Acordo entre EUA e União Europeia mostra como negociar em desvantagem. Se escolher caminho oposto, Brasil arrisca perder ainda mais.
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O acordo da União Europeia com os EUA dividiu opiniões entre os próprios chefes de Estado do continente. O premiê da França, por exemplo, chamou o resultado alcançado com a taxa de 15% de “um dia sombrio para os europeus”. Mas há no resultado das conversas entre UE e EUA algo que pode ser didático para o Brasil. É que, muitas vezes em nossas vidas, é preciso aceitar antes de poder impor.
Na vida e na política, às vezes você engole uma lagartixa a seco para ter condições de cuspir um jacaré no dia seguinte. Principalmente quando você está em desvantagem na situação, como o Brasil está em relação aos americanos.
E por que os europeus resolveram engolir essa lagartixa de 15%? O problema deles é comercial, mas principalmente é militar.
Dependência militar
A dependência militar da União Europeia em relação aos Estados Unidos permanece significativa.
Os EUA ainda respondem por cerca de dois terços dos gastos totais da OTAN, enquanto a maioria dos países europeus segue com orçamentos militares proporcionalmente menores.
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Em 2023, por exemplo, os países da UE dedicaram, em média, 1,3% do PIB à defesa, enquanto os EUA ultrapassaram 2,9%.
Além disso, a estrutura de gastos europeia destina parcela menor à modernização e inovação tecnológica, com apenas 19,5% voltados à formação de capital, frente a 40,7% no orçamento americano.
Armas e logística
Outro indicativo da dependência é a origem das armas adquiridas pelos países europeus. Mais de 64% dos armamentos importados pela Europa entre 2020 e 2024 vieram dos Estados Unidos.
No caso do apoio à Ucrânia, quase metade dos recursos empregados em 2024 foi de origem americana, o que reforça o papel central dos EUA na sustentação militar das operações no leste europeu. Qual o risco disso?
Digamos que, amanhã, a Rússia decida declarar guerra a um país europeu, invadindo um membro da União Europeia. No início haverá forte resistência, mas depois a defesa só continuará sendo forte se os EUA assim quiserem ajudar.
Por enquanto, já que perderam tanto tempo confiando que eles estariam sempre dispostos a seguir ajudando e protegendo a Europa, não dá para ignorar os americanos.
Reação europeia
Mas a UE não está aceitando os 15% enquanto dorme em berço esplêndido. Eles já têm adotado medidas para reduzir a vulnerabilidade estratégica.
Programas como o “Readiness 2030” pretendem mobilizar até 800 bilhões de euros nos próximos anos para fortalecer o setor de Defesa.
Além disso, as metas estabelecidas na cúpula da OTAN em Haia, em 2025, apontam para um esforço de elevação dos investimentos em defesa a até 5% do PIB europeu, distribuídos entre pessoal, equipamentos e infraestrutura.
Toda essa situação é didática para o Brasil, não tanto pelo lado militar (que também é uma preocupação, porque o Brasil compra muito equipamento americano a preços baixos), mas principalmente pela dependência comercial.
Dependência comercial
Os EUA são, hoje, o segundo maior mercado de exportação do Brasil.
A China é o primeiro, recebendo 28% de todas as mercadorias brasileiras, e os americanos vêm em seguida com 12%. O percentual parece pequeno, mas o terceiro colocado (Argentina) tem apenas 4%, três vezes menos em volume. Significa que a dependência do país em relação aos dois primeiros da lista é preocupante.
Quase metade das nossas vendas saem para China e EUA. Mesmo quando você junta toda a União Europeia, ela ainda não chega aos 12% das terras de Trump. A União Europeia, com todos os 27 países, representa 11% das nossas exportações.
Esse é um dos motivos pelos quais talvez seja necessário negociar com muito cuidado, sem entrar em rota de colisão frontal, ao menos por enquanto. E aí entra o componente político preocupante.
Estratégia política
Lula (PT) não quer conversar por enquanto, porque é o embate que vai melhorar sua popularidade para 2026, não o acordo.
Neste momento, o melhor é ficar repetindo, como ele está, que busca diálogo e Trump não aceita e que a culpa é da família Bolsonaro “atrapalhando o Brasil para salvar da Justiça o seu líder”.
E quanto aos prejuízos econômicos, há algo que os analistas precisam considerar: o episódio ocorrido no fim de 2008, quando o mundo entrou numa crise terrível e o petista, então presidente, foi a público dizer que o “tsunami mundial” não ia ser nem uma “marolinha” no Brasil.
Para garantir que o que falava virasse realidade, financiou com dinheiro público setores que seriam mais atingidos, injetou muito dinheiro na economia e fez o Brasil parecer que não havia sido atingido, quando estava apenas adiando a tragédia. Tudo para eleger sua sucessora em 2010. Dilma Rousseff (PT) foi eleita, pegou a bomba deixada pelo padrinho político e o resultado ainda está na memória recente.
Cálculo eleitoral
Até que ponto, pensando apenas na próxima eleição, o governo Lula pode ser capaz de esticar a crise para seguir responsabilizando a atuação de Bolsonaro enquanto posa de defensor da soberania nacional, que verga, mas não quebra e resiste à força do poderoso império norte-americano?
Nesse caso, teremos um prejuízo grande que será empurrado para um futuro no qual Lula, se for reeleito, não precisará mais disputar eleição, ou o próximo presidente é que terá que se virar para resolver os problemas.
De um jeito ou de outro, o brasileiro que não disputa eleição sai perdendo caso não haja algum acordo com os EUA.

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