Palácio tomou um susto quando João Campos conseguiu tirar do PSD a prefeita de Jupi. Um assessor da governadora comentou: “não vamos deixar por menos”
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Com dificuldades na Região Metropolitana e na Assembleia Legislativa, onde só formou maioria no segundo semestre deste ano, a governadora Raquel Lyra marcou a fase inicial de suas movimentações políticas atrelando-se a um grande partido, o PSD, e aliando-se aos prefeitos, sobretudo do interior, ao ponto de convencer 71 deles a se filiar à sua legenda, hoje a mais forte do estado.
Podia ter ido além disso, mas se conteve em respeito, segundo informou aos partidos que a apoiam. Nas contas dos seus aliados, ela tem hoje o apoio de cerca de mais de 120 dos 185 prefeitos pernambucanos. Esta lista tende a crescer. Nos próximos dias, a prefeita de Ribeirão, Ana Carolina Jordão, do PSB, partido do prefeito João Campos, vai se filiar ao PSD e em seguida virão mais três prefeitos da Região Metropolitana, um deles seria Mano Medeiros, de Jaboatão dos Guararapes, cuja esposa, Andrea Medeiros, já se filiou e vai disputar mandato de deputada estadual pelo PSD.
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Susto e revanche
Esta semana, o Palácio tomou um susto quando o prefeito João Campos conseguiu tirar do PSD de Raquel a prefeita de Jupi, no agreste, Rivandra Freire, que anunciou filiação do PSB. Apesar de Jupi ser um município pequeno, um assessor direto da governadora comentou com este blog “não vamos deixar por menos. Eles tiraram uma prefeita e nós vamos tirar outra, só que de município bem maior”. Na verdade, Jupi tem 16 mil habitantes e Ribeirão, 34 mil. O gesto de João Campos, que usou seu Instagram para anunciar o apoio da prefeita de Jupi com uma grande foto, passou a ser analisado na Assembleia Legislativa como um sintoma de que o prefeito mudou de posição.
Em 19 de novembro, em entrevista à Rádio Folha, indagado sobre o grande número de prefeitos que apoiam a governadora, ele afirmara ser importante apoio de prefeitos, disse que o quadro vai mudar com o tempo de campanha, mas acrescentou que eles são “zero definidor” no resultado eleitoral. O que teria levado João Campos, um exímio frequentador de redes sociais e adepto do Tik Tok, a tão rapidamente se convencer de que os prefeitos são importantes em uma campanha eleitoral?
Exemplos históricos
Na verdade, a história política de Pernambuco ficou marcada por dois episódios que alertaram sobre apoio de prefeitos: o primeiro foi em 1988, quando Arraes, avô de João Campos e candidato à reeleição, exibia o apoio de 140 prefeitos e acabou sendo derrotado por Jarbas Vasconcelos por uma diferença de 1 milhão de votos.
Outra foi em 2006, quando Jarbas estava encerrando seu segundo mandato e lançou Mendonça Filho, seu vice, como candidato ao Governo. Mendonça conseguiu o apoio de muitos prefeitos, mas quando a eleição foi para o segundo turno e se procurou os mesmos para ouvi-lo falar no comitê central, a maioria já tinha saído e — soube-se depois — foi direto para o comitê de Eduardo Campos para apoiá-lo.
Ligação direta
Antonio Moraes, um dos deputados estaduais mais entendidos de prefeitos, já está no nono mandato, acha que Raquel trabalhou diferente de Arraes e Jarbas e isso lhe dá mais segurança de que os apoios atuais não vão retroceder. “Ela criou uma linha direta com os prefeitos bem diferente do que acontecia nas outras eleições onde eles eram contados pelos números frios do Palácio. Raquel usa a linguagem deles porque já foi prefeita, é uma municipalista e chega perto de todos, mesmo daqueles que não a apoiam. É uma relação política mas também de amizade.” O senador Fernando Dueire corrobora com a análise de Moraes: “já vi Raquel atender prefeitos em seu telefone particular. Nunca tinha visto isso.”
A cientista política Priscila Lapa, que acompanha de perto a política pernambucana, diz que, embora elementos novos de comunicação política como as redes sociais tenham mudado mais recentemente a forma de fazer campanhas políticas, os elementos tradicionais não podem ser esquecidos sobretudo em se tratando de eleição estadual e federal como acontecerá em 2026. Nesse sentido, ela entende que o apoio de prefeitos e partidos políticos “é fundamental para formação de palanques competitivos. Um prefeito bem avaliado tem bastante importância na definição do voto, sobretudo se ele pode mostrar obras que estão sendo feitas em benefício da população”.
Fase diferente
“O apoio dos prefeitos-continua- pode ter perdido centralização, mas o voto de estrutura permanece e ele é representado exatamente por eles que empregam as pessoas, ofertam cargos e garantem obras. Agora se você tem estrutura mas tem um candidato ruim a estrutura por si só não vai segurar o voto”. No seu entender, não é isso que está acontecendo em Pernambuco. “Se a eleição fosse de ruptura seria mais importante para quem estivesse bem nas redes sociais mas não é isso que está acontecendo”. Segundo ela, além da máquina que a favorece “a governadora vai mostrar que fez mudanças importantes no estado e tentar convencer o eleitor de que isso deve continuar no sentido de garantir sua reeleição”.
Por outro lado, entende que João Campos “tem muito carisma e capacidade de gestão mas vai precisar também de um palanque sólido com partidos, deputados e prefeitos e de encontrar algum ou alguns aspectos que não tenham correspondido às expectativas na administração da governadora para reverberar um discurso de mudança”. No entanto, conclui: “até para isso ele vai precisar de pessoas que façam ecoar suas ideias em todos os municípios. As redes sociais não vão ser suficientes”.

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