Mulher de 30 anos voltava para casa quando motoqueiro de aplicativo colidiu frontalmente com carro que fez uma conversão indevida em via de Paulista
Roberta Soares
Publicado em 15/12/2025 às 13:40
| Atualizado em 15/12/2025 às 15:02
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O perigo inerente às motocicletas, cada vez mais presente nas estatísticas de mortos e feridos no trânsito brasileiro com a liberação dos aplicativos de transporte remunerado de passageiros com motos, como o Uber e o 99 Moto, fez mais uma vítima na Região Metropolitana do Recife. Uma passageira morreu violentamente após ser arremessada da garupa de uma moto por aplicativo, na noite do último sábado (13/12), na Avenida Cláudio Gueiros Leite, no bairro do Jangua, em Paulista, no Grande Recife.
Rayane Gomes Matos das Chagas, de 30 anos, voltava de uma confraternização, com destino à sua casa, no bairro de Peixinhos, em Olinda, quando sofreu o sinistro de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB). Pelas imagens do choque e relatos de testemunhas, a culpa da colisão não foi do condutor do moto app, mas foi ele e a passageira que pagaram caro pelo perigo que representa o transporte remunerado de passageiros com motos, liberado sem qualquer regra em todo o País, numa omissão generalizada do poder público – especialmente dos prefeitos.
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A colisão fatal aconteceu quando o condutor da motocicleta onde Rayane era passageira chocou-se violentamente contra um carro de passeio que circulava na avenida de mão dupla. A motocicleta trafegava no sentido Olinda e o carro seguia no sentido Maria Farinha. O motorista do automóvel tentou realizar uma conversão à esquerda, dobrou de vez, e acabou sendo atingido em cheio pela moto. O motorista ainda freou quando percebeu o que fez, mas não houve tempo de evitar a colisão.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram que o condutor do automóvel ainda para por alguns segundos com a seta ligada antes de atravessar a via. Com o impacto, tanto o condutor da moto quanto a passageira foram arremessados longe e sobre o veículo.
Rayane é lançada para o alto e o capacete solta-se da cabeça dela – não se sabe se estava afivelado. A mulher sofreu uma fratura exposta na perna e teve a pancada concentrada na cabeça, morrendo no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda foi acionado, mas não houve tempo de socorrer a vítima, que bateu primeiro no para-brisa do carro antes de cair no chão.

Dados recentes do SAMU Metropolitano do Recife revelam um cenário local alarmante: de cada 10 sinistros de trânsito atendidos pelo serviço no Grande Recife, 9 têm envolvimento de motocicletas, ou seja, 90% dos casos têm ocupantes das motos – MARIO ÂNGELO/AE
O motociclista que conduzia o veículo foi socorrido para uma unidade de saúde com uma fratura na perna. Já o motorista do carro foi conduzido à 8ª Delegacia Seccional de Paulista, onde prestou depoimento e, posteriormente, foi liberado.
Em meio à dor da perda violenta e evitável, a família de Rayane exigiu justiça. Em entrevista, a mãe da vítima, Fábia Gomes, desabafou: “A minha primeira filha, que eu amo tanto, foi levada de mim. Por isso, a justiça precisa ser feita”, afirmou numa referência ao condutor do automóvel. Rayane deixou uma filha de 13 anos. O caso está sendo investigado, segundo a Polícia Civil de Pernambuco.
A CADA 10 SINISTROS DE TRÂNSITO NO GRANDE RECIFE, 9 ENVOLVEM MOTOCICLETAS


