Nesse cenário, China, Índia, Brasil e Rússia, articulados no âmbito do BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), reivindicam espaço
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O ano de 2025 consolida um processo histórico de reconfiguração da ordem internacional. A arquitetura geopolítica e econômica que emergiu de Bretton Woods, estruturada sob a hegemonia dos Estados Unidos, passa a conviver com a ascensão de novos polos de poder, liderados pelo Sul Global. Nesse cenário, China, Índia, Brasil e Rússia, articulados principalmente no âmbito do BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), reivindicam um espaço de protagonismo que transcende a mera condição de economias emergentes e se aproxima da formulação de alternativas institucionais ao modelo dominante.
O movimento tornou-se evidente no encontro da SCO realizado em Tianjin, no início de setembro, quando o presidente Xi Jinping assumiu publicamente a responsabilidade de liderar um processo de contestação ao hegemonismo e de promoção de um novo multilateralismo. “Devemos continuar a nos posicionar de forma clara contra o hegemonismo e a política de poder, e praticar o verdadeiro multilateralismo”, afirmou, destacando ainda que “a governança global chegou a uma nova encruzilhada”.
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A fala simboliza a intenção da China de se apresentar não apenas como potência econômica, mas como articuladora de uma ordem internacional paralela, baseada em instituições próprias, no fortalecimento de sua logística global e na consolidação de novas alianças. Em resposta, Donald Trump reagiu nas redes sociais, declarando que “parece que perdemos Índia e Rússia para a China mais profunda e mais sombria. Que tenham um futuro longo e próspero juntos!”, numa manifestação que ilustra o incômodo de Trump diante da crescente influência chinesa.
Os dados recentes do Fundo Monetário Internacional reforçam a materialidade desse processo. O World Economic posiciona os Estados Unidos como a maior economia do planeta, com cerca de US$ 30,5 trilhões de PIB, seguidos pela China, com US$ 19,2 trilhões. A Índia aparece em quarto lugar, ultrapassando a Alemanha e aproximando-se rapidamente do Japão, evidenciando sua trajetória de crescimento acelerado. O Brasil ocupa a décima posição, com aproximadamente US$ 2,1 trilhões, e a Rússia, a 11ª, com cerca de US$ 2 trilhões. Esses indicadores sinalizam deslocamentos de poder com impacto direto sobre o comércio, os investimentos e a governança global.
As relações comerciais também evidenciam a mudança estrutural. A China já se tornou o principal parceiro de mais de cem países, superando os EUA em diversos mercados estratégicos. A expansão de suas exportações, o investimento em infraestrutura e a integração das cadeias produtivas regionais transformaram a geografia do comércio internacional. Esse avanço foi acompanhado por um desenvolvimento robusto da marinha mercante chinesa, que hoje controla parte significativa da frota global de contêineres e administra portos em pontos estratégicos, garantindo à China não apenas eficiência logística, mas também poder sobre as principais rotas marítimas do planeta.
O fortalecimento institucional do BRICS e da SCO complementa essa estratégia. Desde a ampliação do grupo em 2023, as iniciativas de criação de sistemas de pagamento alternativos, o papel crescente do Novo Banco de Desenvolvimento e os debates sobre mecanismos de desdolarização indicam a busca por instrumentos financeiros que diminuam a dependência do dólar. Embora ainda seja improvável uma substituição imediata da moeda norte-americana, a simples existência de alternativas amplia a margem de manobra dos países emergentes e reduz a exclusividade da influência exercida por Trump e seus aliados.
Nesse contexto, os EUA enfrentam uma perda relativa de centralidade. A força de sua economia e a profundidade de seus mercados financeiros garantem vantagens comparativas, mas o monopólio sobre as instituições multilaterais, os fluxos comerciais e a infraestrutura logística global já não é mais absoluto. A ordem internacional tende a se reorganizar em bases multipolares, em que o equilíbrio se dará por meio de blocos regionais, alianças flexíveis e múltiplos centros de poder.
Para o Brasil, esse novo cenário apresenta riscos e oportunidades. De um lado, os recursos estratégicos — minerais críticos, bioenergia e agronegócio — tornam o país um fornecedor essencial em tempos de transição energética global, o que amplia sua relevância econômica. A capacidade diplomática de transitar entre diferentes blocos confere ao Brasil um papel potencial de mediador em fóruns internacionais, algo que pode ser explorado para atrair investimentos e firmar acordos vantajosos. Por outro lado, a ausência de uma política industrial consistente mantém a ameaça de “periferização tecnológica”, nos restringindo à posição de exportador de commodities e dependente de importações de alto valor agregado. A fragmentação do comércio internacional e a disputa por recursos podem expor o Brasil a choques geopolíticos e reduzir seu espaço de autonomia.
Diante dessa conjuntura, acreditamos que a estratégia brasileira precisa combinar diplomacia ativa com políticas internas de fortalecimento produtivo e tecnológico. Investimentos em infraestrutura logística, acordos de transferência de tecnologia, estímulos à inovação em setores estratégicos e integração regional devem ser tratados como prioridades. A inserção soberana no novo tabuleiro global exige que o país converta sua posição de fornecedor de recursos em uma plataforma para desenvolvimento industrial e tecnológico de longo prazo.
O que se desenha em 2025 não é uma mera oscilação conjuntural, mas a emergência de uma nova ordem mundial. A multipolaridade é um fato crescente, sustentado por transformações materiais, institucionais e logísticas que desafiam a estrutura construída desde Bretton Woods. Para o Brasil, a escolha é clara: permanecer como coadjuvante no fornecimento de commodities ou assumir uma posição ativa, com estratégia nacional capaz de transformar potencial em influência e desenvolvimento.
Mas, enquanto o mundo se reorganiza, o Congresso brasileiro segue encastelado em disputas paroquiais, preocupado em proteger fundos partidários, emendas secretas e privilégios imediatos. O debate estratégico sobre inserção internacional, política industrial e logística global não ultrapassa os gabinetes técnicos do Executivo ou da academia, porque no Legislativo a prioridade é a próxima eleição e não o próximo ciclo econômico. O resultado é um vácuo de liderança que empurra o país para a irrelevância: enquanto Índia e China desenham rotas para as próximas décadas, Brasília gasta energia discutindo cargos, verbas e rearranjos miúdos. Se o Brasil quiser ocupar lugar de protagonista, terá de romper com essa cultura política que transforma o Congresso em balcão de negócios e não em espaço de formulação estratégica. Do contrário, seguiremos vendendo soja, açúcar, manga, proteína animal, minério e ilusões, enquanto o mundo redesenha as engrenagens da nova ordem.
Priscila Lapa, jornalista e doutora em Ciência Política; Sandro Prado, advogado e professor da FCAP-UPE.



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