo além do próprio negócio. A responsabilidade, segundo ele, é coletiva e ultrapassa os limites das empresas.
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