O aumento é dado como certo, já que tradicionalmente o conselho delibera pela aprovação da proposta encaminhada pelo governo do Estado
JC
Publicado em 14/01/2026 às 22:00
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Nesta quinta-feira (15), o Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) define o reajuste que será aplicado nas tarifas de ônibus do Grande Recife neste ano de 2026. O CSTM é um colegiado formado por integrantes do poder público, da sociedade civil, representantes de empresas de transporte e sindicatos. Juntos, eles avaliam a proposta formulada pelo Governo de Pernambuco para reajuste das passagens, que neste ano é proposto em 4,46% (recompondo a inflação acumulada pelo IPCA IPCA entre dezembro/24 a novembro/25. A reunião está marcada para as 9h, por videoconferência.
O aumento é dado como certo, já que tradicionalmente o conselho delibera pela aprovação da proposta encaminhada. No último reajuste, em 2025, a tarifa do anel A passou para R$ 4,2842 (sendo arredondado para R$ 4,30). Com a proposta feita pelo Governo para o reajuste da tarifa 2026 ser baseada na inflação do período (4,46%), a passagem do anel A subiria para R$ 4,4753 (devendo ser arredondada para R$ 4,50).
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Cabe ressaltar que a Região Metropolitana do Recife conta um Bilhete Único Metropolitano desde 2024, que na verdade, é a unificação dos anéis tarifários A e B, que eram usados nos ônibus da RMR. Na prática, o que mudou foi a redução do valor da passagem, que saiu, à época, de R$ 5,60 para R$ 4,10.
A integração tarifária no Grande Recife segue sendo a mesma, limitada ao período de duas horas e, principalmente, às linhas do Sistema Estrutural Integrado (SEI), ou seja, em quase sua totalidade, aos 26 Terminais Integrados existentes na RMR. Algumas poucas linhas que fazem integração fora dos TIs também permitem a integração temporal, mas são casos pontuais.
A perspectiva de um novo reajuste tarifário vem após mais um ano de muitas queixas relacionadas às condições do transporte público nas cidades da região metropolitana, com redução de frotas ou até mesmo extinção de linhas, superlotação, não implementação por completo de ar-condicionado nos ônibus e falta de renovação dos veículos.
Por outro lado, os empresários que operam o sistema alegam aumento dos custos, com redução do contingente de passageiros e alta das despesas de pessoal e operacionais.
Na proposta apresentada em documento ao CSTM, a gestão estadual justifica que “o valor fixado para a tarifa pública, como ocorre na maioria dos municípios do Brasil, deveria suportar os custos relativos à remuneração das concessionárias e permissionárias, manutenção do equilíbrio econômico e financeiro dos contratos de concessão, despesas com gestão do órgão gestor (CTM), despesas com a gestão dos terminais de integração do SEI, estações de BRT e paradas, gratuidades e abatimentos. O Governo do Estado, no sentido de manter a modicidade tarifária, entendeu que deveria suportar grande parte de tais custos, inclusive isentando o ICMS sobre o óleo diesel”.
Na mesma linha vai o Grande Recife Consórcio, que informou, também em nota, que “o Conselho Superior de Transporte Metropolitano vai avaliar a proposta de reajuste da tarifa de ônibus da Região Metropolitana do Recife. O Executivo estadual propõe que a tarifa seja atualizada somente com base na inflação em 2026”.
A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco, uma das representantes da sociedade civil na reunião, critica que a proposta de reajuste será votada “sem ter sido apresentada qualquer documentação técnica em tempo hábil para avaliação da sociedade civil organizada”.
“O governo quer aumentar o valor das passagens sem nunca ter enfrentado ou demonstrado o seu projeto para o setor. Não se sabe nada de como ficará o BRT, as estações já construídas, a licitação interrompida, a ausência de renovação da frota e a repercussão no STTP da eventual privatização do metrô. Tudo permanece em uma caixa-preta. A Frente de Luta irá votar contra e denuncia o total descaso do Governo com o transporte caótico que atinge a todos pernambucanos”, destacou.
REAJUSTES NO GRANDE RECIFE
Há um ano, em janeiro de 2025, as passagens de ônibus do Grande Recife tiveram um reajuste de 4,29% no anel A e 7,63% nas demais tarifas.
Foi quando a tarifa do Anel A – utilizado por mais de 80% dos passageiros – passou de R$ 4,10 para R$ R$ 4,30 (com o arredondamento). Foi o primeiro reajuste desde 2022. Em 2023 e 2024, o governo de Pernambuco congelou as tarifas, e fez a unificação dos anéis A e B. Embora o aumento aprovado para 2025 tenha ficado abaixo da inflação acumulada, no período entre março de 2023 a novembro de 2024 (de 7,63%), o reajuste é sempre desgastante politicamente porque pesa no bolso do passageiros, que já está fugindo do sistema de transporte público.
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