Em inspeção, no mês passado, MPPE recebeu queixas de falhas na segurança dos armamentos em Olinda. Delegado-geral diz que medidas estão sendo adotadas
Raphael Guerra
Publicado em 19/11/2025 às 9:11
| Atualizado em 19/11/2025 às 10:06
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O novo chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro, afirmou que novas medidas estão sendo adotadas para garantir a segurança das armas de fogo e munições apreendidas. O anúncio do reforço vem após inspeção realizada pelo Ministério Publico de Pernambuco (MPPE) no Complexo de Operações da Polícia Civil, no bairro de Ouro Preto, em Olinda, receber denúncias de policiais sobre as falhas na custódia desses materiais.
O caso foi revelado pela coluna Segurança no mês passado. Os policiais contaram que há um excesso de armas de fogo e munições apreendidas e que elas ficam guardadas em contêineres com apenas cadeados, sem vigilância 24 horas, numa área de mata. A responsabilidade da guarda é do Comando de Operações Especiais (Core), cuja sede também fica no Complexo onde houve a vistoria do MPPE.
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“Tenho conhecimento da inspeção do Ministério Público. O diretor do Core entrou em contato com a gente, está tomando as providências para que a gente faça esse acondicionamento da melhor forma possível. Já existe uma portaria que regulamenta como é que é feito esse armazenamento”, disse o delegado-geral.
“Na verdade, existe uma questão que a Polícia Civil muitas vezes termina tendo que guardar esse armamento quando, na verdade, nem é sua função institucional fazer esse tipo de guarda depois que o inquérito é remetido. E a gente está vendo com responsabilidade, com todos os órgãos que fazem a segurança, a melhor maneira de acondicionar essas armas, fazer um local que efetivamente serão guardadas”, completou.
Mais de 4,5 mil armas foram apreendidas pelas polícias Civil e Militar no Estado somente entre janeiro e setembro deste ano. As possíveis falhas na custódia dela estão sendo apuradas pelo Centro de Apoio Operacional (CAO) de Defesa Social e Controle Externo da Atividade Policial do MPPE.
Monteiro afirmou que já houve reforço na segurança das armas de fogo apreendidas após a descoberta de que 1,1 mil haviam sido furtadas da antiga sede do Core, no bairro de São José, na área central do Recife, em 2021. A investigação indicou que houve participação de policiais civis no esquema e que as armas e munições foram repassadas para grupos criminosos.
“A gente tem um trabalho muito grande depois daquele episódio para tentar melhorar esse procedimento desse acondicionamento das armas. E se ainda não está no nível que a gente considera ideal, a gente vai fazer o possível para que atenda às exigências e aos requisitos e a gente chegue no que efetivamente é o ideal”, declarou Felipe.

Vídeo gravado por policial civil mostrou espaço precário onde armas estavam guardadas em 2022 – CORTESIA
Em maio de 2022, a coluna revelou um vídeo gravado por um policial civil do Core, já na atual sede de Olinda, mostrando que as armas de fogo apreendidas estavam sendo guardadas em um contêiner improvisado e precário, com prateleiras prestes a cair.
“Essa prateleira todinha está caindo. O que está segurando é a porta. Tá muito arriscado. Tá caindo mesmo”, disse o policial, em vídeo repassado às autoridades policiais na época.
O policial citou, por exemplo, que “os armamentos são pesados e a capacidade de suporte de algumas das estruturas feitas em madeira é baixa”. E que “estas estruturas não passam por manutenção”.
Na época, a Polícia Civil argumentou que, durante o transporte de um espaço para outro, houve dano em um contêiner, mas que a situação havia sido resolvida.
Policiais civis ouvidos em reserva pela coluna, no mês passado, reclamaram da demora da Justiça para determinar a destruição de armas de fogo apreendidas. Eles contaram que, em depósito, há materiais com mais de dez anos aguardando a decisão judicial.
FURTO DE ARMAS SEM PUNIÇÃO
O sumiço das armas de fogo e munições da antiga sede do Core foi descoberto por um comissário da Polícia Civil, responsável pela manutenção e conserto delas, em 5 de janeiro de 2021, após ele voltar de férias. Na ocasião, um inquérito foi instaurado e uma auditoria foi realizada pra identificar o número exato do desvio.
A perícia não encontrou sinais de arrombamento no depósito onde os materiais estavam guardados. Mas não havia câmeras na área interna. Havia apenas uma do lado de fora, apontada para a porta de entrada, mas sem funcionar 24 horas por dia.
Interceptações telefônicas apontaram que armas desviadas foram comercializadas para facções criminosas por valores entre R$ 6,3 mil a 6,5 mil, cada uma. Já as submetralhadoras custavam R$ 22 mil.
A investigação identificou 20 acusados, incluindo cinco policiais civis que eram lotados na unidade especializada. Na época, todos foram presos. Em novembro de 2022, a Justiça concedeu a liberdade provisória para os policiais. Um deles faleceu menos de um mês após ser preso, em 2021.
Os réus respondem por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Até hoje, a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) não concluiu o processo administrativo disciplinar em desfavor dos policiais. A Justiça também não publicou a sentença.


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