Enquanto ondas de calor se alastram pelo país e provocam alerta nos centros urbanos, cresce a situação de emergência em vários municípios
JC
Publicado em 02/01/2026 às 0:00
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O calor intenso nas maiores cidades do país, atingindo picos de temperatura alta que fazem até mesmo o normal do verão parecer incomum, chama a atenção de todos os brasileiros para os cuidados necessários que devem ser observados para a preservação da saúde, especialmente de crianças, idosos e pessoas já com a imunidade debilitada. Como tem sido observado nos últimos anos em todo o mundo, e também no Brasil, a intensificação dos fenômenos climáticos dá mostras de que veio para ficar, depois dos avisos dos cientistas e apesar dos esforços diplomáticos em seguidos encontros das Nações Unidas a respeito de medidas preventivas contra as mudanças climáticas em curso.
O clima quente se associa à estiagem que castiga o país, pondo em risco suprimentos estruturais de água e energia. No último dia do ano, o governo de Pernambuco decretou situação de emergência em 107 municípios, devido à falta de chuvas. O abastecimento de água é a principal preocupação. O decreto tem validade de 180 dias, e não é medida estranha na gestão estadual, sendo repetida neste e em governos anteriores para agilizar medidas de convivência com a seca. Há um ano, no início de 2025, iniciativa semelhante atingiu 117 municípios, pela mesma razão. Note-se que a emergência se transforma em rotina para a administração pública, exigindo talvez o amadurecimento de mecanismos institucionais que admitam a necessidade do enfrentamento da estiagem de modo sistemático, planejado e mais eficaz.
Na atual gestão, da governadora Raquel Lyra, foram entregues até o momento 23 sistemas simplificados de abastecimento, além da recuperação e instalação de dessalinizadores. Uma centena de cidades recebeu obras da Compesa, num investimento total da ordem de R$ 650 milhões. As ações revelam que o problema persiste à revelia do aperfeiçoamento de condições para a população lidar com a estiagem – mais um sintoma das mudanças climáticas. E não se trata de questão exclusivamente pernambucana, longe disso.
De acordo com relatório divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), entre outubro e novembro eram 19 estados com estiagem no país, em quase 70% do território nacional, ou 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Pernambuco estava entre aqueles onde a condição de seca piorou nesses meses. Somente no Acre, no Amazonas, na Bahia e no Paraná verificou-se redução da área de estiagem, no período. A ANA indicou que em oito estados, em novembro, houve incidência da seca em 100% do território – entre os quais, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo o Ceará o único nordestino nessa condição.
O desafio é maior no Nordeste, que apresentou mais de um quinto da extensão territorial em seca extrema. A convivência da população com a estiagem na região é antiga, mas a emergência, palavra utilizada há décadas, precisa ser tomada em sua gravidade, diante da continuidade e do agravamento provocados pelas mudanças climáticas.

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