Filho de Surubim, nascido em 28 de outubro de 1904, há muito radicado na capital pernambucana, tornou-se, por assim dizer, um recifense de coração
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São muitos os Recifes que se reúnem em um só Recife -cada qual tem o seu. Para uns, é a terra do frevo e do maracatu; para outros, uma cidade aquática – dos rios, das pontes e dos mares -, a exemplo de Boa Viagem, a mais bela praia do Brasil. Reconhecidamente, Recife é também a capital brasileira da poesia.
Entre tantos valores da inteligência pernambucana, salta aos olhos, neste clima de comemoração pelos 121 anos de seu nascimento, um brasileiro ilustre de Pernambuco.
Filho de Surubim, nascido em 28 de outubro de 1904, há muito radicado na capital pernambucana, tornou-se, por assim dizer, um recifense de coração — à semelhança de Joaquim Nabuco, outro cativo deste Recife mágico, capaz de encantar, por suas belezas paisagísticas e histórico-culturais, tanto os seus filhos quanto aqueles que a visitam como turistas.
Refiro-me ao músico, pianista e saxofonista, compositor dos mais ecléticos, conhecido — e reconhecido — como a maior referência do frevo: essa música e dança, esse passo tão genuinamente pernambucanos, ainda não de todo celebrados, como merecem, em nosso meio provinciano.
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Não é preciso dizer que me reporto a Lourenço da Fonseca Barbosa, cujo nome, por si só – como no poema de Ascenso Ferreira -, faz lembrar: Capiba.
Em nossa terra, Capiba sempre foi uma agradável unanimidade – com certeza, um homem singularmente plural.
Múltiplo, como compositor de música popular e erudita; autor de canções enternecedoras, pintor e memorialista, deixou o Livro das Ocorrências, em que recorda, para gáudio de seus leitores, toda a sua vida de homem puro e bom: daqueles que têm a humildade dos sábios e, por vezes, a ingenuidade dos privilegiados de inteligência — para não o chamar de gênio, dos maiores e melhores da nossa arte musical.
“Capiba é a cara do Recife.”
Capiba é também sinônimo de Carnaval — esse nosso folguedo por excelência, que tanto toca o coração da gente recifense e é capaz de eletrizar todos os que entram no “cordão”, no vuco-vuco do frevo.
Quem não se lembra da foto-símbolo do nosso Carnaval — Capiba sobre a frevioca, de braços abertos, saudando os foliões?
Esse retrato, pertencente ao acervo da Fundação de Cultura Cidade do Recife, bem que poderia se transformar em um cartão-postal e também em um pôster de apelo turístico, mostrando ao mundo o quanto Capiba é, recifensemente, nosso; brasileiramente, pernambucano.
Mas Capiba não é só frevo. É expressão viva da alegria.
Recife grato, Recife justo. O povo, mesmo quando em silêncio, reverencia os 121 anos desse seu filho adotivo — tão nosso quanto o mais bem-nascido entre nós.
É um acontecimento deveras significativo, pois encerra a verdadeira expressão do desejo e da vontade de toda a gente recifense, que nunca se bastou de Capiba — cada vez mais vivo em nossos corações.
É o Recife luzindo a sua face de ternura e de gratidão.
Capiba estampava traços fortes da nossa inteligência, do ideário da paz, da harmonia e da liberdade — e, sobretudo, da recifensidade: esse estado de espírito tão bem definido pelo mestre Gilberto Freyre, outro grande do rico acervo cultural desta cidade maurícia.
O mundo cultural pernambucano recebeu do Governo do Estado a casa onde Capiba residiu por muitos anos, desapropriada em 2017, mas agora restaurada através da Fundarpe, em cujo espaço vai funcionar uma extensão do Conservatório Pernambucano de Música (CPM), nele preservado o piano que foi instrumento do nosso compositor.
Capiba atravessou todo o século XX, deixando marcas indeléveis na cultura brasileira. Despediu-se em 31 de dezembro de 1997, aos 93 anos, com o olhar sereno de quem soube viver a vida como se fosse uma canção.
Hoje, quando o carnaval renasce a cada fevereiro, é impossível não escutar, entre os clarins e tambores, a sua voz invisível comandando a festa. Sua presença continua ali — nos passos apressados dos foliões, nos arranjos das orquestras, no brilho das ruas do chão carnavalesco, nos polos de todo o nosso Estado.
Viva a folia! Viva Capiba!
Mais do que compositor, Capiba foi um transmissor de afetos. Conseguia – e ainda o faz! – converter em som aquilo que toca ao povo e muitas vezes não sabe dizer: a alegria que se mistura à saudade, a esperança resiliente, o orgulho de pertença à terra-berço. Sua música é, portanto, uma forma de identidade, um espelho onde Pernambuco se reconhece.
Capiba renasce, a cada explosão de um frevo. Renasce no riso das crianças, na saudade dos antigos, na lembrança de quem dança sem pensar. Mais do que partituras, ele, como poucos, leu que a música — quando espontânea — não termina. Apenas se transforma em vento, em rua, em sonho.
Capiba, na alquimia do seu talento, permanece, como um acorde suspenso no ar do Recife, unindo o passado, o presente e o futuro num mesmo compasso: o compasso da vida.
Roberto Pereira é membro efetivo e benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana, da Academia de Artes e Letras de Goiana, da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e da Academia Pernambucana de Letras.
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