Intervenção no petróleo

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Intervenção no petróleo



Forte repercussão mundial do pronunciamento de Trump após a captura de Maduro pode ter feito a Casa Branca desistir de governar o país

Por

JC


Publicado em 05/01/2026 às 0:00

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Um dia depois do discurso em que, ainda sob a euforia da operação de captura do ditador Nicolás Maduro, garantiu que os Estados Unidos iriam “administrar” a Venezuela e cuidar dos negócios do petróleo extraído no país, o presidente Donald Trump foi desmentido pelo seu secretário de Estado, Marco Rubio: segundo o secretário, não haverá governo norte-americano em Caracas. O tom de ameaça à nova presidente, Delcy Rodriguez, vice de Maduro, substituiu a arrogância da tomada de poder. Mas de toda a infâmia imperialista anunciada por Trump, resta a certeza de continuidade do bloqueio aos navios petroleiros, e a intenção de lucrar com a economia petrolífera venezuelana.
Diferente de outras ocasiões de ataques a ditadores, em que o interesse econômico foi embutido em motivações de libertação democratizante, a violenta troca de comando no regime visa exclusiva e explicitamente tirar o máximo proveito das reservas de petróleo. A restauração da democracia não constou do pronunciamento de Trump, no sábado, nem parece fazer parte dos planos dos EUA em relação à Venezuela. Se é que esses planos existem e seguem alguma lógica, além de seguirem as diretrizes de reprisar a doutrina Monroe, de mais de 200 anos atrás, invertendo sua lógica de proteção das Américas contra investidas europeias de colonização, na direção da hipetrofia do poder estadunidense e sua ingerência na América Latina e no Caribe.
Sem saber o que está acontecendo nem em quem confiar com a abdução de Maduro, a população venezuelana corre aos supermercados para estocar água, comida e produtos de higiene. Mesmo a súbita alegria de um povo que se vê livre de um tirano, passou a segundo plano, logo que a percepção de que pouco vai mudar, num eventual governo de Delcy Rodriguez, reconhecida pelos militares e por parte da comunidade internacional como sucessora de Maduro – inclusive pela Casa Branca. O sinal é claro: a oposição que venceu as últimas eleições presidenciais, fraudadas por Maduro, não terão vez tão cedo, a não ser que a vontade supremacista de Trump para o controle do petróleo não seja respeitada por Rodriguez e pelo regime, que pode prosseguir igual, ou pior, em termos repressivos, com ou sem a chancela norte-americana.
Esquecendo-se rapidamente do que havia falado sobre quem mandaria no país, Donald Trump avisou publicamente a Rodriguez que ela “pagará caro se não fizer o que é certo, provavelmente maior que Nicolás Maduro”. A ameaça revela a crença de que a Venezuela está ao seu dispor, mas Trump não aparenta ter um plano definido para o que anunciou antes. As fortes reações internacionais, especialmente da China, e dentro de seu país, talvez tenham demovido, por ora, suas pretensões. No início do segundo ano do mandato e com eleições para o Congresso e governos estaduais pela frente, Trump não hesita em capitular diante da realidade, mais complexa do que delírios intervencionistas.



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