Irã: Entenda como como deverá acontecer a sucessão de Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto por EUA e Israel

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Irã: Entenda como como deverá acontecer a sucessão de Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto por EUA e Israel


Cenário da sucessão iraniana é de incerteza após o fim da era Ali Khamenei e liderança coletiva tentando manter a estabilidade do regime teocrático

Por

JC


Publicado em 01/03/2026 às 7:32

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A morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, ocorrida neste sábado (28/2), encerra um longo capítulo da República Islâmica que se estendia desde 1989. Khamenei chegou ao poder após a morte de Ruhollah Khomeini, líder da revolução de 1979, e desde então ocupava o posto de autoridade máxima, superior inclusive à presidência da República. O aiatolá foi morto por forças militares dos Estados Unidos e de Israel, em uma operação coordenada pelo presidente Donald Trump.

Agora, o Irã mergulha em um período de profunda incerteza política. Não existe um sucessor claro e a continuidade do modelo de regime estabelecido em 1979 está sob questionamento. Enquanto Donald Trump afirma já ter nomes “em mente” para a transição, o governo americano admite, por meio de seu Secretário de Estado, que a sucessão iraniana permanece como uma questão em aberto e imprevisível.

Embora a perda do líder supremo seja um golpe significativo, analistas apontam que a teocracia não está acéfala. Nos últimos anos, devido à idade avançada e ao isolamento de Khamenei, o país passou a ser governado de fato por uma liderança coletiva. Esse grupo é composto pelo presidente do país, pelo presidente do Parlamento, pelo chefe do Judiciário e por representantes do Exército e da Guarda Revolucionária Islâmica.

Essa estrutura coletiva coloca o regime em uma posição de sobrevivência possivelmente superior à de ditaduras personalistas. Além disso, apesar da eleição surpreendente do reformista Masoud Pezeshkian em 2024, as principais facções políticas do país — tanto reformistas quanto conservadoras — mantêm-se fiéis aos princípios da Revolução Islâmica, o que dificulta um desmantelamento imediato do sistema por vias internas.

DESAFIOS AO REGIME: PRESSÃO POPULAR E OPOSIÇÃO

Foto de arquivo de 4 de junho de 2007 do líder supremo do Irã, Ali Khamenei – HASAN SARBAKHSHIAN/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O maior desafio à continuidade da República Islâmica pode vir das ruas e não apenas da cúpula política, segundo especialistas. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o Irã foi palco de protestos massivos que resultaram em milhares de mortos, representando um dos momentos de maior fragilidade da história do regime. Uma pressão popular contínua poderia, teoricamente, forçar uma abertura política, embora ainda não haja sinais claros de que isso ocorrerá a curto prazo.

No cenário externo, figuras da oposição tentam se viabilizar como alternativa. Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, busca posicionar-se como líder para uma transição rumo a uma democracia secular, embora ainda enfrente ceticismo por parte de outros setores da oposição no exílio.

O processo de escolha do novo líder e o contexto político atual envolvem os seguintes pontos:

1) Processo Constitucional: Formalmente, o líder supremo é escolhido pela Assembleia de Especialistas, um órgão composto por 88 clérigos que possuem mandato vitalício.

2) Poder de Veto: Todos os candidatos da Assembleia precisam ser aprovados pelo Conselho Guardião, composto por 12 membros, metade dos quais são indicados pelo próprio líder supremo (ou seu grupo político) e a outra metade pelo chefe do Judiciário.

3) Ajustes Retroativos: Especialistas sugerem que as regras constitucionais podem ser ignoradas ou ajustadas retroativamente para legitimar qualquer indivíduo ou grupo que vença a disputa interna entre facções.

4) Fim do Sucessor Natural: O ex-presidente Ebrahim Raisi era o favorito para suceder Khamenei, mas sua morte em um acidente de helicóptero em 2024 deixou o caminho sem um herdeiro óbvio.

5) Interferência Externa: Donald Trump afirma ter um nome para a sucessão, mas não detalhou como pretende impor essa escolha ou se o escolhido teria o status de líder supremo.

6) Liderança de Fato: Atualmente, o poder é exercido por um colegiado que inclui o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i.

 



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