“Se as cidades não agirem juntas, resolvemos o problema de uma praia e criamos em outra”, alerta secretário Daniel Coelho sobre avanço do mar
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O Governo de Pernambuco confirmou que tem um estudo em andamento para conter o avanço do mar.
Durante entrevista ao programa Passando a Limpo, na Rádio Jornal, o secretário estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (Semas), Daniel Coelho, explicou que a pesquisa contempla quatro municípios da Região Metropolitana do Recife: Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Itamaracá e Olinda. Segundo ele, o objetivo é propor soluções estruturais para os trechos mais críticos do litoral pernambucano.
“Temos um estudo encomendado pela governadora que contempla inicialmente quatro municípios da Região Metropolitana. A ideia é que avancemos com obras emergenciais já no início do próximo ano”, afirmou.
Secretário comenta falta de integração

Em entrevista à Rádio Jornal, Daniel Coelho falou sobre projeto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha – Tião Siqueira/JC Imagem
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Daniel Coelho destacou que, embora o Recife também enfrente sérios problemas de erosão costeira, a capital optou por realizar um estudo independente, o que, segundo ele, fragmenta a articulação metropolitana.
“A cidade do Recife está fazendo um estudo próprio, foi uma decisão da Prefeitura. Mas esse é um assunto metropolitano e, se as cidades não fizerem em conjunto as ações, corremos o risco de resolver o problema de uma praia e o mesmo aparecer em outra”, pontuou.
O secretário destacou que o Estado tem mantido diálogo com os demais prefeitos. “Acho que há um diálogo muito forte com todos os prefeitos da região. Não quero entrar na questão política, mas é importante que essas informações sejam compartilhadas e que os estudos se casem”, contou.
Falta de manutenção agrava danos na orla
Ao comentar os impactos da erosão, Coelho afirmou que parte do problema se agravou pela falta de manutenção das obras já executadas em anos anteriores. Ele citou o caso de Jaboatão como exemplo.
“Infelizmente, não tivemos a manutenção adequada ao longo do tempo. Essas não são obras definitivas, qualquer contenção do mar requer investimento periódico. Em Jaboatão, houve um trecho que assoreou, e o material terminou se acumulando em outro local. É preciso acompanhar continuamente para evitar novos danos”, explicou.
Obras emergenciais em Jaboatão devem começar
O secretário confirmou que o governo estadual e a Prefeitura de Jaboatão estão elaborando um plano emergencial para iniciar intervenções já no começo de 2025.
“Demos um prazo de quinze dias para que as equipes apresentem uma solução e um projeto executivo, para que a governadora possa trabalhar na captação de recursos”, disse.
Ele reforçou que o município foi o primeiro a iniciar o processo por estar entre os mais afetados. “Há trechos da Praia de Candeias praticamente intransitáveis e colocando em risco construções. Precisamos agir rapidamente”.
Engorda da praia de Jaboatão
A engorda da praia de Jaboatão dos Guararapes, implantada há mais de uma década, foi um dos projetos de destaque na tentativa de conter o mar. A geóloga Núbia Chaves, da UFPE, responsável técnica pelo projeto, na época lembra que as construções avançaram sobre áreas de areia e que, em 2010, um pulso erosivo atingiu o município.

Jaboatão recebeu obras de engorda há mais de uma década – Artur Borba/JC
Ela explicou que “o ciclo natural do oceano depende do vento, do deságue das águas e das formações de ilhas”. No Plano de Gestão Integrada da Orla, a equipe técnica reforça que, com o aumento do nível dos oceanos, a tendência é de intensificação da erosão, exigindo faixas de segurança sem edificações.
Paulista enfrenta avanço do mar
No município de Paulista, a situação também é crítica e banhistas e comerciantes convivem com trechos da orla destruídos e falta de infraestrutura básica. Apesar de projetos do setor turístico prometerem requalificação, a população ainda enfrenta precariedade e falta de manutenção.

Falta de intervenções e avanço do mar descortinam cenário de destruição na praia – ARTUR BORBA/JC IMAGEM
Em Maria Farinha e no Janga, o mar já destruiu partes do calçadão.
“Com os avanços das casas, daqui a uns dias estão tirando o espaço da gente para pescar e tomar banho. Cada vez estão aumentando mais as construções na beira da praia e a gente vai perdendo os espaços”, lamentou o pescador José Henrique da Silva.
Investimentos e projetos
Daniel Coelho também destacou a situação de Itamaracá, que voltou a atrair investimentos após o fechamento do presídio Barreto Campelo. “Itamaracá voltou para a rota depois da desativação do Barreto Campelo. Há valorização dos terrenos e praias como a do Sossego precisam de intervenções urgentes”, declarou.
Já em Olinda, a prefeitura iniciou em 2024 um projeto de requalificação da orla com investimento superior a R$ 10 milhões, contemplando urbanismo, paisagismo e medidas de contenção. Entre as ações estão a substituição do calçadão e a colocação de pedras para conter o avanço do mar.
Requalificação e impactos ambientais
Durante a entrevista, Daniel Coelho reforçou que as mudanças climáticas são a principal causa do avanço do mar e criticou quem ainda nega o aquecimento global. “Ainda tem gente que nega o aquecimento global. A Região Metropolitana do Recife é a prova de que ele existe. Isso não é invenção”, afirmou.
Ele destacou que Pernambuco tem sido referência em reflorestamento e economia circular, com mais de 1 milhão de árvores plantadas até o fim de 2024.
Segundo o secretário, as ações de contenção são medidas de adaptação a uma realidade global, mas só terão efeito duradouro se houver compromisso internacional com a descarbonização.
“O que esperamos é que o planeta acorde para isso. Por mais que façamos nossa parte em Pernambuco, só teremos sucesso se todos tiverem consciência da necessidade de preservar o meio ambiente”, disse.
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