Discurso da pacificação infantiliza as relações políticas e conflitos normais que estão presentes naturalmente nas dinâmicas legislativa e eleitoral
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Quase que diariamente, a expressão pacificação é verbalizada por atores políticos diversos e experientes. A ideia é que o Brasil precisa de pacificação para que ele anda para frente e no âmbito do Congresso Nacional pautas importantes venham a ser aprovadas. O maior pecado da classe política é a inocência.
O discurso da pacificação infantiliza as relações políticas e os conflitos normais que estão presentes naturalmente nas dinâmicas legislativa e eleitoral. Se olharmos atentamente para as eleições brasileiras a partir de 1994, constataremos que PT e PSDB travaram intensa disputa eleitoral no âmbito das narrativas. Entre 1994 a 2002, o PT foi sujeito ativo na realização da oposição ao governo de FHC. Existia claramente polarização entre ambos os partidos. Nesta época, em razão da ação ativa do PT no Congresso Nacional e nas ruas, alguém que hoje fala em pacificação, poderia, também, mencioná-la.
Considerando os resultados eleitorais das eleições ocorridas de 1994 a 2010, afirmo que a polarização era fraca. FHC (PSDB) venceu a eleição no 1° turno com 54,28% dos votos. Lula (PT) obteve 27,4%. Em 1998, FHC conquistou 53,06% dos votos no turno inicial; e Lula 31,71%. Na eleição de 2002, Lula alcança a presidência da República no 2° turno com 61,27% dos votos; e José Serra (PSDB) conquista, 38,72%. Já em 2006, o candidato do PT vence no 2° turno com 60,83% e Geraldo Alckmin (PSDB) obtém 39,17%.
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Após as eras FHC e Lula, a disputa polarizada entre PT e PSDB segue. Dilma Rousseff (PT) é eleita em 2010 no 2° turno com 56,05%; e José Serra (PSDB) conquista 43,95% dos votos. Em 2014, a polarização ganha intensidade: Dilma é reeleita no turno final com 51,64% e Aécio Neves (PSDB) obtém 48,36%.
Na eleição de 2018, Jair Bolsonaro (PSL) quebra a polarização entre PT e PSDB e é eleito no 2° turno com 55,13% dos votos. Fernando Haddad conquista 44,87%. Nesta eleição, sempre olhando o porcentual de votos dos competidores, a polarização sofre razoável enfraquecimento. Em 2022, observamos a intensificação da polarização: Lula (PT) é eleito presidente da República no 2° turno com 50,90% dos votos e Jair Bolsonaro conquista 49,10%. Em todas as eleições apresentadas, o PT estava presente como sujeito provocador dos conflitos políticos e da polarização. Os outros atores foram sujeitos sempre dispostos a se contraporem à narrativa do petismo e do lulismo.
O que significa, portanto, o discurso da pacificação? O significado mais evidente é a justificativa para que a anistia ou a dosimetria seja aprovada no Congresso Nacional. Todavia, o que não está evidente, mais é real, foi a busca inicial, através da anistia, de condições adequadas para que a oposição derrote o PT em 2026.
A anistia não será aprovada. A dosimetria poderá vir a ser. Se isto acontecer, o discurso infantil da pacificação ficará evidente, pois projetos apresentados pelo atual governo continuarão a gerar forte discursões e aceleradas negociações entre partidos do centrão e presidência da República. Assim como, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, seguirá fazendo intensa oposição ao PT. Portanto, a pacificação nunca chegará. Ela é apenas uma narrativa ingênua e sem a mínima aplicabilidade já que política é feita de conflitos e busca incessante por ocupação de espaços de poder.
Adriano Oliveira é cientista político, professor da UFPE, fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa Qualitativa & Estratégia


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