Após assistir ao filme 16 vezes – quase dois dias inteiros de projeção – dono de agência transforma locações em experiência cultural no Recife
Adriana Guarda
Publicado em 23/01/2026 às 20:12
| Atualizado em 23/01/2026 às 21:00
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Antes de virar roteiro turístico, O Agente Secreto já era obsessão pessoal para Roberto Tavares. Dono da Agência Tavares Turismo, o administrador de empresas, guia de turismo e cinéfilo assumido já assistiu ao filme 16 vezes — o equivalente a 42 horas e 40 minutos diante da tela, considerando a duração de 2h40 do longa, quase dois dias inteiros de projeção contínua. A marca lhe rendeu o título informal de recordista, reconhecido pelo próprio diretor, Kleber Mendonça Filho, em postagens nas redes sociais.
“Eu já vi o filme 16 vezes. Sou recordista, inclusive Kleber já postou isso no feed do Instagram dele algumas vezes”, conta Roberto, de 32 anos. A relação com o longa, no entanto, começou muito antes da estreia. “O Agente Secreto está dentro de mim muito antes de se tornar um filme. Eu acompanhei as filmagens, a paróquia que eu frequento foi onde eles ensaiaram, onde fizeram maquiagem. Por diversos motivos esse filme está dentro de mim”, diz.
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Fundada oficialmente há três anos, a Tavares Turismo nasceu depois que Roberto decidiu transformar uma prática informal em profissão. “Eu já fazia essas excursões de forma não oficial. A agência se tornou de fato uma agência quando resolvi fazer um curso técnico, me tornar guia de turismo e, ao mesmo tempo, abrir a empresa para fazer uma infinidade de passeios.”
Além do turismo, Roberto mantém vínculo direto com o cinema. Ele integra grupos de crítica cinematográfica, produz conteúdo e apresenta o podcast Caraca Cast, no YouTube, além da página Cômodo Nerd (@comodonerd), no Instagram, com cerca de 76 mil seguidores. “A gente vive cinema. Faz crítica, vai a pré-estreias, já recebeu parte do elenco, músicos da trilha sonora e já conversou com o próprio Kleber.”
Do cinema ao passeio a pé
A ideia do tour inspirado em O Agente Secreto surgiu após uma sessão especial organizada por ele para fãs do filme, no Plaza Shopping. “Na terceira vez que assisti, organizei uma sessão para fãs e, entre os brindes, a gente deu de presente um tour.” A experiência foi realizada em parceria com o jornalista e guia Geraldo Júnior.
“Quando terminou o tour, eu e Geraldo nos olhamos e dissemos: ‘Isso dá um bom roteiro’.” A partir daí, o passeio passou a integrar oficialmente a programação da agência. Desde novembro, já foram realizadas três edições, com outras três marcadas — algumas já esgotadas. “A gente está recebendo pessoas de todo o Brasil”, conta.
O roteiro é feito a pé, com duração média de três horas, e percorre pontos centrais do Recife que aparecem no filme: Chá-Mate Brasília, Correios, Ginásio Pernambucano, Rua da União, Parque 13 de Maio e o Cinema São Luiz. “O passeio depende muito do dia e do que está aberto. No sábado, por exemplo, o Chá-Mate está funcionando e o São Luiz permite visitar a cabine de projeção”.
Para garantir a experiência, o grupo é limitado. “O máximo que eu levo são 30 pessoas, principalmente por causa do Cinema São Luiz, onde a cabine é estreita. Passando disso, fica inviável.”
Fotografia, memória e experiência

Cards com imagens de cenas gravadas no local são entregues aos participantes do tour, conectando cinema, memória urbana e os espaços reais por onde o filme passou – Divulgação
Uma das variações do passeio é o tour analógico, que incorpora a fotografia como linguagem central da experiência. Em algumas edições, o grupo conta com a presença de Harrison Full, responsável pela revelação das fotos analógicas usadas no filme.
“Aquelas fotos que aparecem no filme, quando o personagem (de Wagner Moura) abre a caixinha da Kodak, são todas fotos analógicas, reveladas por Harrison Full”, explica Roberto. “A gente recebe pessoas apaixonadas por fotografia analógica, que levam suas câmeras e fazem as imagens durante o passeio, com monitoria.”
Economia local em movimento
O passeio custa R$ 40 por pessoa, com desconto para duplas (R$ 70), e inclui brindes. “Além do tour, as pessoas ganham um bottom, um pôster e 11 cards com fotos de cenas gravadas nos locais visitados.” A proposta é reforçar a conexão entre cinema, cidade e memória.
Desde a estreia do filme, a procura só cresce. “Eu tenho passeio agendado até 21 de fevereiro. O de sábado (24) agora está esgotado.” Para Roberto, o efeito da indicação ao Oscar tende a ampliar ainda mais a demanda. “Isso vai explodir. Esse passeio vai virar um roteiro turístico por longos e longos anos. Eu não tenho dúvida disso”, observa.
O tour se transformou em um fenômeno entre as agências. Além da Tavares Turismo (@tavaresturismope), outras oferecem roteiros inspirados no filme, como a La Ursa Tours, que já realizou 13 edições desde 8 de novembro de 2025, segundo a própria empresa (@laursatours).
Redescobrir a cidade
Para Roberto, um dos efeitos mais relevantes do tour é despertar o olhar do próprio recifense sobre a cidade. “Eu recebo muita gente do Recife que diz: ‘Caramba, eu passo aqui toda semana e não sabia disso’. Não sabia que aquela fachada já foi locação de Retratos Fantasmas, Bacurau, de outros filmes.”
O impacto também chega ao comércio tradicional. “Quem era o Chá-Mate Brasília antes de O Agente Secreto? Só conhecia quem passava ali ou quem era de gerações mais antigas. Hoje, a gente sai de lá com a estufa vazia.” No Cinema São Luiz, o reflexo foi imediato. “Se você olhar a retrospectiva do cinema no Instagram, vai ver que de outubro a dezembro o aumento de público foi surreal, principalmente por causa do filme.”
Para ele, O Agente Secreto funcionou como catalisador de um processo mais amplo. “Esse filme une cinema com história, com cultura. Incentiva as pessoas a conhecerem suas raízes e fomenta o turismo e os negócios locais.”
Do cinema às ruas, o Recife reaprende a se ver — agora guiado por quem conhece cada cena, cada esquina e cada memória projetada na tela.


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