Enquanto o número oficial de vítimas da megaoperação no Alemão e na Penha é atualizado, moradores que resgataram corpos relatam cenário de “terror”
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*Com agências
A megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, teve seu balanço oficial de mortos atualizado para 121 pessoas, segundo as últimas informações desta quarta-feira (29), consolidando-a como a mais letal da história do estado.
Enquanto o governo estadual sustenta que as mortes ocorreram em confronto, moradores e líderes comunitários que subiram a mata para resgatar vítimas trazem denúncias chocantes que contradizem a versão oficial, alegando execuções sumárias, tortura e obstrução de socorro.
A ação, que mobilizou 2,5 mil policiais contra o Comando Vermelho (CV) na terça-feira, resultou na morte de quatro policiais e 117 suspeitos. A facção reagiu usando drones para lançar bombas, e a cidade viveu um dia de caos, com 87 escolas fechadas e o acionamento do Estágio 2 de risco pela prefeitura.
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Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, falou sobre o resultado da ação: “Eu não posso deixar de ressaltar que a operação de ontem foi o maior baque que o Comando Vermelho, em toda sua história, já tomou, desde a sua fundação, lá no final da década de 70.”
“Quatro policiais morreram. Então, as vítimas dessa operação de ontem são os quatro inocentes que foram feridos sem gravidade e os nossos quatro policiais que infelizmente faleceram”, complementou Curi, que rebateu ainda as críticas que têm sido feitas à operação.
“Quero falar também para quem rotulou ou tentou rotular essa operação de chacina, maldosamente: chacina é a morte indiscriminada, ilegal, de várias pessoas ao mesmo tempo, de maneira aleatória. O que nós fizemos ontem foi uma ação legítima do Estado para cumprimento de ordens judiciais”, completou.
‘Mãos decepadas e decapitados’: as denúncias das testemunhas
O epicentro das denúncias é uma área de mata na Vila Cruzeiro, onde, segundo relatos, ocorreu o confronto mais violento. Moradores que subiram ao local durante a madrugada para tentar socorrer feridos descreveram um cenário de “terror” e acusam a polícia de ter impedido o resgate.
“A gente ouviu os gritos e pedidos de socorro e subiu para ajudar. […] A polícia ainda estava no local e tentou impedir”, contou um morador de 25 anos, que preferiu não se identificar. “Eles não paravam de dar tiro, tacar bomba de gás […] e, em muitos momentos, a gente teve que se proteger. Eles dando tiro, a gente se escondendo no meio dos corpos para prosseguir”, relatou à Agência Brasil.
A testemunha, que esteve no Instituto Médico-Legal (IML) para tentar liberar o corpo de um primo, revelou que o cenário na mata era desolador e continha indícios de tortura.
“A gente encontrou muitos mortos sem camisa, fuzilados, com mãos e dedos decepados e também decapitados. Eu vi bem uma cabeça que estava entre os galhos de uma árvore e o corpo jogado no chão”, disse.
A denúncia mais grave é a de que suspeitos foram executados após já terem se rendido. A testemunha afirma ter tido acesso a áudios e vídeos das vítimas antes da execução. “Vocês viram os vídeos dos meninos saindo do bunker, ontem, se entregando? Teve gente que pediu perdão, se ajoelhou, jogou os fuzis, mas foi morta.”
Erivelton Vidal Correa, presidente da associação comunitária local, confirmou os relatos e o esforço dos moradores para o resgate, que, segundo ele, foi dificultado.
“Retiramos um total de 80 corpos da área conhecida como Mata da Pedreira, com o nosso sistema, nossa mão de obra. Pedimos aos moradores que trouxessem lençóis, toalha para ajudar com as remoções”, contou.

Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, protestam após a retirada de ao menos 60 corpos em uma área de mata na Serra da Misericórdia – FABRICIO SOUSA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Moradores protestam no Palácio Guanabara
Um dia após a megaoperação, moradores dos Complexos do Alemão e da Penha realizaram um protesto, nesta quarta-feira (29), em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro. O grupo acusou o governador Cláudio Castro de ter liderado “uma carnificina”.
Os manifestantes exibiam cartazes com frases como “estado genocida”, “150 mortes por uma guerra política” e “Castro assassino”, além de bandeiras do Brasil manchadas de tinta vermelha.
Ativistas e moradores presentes no ato ligaram a operação a uma estratégia política. “O que aconteceu dentro da comunidade foi um genocídio. Toda véspera de eleição, tem uma estratégia de entrar nas nossas comunidades, matar o nosso povo e causar o terror”, disse Rute Sales, moradora da região e ativista negra, à Agência Brasil.
“Os corpos estão sendo usados politicamente. E os corpos que tombam são os nossos, do povo preto e do povo pobre. Não aguentamos mais”, complementou.

Corpos de mortos da megaoperacao de ontem dia 28, em rua na penha, zona norte do Rio de Janeiro – Pedro Kirilos/Estadão
Imagens da ação podem ter se perdido
Durante a coletiva de imprensa, que apresentou o balanço da operação, foram apresentadas imagens da ação. Segundo as forças de segurança, a operação foi planejada e foram cumpridas todas as normas legais, como o uso de câmeras corporais.
Mas, ainda segundo as autoridades, parte das ações pode não ter sido registrada, porque, devido à duração da operação, as câmeras podem ter ficado sem bateria.


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