ARTES VISUAIS
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“Meu Pai Morreu Três Vezes”, de Clara Simas constrói um diálogo póstumo entre pai e filha, com lançamento no Cinema São Luiz, no próximo domingo (8)
Emannuel Bento
Publicado em 05/06/2025 às 17:00
| Atualizado em 05/06/2025 às 17:54
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Em “Meu Pai Morreu Três Vezes“, a artista visual Clara Simas constrói um diálogo póstumo entre pai e filha, numa mistura incomum de arquivos esquecidos, cenas de cinema e memórias inventadas. A edição é da Propágulo.
O pai da artista foi Manoel Costa, que interpretou o icônico personagem Caveirinha no filme “Meteorango Kid: Herói Intergaláctico”. Ele era um ator amador do Cinema Marginal baiano nos anos 1970, jornalista e uma figura cheia de contradições – como ter sido um pai amoroso, porém ausente.
Lançado no Recife em evento na Garrido Galeria nesta quinta-feira (5), o livro também terá lançamento no Cinema São Luiz, no próximo domingo (8), das 14h às 17h, ocasião em que o filme será exibido.
Resgatando uma relação

Imagens do livro ‘Meu Pai Morreu Três Vezes’, a artista visual Clara Simas – DIVULGAÇÃO
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Quando perdeu o pai, Clara tinha 14 anos – mas a relação entre os dois já era marcada por ausências muito antes disso. Ela entendeu que precisaria retornar a essa história para compreendê-la e, então, seguir em frente.
A artista começou a organizar diversas informações sobre seu pai e seus múltiplos personagens. Nesse processo, descobriu que ele havia morrido várias vezes, não apenas na vida real, mas também nas telas.
Enquanto mergulhava em filmes antigos nos quais ele atuou, deparou-se com cenas de morte ficcionais que pareciam ecoar seu próprio luto. “Assistia a essas cenas repetidamente. Me acostumei a vê-lo morrer na tela”, lembra.
Foi então que surgiu a pergunta que guiaria o projeto: quantas vezes uma pessoa pode morrer? A cada morte, estaria morrendo sempre o mesmo homem?
Narrativa

Processo de criação do livro ‘Meu Pai Morreu Três Vezes’, a artista visual Clara Simas – DIVULGAÇÃO
O livro se estrutura em três capítulos, cada um apresentando três personagens distintos — diferentes facetas de um mesmo homem, cada qual com seu próprio fim, com sua própria morte. Há o Homem Comum, fotógrafo e jornalista; o Anti-Herói, boêmio e rebelde dos anos 70; e o Pai, figura amorosa, mas distante.
Clara viajou atrás de pessoas que conheceram Caveirinha, revirou arquivos empoeirados e digitalizou negativos.
Nas páginas do livro, as imagens se organizam em dípticos, criando justaposições que imitam o modo desordenado como as memórias surgem. Clara reuniu fotos suas, fotos do pai, imagens de filmes e de arquivo e, com elas, foi organizando fluxos narrativos para cada um dos três personagens.
As imagens de Neto, Amin Stepple, André Luiz Oliveira e Álvaro Guimarães que aparecem na obra foram cedidas por instituições como o Instituto Moreira Salles, a Cinemateca Brasileira e outras.
Memórias

Processo de criação do livro ‘Meu Pai Morreu Três Vezes’, a artista visual Clara Simas – DIVULGAÇÃO
Além do material iconográfico, há, em cada capítulo, um interlocutor que ajudou a artista a conhecer um pouco mais sobre cada parte do pai. Sua tia, irmã dele, Vera Lúcia Simas, falou sobre um tipo de homem comum e sobre a história familiar.
“Acho que, quando trago esses depoimentos, ajudo a dar um sentido narrativo maior a um livro que é composto, em sua maior parte, por um fluxo de imagens e sensações abstratas – um pouco como a própria memória se organiza. Através do movimento rápido dos olhos, guardamos picotes de momentos e cenas. Os relatos em primeira pessoa convidam o leitor a investigar comigo novas chaves de leitura possíveis para essa trama”, opina a artista.
“Meu analista diz que o livro é sobre inventar um pai possível. Outras pessoas dizem que é sobre como registrar uma experiência impossível de ser fotografada. Acho que as duas coisas são verdade”, diz Clara. “Em alguma instância, talvez seja apenas sobre aceitarmos que a própria noção de sujeito, que tão arduamente passamos a vida moldando, está muito distante de constituir uma unidade inabalável — somos todos feitos de versões, de fragmentos de histórias, algumas inclusive que nunca serão contadas”, conclui.
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