A crise de saúde e financeira gerada pelos traumas envolvendo ocupantes de motocicletas atingiu um patamar inaceitável no Brasil. Dados recentes do SAMU Metropolitano do Recife revelam um cenário local alarmante: de cada 10 sinistros de trânsito atendidos pelo serviço no Grande Recife, 9 têm envolvimento de motocicletas, ou seja, 90% dos casos têm ocupantes das motos.
O dado oficial que impressiona se soma a um panorama nacional exposto pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) em reportagem do JC, que estima um prejuízo econômico e social gigantesco de R$ 300 bilhões por ano em decorrência dos sinistros com veículos de duas rodas. E que essa sobrecarga massiva está colapsando cerca de 70% dos hospitais brasileiros.
Segundo os dados do SAMU, os sinistros de trânsito com ocupantes de motocicletas – porque, depois do Uber e 99 Moto, os passageiros passaram a também ser vítimas – resultam em pacientes jovens, geralmente na faixa etária de 20 a 30 anos, com fraturas graves de membros inferiores e superiores, traumatismos cranianos violentíssimos e perdas oculares.
Um ponto crucial é que a grande maioria dessas vítimas das duas rodas não morre, mas fica com sequelas graves e permanentes. É um cenário comparado a um “princípio de guerra”. Neste contexto, a lesão incapacitante tira o trabalhador da força de trabalho e engrossa as filas do INSS, gerando um prejuízo complexo aos cofres públicos.
EXPLOSÃO DA FROTA DE MOTOCICLETAS

Condutores e passageiros das motos, principalmente do Uber e 99 Moto, usam o veículo de forma inadequada e imprudente, como quando transportam sacolas além do correto – JAILTON JR./JC IMAGEM
Outro destaque é o volume de motocicletas nas ruas, especialmente impulsionado pelo investimento das empresas de transporte por aplicativo – como Uber e 99 Moto, fenômeno que começou após a pandemia de Covid 19. A realidade deste trânsito caótico é que as ambulâncias do SAMU estão sendo ocupadas boa parte do tempo atendendo a esses casos. Em Pernambuco, por exemplo, a frota de motos ultrapassou a de carros pela primeira vez.
VÍTIMAS DAS MOTOCICLETAS ESTÃO COLAPSANDO OS HOSPITAIS DO PAÍS
A pesquisa da SBOT, que mapeou 138 hospitais em todas as regiões, expôs que a sobrecarga provocada pelas vítimas das motos é generalizada. Em média, os hospitais consultados atendem 360 casos de trauma por mês, sendo que a taxa de sinistros de trânsito com motocicletas corresponde a 66% de todos os casos analisados.
O cenário é tão crítico que a Confederação Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) chegou a afirmar que, para o Sistema Único de Saúde (SUS), nada é mais aterrorizante do que os sinistros de trânsito, principalmente os provocados por motocicletas.
A pressão sobre os leitos hospitalares é intensa. Quase 70% das unidades consultadas relataram ter atendido mais de 600 vítimas de trânsito em apenas seis meses. Esta sobrecarga compromete a capacidade dos hospitais de oferecerem outros tratamentos.
O efeito cascata gerado pelo volume de atendimentos de trauma resulta no cancelamento de cirurgias eletivas, sendo que metade (50%) desses cancelamentos ocorre devido à ocupação de vagas por vítimas de sinistros de moto.
Além de ocuparem vagas, a internação desses pacientes é prolongada:
– Por mês, cerca de 44 vítimas de sinistros de motocicletas são internadas.
– Mais de 70% desses pacientes permanecem internados por mais de sete dias após a cirurgia.
– Em média, os pacientes aguardam 7 dias pela cirurgia. Cerca de 60% dos acidentados esperam até sete dias por um procedimento cirúrgico, enquanto 31,6% chegam a esperar até 15 dias.
As vítimas são majoritariamente jovens e população economicamente ativa: 43,2% estão entre 20 e 29 anos, e 26,3% entre 15 e 19 anos. Em relação às lesões, elas não se limitam a fraturas simples, sendo de complexidade média a alta. As regiões do corpo mais atingidas são os membros inferiores (51,4% dos casos), a bacia e a coluna vertebral. As sequelas para os sobreviventes são severas e resultam em “limitações irreversíveis”.
Entre as sequelas mais frequentes destacam-se: dor crônica (82,1%), deformidades (69,5%), déficit motor/limitação funcional (67,4%) e amputações (35,8%). Como agravante, o consumo de álcool foi identificado em até 50% dos pacientes atendidos em alguns serviços. A SBOT lançou a campanha “Na moto não mate, não morra” em resposta à crise, que resultou em 13.521 mortes de motociclistas apenas em 2023.

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