Quando o povo vai às ruas protestar, defender, gritar e cantar, a vida democrática se renova em mensagens que não podem ser ignoradas
JC
Publicado em 23/09/2025 às 0:00
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As multidões que voltam a ocupar as ruas, praças e praias no Brasil para expressar desejos e indignações, resgatam a essência da democracia: a possibilidade da manifestação livre do pensamento e de incontidas inquietações. Chega a ser bonito de ver, milhares de pessoas entoando coros e canções, elevando suas vozes para serem escutadas. E agora, num contraditório sinal dos tempos, também empunhando câmeras para postar testemunhos da realidade nas redes que envolvem o país e o mundo numa mesma gigantesca teia de comunicação, testemunhos compartilhados como se todos estivessem num único lugar e instante.
A face que não é bela confunde a liberdade com a inexistência de fronteiras éticas, aproveitando o movimento legítimo e necessário de renovação do processo democrático para tentar legitimar a violência e o ódio que, longe de reafirmar, negam o princípio de convivência da democracia. É óbvio que a mobilização de pessoas se dá mais pela oposição a um estado de coisas, e as manifestações corroboram o sentimento de inadequação dos manifestantes a determinada situação – ou indeterminada pela pluralidade de reivindicações, como já vimos no Brasil. Mas o uso da liberdade democrática para afrontar a democracia é característico antecedente da supressão da liberdade, prenunciando a justificativa da força excludente das diferenças no exercício totalitário do poder.
O atual momento da política brasileira, que não difere tanto do que se observa em outros países, apresenta a polarização como uma mostra de radicalismos que se opõem e se atraem – percepção reforçada quando representantes dos dois polos se unem em votações antidemocráticas no Congresso, por exemplo. No duelo retórico entre os que defendem e os que são contra uma anistia para condenados por golpismo, ou entre o que se nomeia simplificadamente de esquerda e direita no país, as manifestações que têm lavado o povo às ruas em concentrações nada desprezíveis retratam a pujança de nosso sistema democrático.
Em qualquer caso, as mensagens transmitidas pelos manifestantes, através de gritos ou cartazes, políticos discursando ou artistas cantando, não devem ser ignoradas pelos Três Poderes da República. O que demandam e reclamam os cidadãos nas ruas diz respeito a problemas relacionados ao Legislativo, ao Executivo e ao Judiciário. A pressão não é apenas sobre os deputados que aprovam uma emenda de impunidade, contra decisões do Supremo Tribunal Federal ou escândalos envolvendo integrantes do governo federal. O sistema democrático é afinado pela participação popular que vai além da escolha do voto a cada quatro anos.
A esperança das manifestações é a esperança na democracia: com todas as falhas e necessidades de melhoria, o melhor ambiente político é aquele que permite o antagonismo e a correção de rumos.


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