Folha adota entusiasmo crítico com IA, diz Sérgio Dávila, diretor de Redação

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Folha adota entusiasmo crítico com IA, diz Sérgio Dávila, diretor de Redação


Diante dos desafios impostos pela inteligência artificial, a postura da Folha é de “entusiasmo crítico”, afirmou Sérgio Dávila, diretor de Redação do jornal, no Festival Fronteiras, evento sediado pela primeira vez na capital paulista.

A ferramenta tira das mãos do jornalista o trabalho braçal, embora não o exima de responsabilidade sobre o conteúdo do que publica. “Há a importância do julgamento crítico, claro. E nada pode sair sem revisão de olhos humanos.”

Dávila disse que a disrupção tecnológica canibaliza o que é produzido pelo jornalismo profissional, muitas vezes sem o pagamento correspondente, o que tem provocado reações que resultam em acordos ou em briga judicial. A Folha processa a OpenAI por concorrência desleal e violação de direitos.

Em uma mesa sobre a reinvenção do jornalismo, Dávila se disse um otimista em relação à profissão que, em sua avaliação, responde bem às rupturas tecnológicas que se refletem, por exemplo, nas mudanças na forma como o conteúdo jornalístico é distribuído ou na massificação da opinião promovida pelas redes sociais. “Todo mundo tem direito à sua opinião, mas todo mundo não tem direito ao seu próprio fato. Fato é fato, e isso traz valor ao jornalismo profissional.”

Presente à discussão, o jornalista Fernando Gabeira lembrou que o compromisso do jornalismo com os fatos é caro, “se gasta com isso”. “Com isso não quero dizer que o jornalismo não tem posição política, mas sem aderência aos fatos se perde credibilidade”, disse Gabeira.

Dávila falou também sobre a forte pressão por assinaturas e os riscos inerentes a essa busca, como a procura por audiência. Hoje, a Folha tem 900 mil assinantes pagos e 20 milhões de visitantes mensais. “Isso [a busca por audiência] pode causar desvios, matérias caça-cliques. A tentação é grande e é preciso uma eterna vigilância”.

Sobre a polarização, Dávila disse que ela não é inédita. “Tenho um orgulho de dirigir um jornal que recebe críticas da esquerda e da direita. À direita somos chamados de ‘Foice de São Paulo e à esquerda, de ‘Falha de São Paulo’. Hoje somos a Falha, amanhã, a Foice, mas seguimos fazendo que a gente sabe fazer.”

Tensões do agora

Na mesa seguinte, “Para entender o contemporâneo: as tensões e enigmas do agora”, Luiz Felipe Pondé, escritor e colunista da Folha, afirmou que costuma dizer a seus alunos que se informem por meio de veículos com história de credibilidade, que “ganham seu pão fazendo isso”.

Também colunista da Folha, o economista Joel Pinheiro da Fonseca disse que o Judiciário brasileiro está clamando por limites e que não será da virtude de seus componentes que virá a contenção. “Virá do Congresso, da opinião pública, tendo a imprensa um papel fundamental”, disse.

Já a jornalista Malu Gaspar, responsável por revelar a troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, disse que, sem a imprensa profissional, “não estaríamos vendo as coisas avançarem”. “Apesar de parecer que nada melhorou, acho que melhorou. As pessoas querem uma solução rápida porque não querem enfrentar a dor que a democracia impõe à sociedade.”



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