Em 2026, o futuro está apagado, virou miragem de um passado que insiste em prevalecer – não imaginamos mais um tempo de redenção pela frente
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Quem atravessou a fronteira do ano 2000 recorda que, poucas décadas antes, o século 21, ou o terceiro milênio, apareciam no imaginário popular como uma linha distante, mais propícia às utopias do que às distopias. Mesmo que as criações distópicas e a realidade da época não oferecessem motivos para afastar o pessimismo, uma certa inocência movia as gerações de então para sonhar com um futuro mítico, que seria desalojado daquele presente corrente, e ofertaria mistérios e surpresas para um mundo melhor.
Em crônica para a revista Época de 3 de janeiro de 2000, Zuenir Ventura, recordava: “É como se fosse a chegada do futuro pelo qual se esperou achando que ele jamais chegaria. Parecia inatingível, tão distante era no tempo e na cabeça da gente (…) O passado era embalado por uma promessa que se acreditava que jamais iria se realizar”, conta o escritor, que mantinha àquela altura um traço de otimismo, a despeito do legado civilizatório até ali. Para Ventura, que viria a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014, restava uma certeza: “a de que se o homem continuar fazendo todo o mal de que é capaz contra si e o meio ambiente, não vai sobrar ninguém para contar a história”. Mas “a consciência do risco de autoextermínio pode fazer com que o próximo século seja menos autodestrutivo do que foi este”.
Hoje temos saudade do futuro projetado antes. Um quarto de século depois, o futuro não habita mais um lugar de redenção da humanidade. O futuro do passado era outro, espaçoso, propício à esperança, na expectativa de que a virada de mil anos representaria o esquecimento dos erros coletivos, e sua substituição por outras práticas, de nova consciência. Não sabíamos o que seriam, nem sabemos ainda. Em 2026, o futuro está apagado, virou miragem de um passado que insiste em prevalecer – apenas sem o futuro que pintava pela frente.
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Escrita Criativa
O projeto Estudos em Escrita Criativa Social (EEC Social) abre inscrições nesta segunda, 12, no Recife. São oferecidas 20 vagas gratuitas para a terceira turma, de março a dezembro no Cobogó das Artes, em um sábado por mês, das 8h da manhã às 5 da tarde. Os participantes irão assinar um livro coletivo, que será publicado em 2027. A coordenação geral do projeto é da escritora e editora Patrícia Tenório, e a coordenação pedagógica, de Adriano Portela.
Retalhos de nós
O livro do EEC Social referente à turma de 2025 conta com posfácio de Bernardo Bueno, que diz: “Continuar escrevendo para continuar escrevendo. Isso que é difícil. Não é publicar pela primeira vez, nem pela segunda. É continuar”. Na apresentação de “Retalhos de nós”, Adriano Portela cita Roland Barthes: “O prazer do texto é esse momento em que meu corpo começa a seguir suas próprias ideias”. Veja mais no Instagram @estudosemescritacriativa.

Cena do espetáculo com Vandré Silveira – @callanga
A hora do boi
Uma história “sobre empatia entre seres vivos, quando um homem sem afetos cria laços de amor com um boi” chega ao palco no centro do Rio de Janeiro, nesta terça, 13. Com texto de Daniela Pereira de Carvalho, direção de André Paes Leme, idealização e atuação de Vandré Silveira, “A hora do boi” se baseia em notícia publicada em jornal de Salvador, em 2018. No Teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), terças e quartas às 7 da noite, até 11 de fevereiro. Ingressos na plataforma Sympla. Mais informações no Instagram @ahoradoboiteatro.
Ao infinito e além
A Record lança no Brasil o novo livro de Neil deGrasse Tyson, com Lindsey Nyx Walker. “Ao infinito e além – Uma jornada de descobertas cósmicas” é uma narrativa ilustrada que junta “ciência, humor e algumas cutucadas sutis em Hollywood pela forma como o espaço sideral é retratado nos filmes”, segundo a divulgação. Neil deGrasse Tyson é astrofísico e diretor do Planetário Hayden no Centro Rose para a Terra e o Espaço do Museu de História Natural de Nova York. Lindsey Nyx Walker é a produtora e roteirista-chefe do StarTalk, da National Geographic.
Seis dias em Bombaim
Inspirada na vida de Amrita Sher-Gil, que se tornou conhecida como a “Frida Kahlo da Índia”, Alka Joshi escreveu “Seis dias em Bombaim”, lançamento da Verus no Brasil, com tradução de Cecília Camargo Bartalotti. Este é o quarto livro da autora, primeiro após a Trilogia de Jaipur, best-seller do New York Times.
Cursos de Verão
Até 5 de fevereiro, os cursos online do Instituto Estação das Letras oferecem perspectivas diversas para quem se interessa por literatura. Na terça, 13, começa “Provocações Poéticas: oficina de criação textual” com Suzana Vargas. Há outras opções com Caio Moraes Ferreira, Frederico Barbosa, Paulo Henriques Britto, Luís Roberto Amabile e outros. Veja a programação completa em www.estacaodasletras.com.br.
Prêmio Elas Publicam
Estão abertas até o final de janeiro as indicações para o I Prêmio Elas Publicam, que será conferido a “mulheres que constroem o ecossistema do livro brasileiro: da escrita aos bastidores, da criação ao impacto social”, segundo a divulgação. As indicações podem ser para livro do ano, livro para infâncias, livro de poesia, melhor tradução, clube de leitura, podcast literário e outras categorias. A coordenação é de Lella Malta. Saiba mais no Instagram @elaspublicam.

Kátia Borges dá oficina pela Escrevedeira – Divulgação
Exercício do espanto
De 21 de janeiro a 11 de fevereiro, será ministrada por Kátia Borges a oficina “Escrever crônicas como exercício do espanto”, em encontros online às quartas, a partir das 7 da noite. Haverá leitura de textos de Clarice Lispector, Fernando Sabino, Conceição Evaristo, Cidinha da Silva, Antonio Prata, José Falero e outros, e exercícios de escrita em cada aula. Mais informações no site www.escrevedeira.com.br.
Laranja Original
Abre na próxima quinta, 15, a chamada de originais para autoras e autores residentes no estado de São Paulo, em poesia, crônica, conto, novela ou romance, da editora Laranja Original. Os originais serão recebidos para análise até 28 de fevereiro. Mais detalhes no Instagram @laranjaoriginal.
Literatura é comunhão
Em “Tanto oceano, tanta solidão – Ficção brasileira e vida social”, Cristhiano Aguiar escreve que “a literatura nasce de uma piedade e solidão humanas, nasce da humanidade consciente do seu abandono existencial – narrar, ou cantar versos, é estender o braço para a nossa comunhão solitária enquanto espécie”. A obra é uma publicação do selo Abeto, da Aboio. Saiba mais sobre o livro em www.aboio.com.br.
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