Tricia Tuttle, diretora do Festival do Berlim, pode ser demitida do cargo nesta quinta-feira (26), de acordo com reportagem do jornal Bild, o mais popular da Alemanha. O ministro da Cultura, Wolfram Weimer, que preside o conselho da Berlinale, deve propor e, ao que tudo indica, aprovar o desligamento de Tuttle por suposto antissemitismo.
A jornalista e curadora americana esteve no centro da polêmica que marcou a 76ª edição do festival, neste ano, defendendo que cineastas e atores não deveriam ser obrigados a se manifestar politicamente. A discussão começou na entrevista de abertura da Berlinale, quando um jornalista provocou o júri sobre a guerra Israel-Hamas e ouviu de Wim Wenders, presidente do grupo, que o cinema é “o oposto da política”.
A posição de Tuttle foi alvo de uma carta assinada por 81 profissionais da indústria que já haviam participado da Berlinale ou estavam na edição deste ano. Javier Bardem, Tilda Swinton e Fernando Meirelles estavam entre os signatários, que pediam um posicionamento do festival sobre a Faixa de Gaza Em outros anos, a Berlinale não se furtou a emitir opiniões sobre a violação de direitos humanos no Irã e a invasão russa na Ucrânia.
Nada disso, porém, serviu de argumento para amenizar a presença de Tuttle em uma foto com a equipe responsável pelo filme “Chronicles from the Siege“, do diretor e roteirista Abdallah Alkhatib. Na imagem, tirada na semana passada, após uma das exibições do filme no festival, várias pessoas estão com keffiyehs, os lenços típicos, e um homem segura a bandeira da Palestina.
Tuttle, que, apesar da posição de neutralidade adotada durante o festival, sempre defendeu o direito à manifestação, está sendo acusada de antissemitismo pelos críticos. E tirar fotos com as equipes responsáveis pelos filmes é um de seus tantos papéis como diretora.
Serviu como estopim para episódio o fato de Abdallah Alkhatib ter repetido o gesto ao ser premiado no sábado (21) na seção Panorama do festival. Ao receber o prêmio, o diretor afirmou que o governo alemão era “conivente com o genocídio em Gaza”.
Não foi a única menção ao conflito no Oriente Médio durante a cerimônia, em que Tuttle defendeu o caráter político do festival. “Somos uma instituição cultural muito visível. Somos uma instituição da qual as pessoas esperam muito”, disse, em discurso. “Precisamos aceitar o fato de que estamos vivendo um momento polarizado e abraçar a comunidade que construímos juntos, porque criticar e expressar a nossa opinião faz parte da democracia, assim como discordar.”
Weimer, o ministro da Cultura, desde que assumiu a pasta, no ano passado, tem buscado tirar do setor a marca que percebe como tolerância ao antissetismo. Em seu primeiro dia no cargo, demitiu o chefe de gabinete Andreas Görgen, tido como responsável por confusão semelhante durante a Dokumenta de 2022.


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