Enquanto defendem a democracia como conquista no Brasil, o governo Lula e o PT fazem de conta que não há opressão ou ditadura para os venezuelanos
Publicado em 10/01/2025 às 0:00
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Embora não tenha reconhecido oficialmente a vitória de Nicolás Maduro em uma reeleição questionada pela oposição e por observadores internacionais, o governo brasileiro mantém posição ambígua sobre a ditadura na Venezuela. Mas os atos de repressão do regime venezuelano têm sido tão gritantes, inclusive no processo eleitoral de sucessivas exclusões, prisões e violência contra manifestações, que mesmo o presidente Lula e outros líderes da esquerda brasileira tiveram que baixar o volume da narrativa da democracia relativa. Lula chegou a afirmar que Maduro “deixou a desejar”, apontando a falta de transparência como um problema para a formalização do reconhecimento. Mas, para o presidente do Brasil, Maduro é problema da Venezuela – o que não deixa de ser um avanço, enxergar o ditador como um problema para seu povo.
É preciso prestar atenção no uso excessivo da palavra “golpe”. A mesma palavra utilizada por Lula para o impeachment de Dilma Rousseff e a depredação dos Três Poderes em janeiro de 2023, é usada repetidamente por Maduro contra a oposição, cujos integrantes são acusados de golpistas, perseguidos, reprimidos e presos. Na Venezuela, a oposição ao regime – como em todo totalitarismo – não é adversária, e sim, inimiga. No Brasil, os golpistas que o presidente associa à saída de Dilma do Planalto convivem com o governo, no Congresso, e não têm portas fechadas a seus interesses, se forem da base aliada. Os golpistas do 8 de janeiro, por sua vez, são baderneiros cujo grau de devaneio e desejo autoritário é investigado pela Justiça. O ataque às instituições configura evidente golpismo, mas existem diferenças enormes entre, por exemplo, o processo legal de impeachment no Brasil, e o estrangulamento da oposição na Venezuela. Será que o presidente brasileiro considera a oposição venezuelana golpista, como repete Maduro?
Os valores democráticos não são relativos, condicionados à cor da ideologia ou ao grupo no poder. Não é por acaso que governos totalitários não esperaram para reconhecer a eleição de Maduro, suspeitíssima de fraude. O Planalto percebeu isso a tempo, e se manteve em neutralidade, num distanciamento que irritou o presidente venezuelano, que passou a destratar Lula e os brasileiros. Às vésperas da nova posse de Maduro, diante de manifestações nas ruas e ameaças de mais repressão e violência, o Brasil e outros países pretendem enviar representantes diplomáticos ao evento, num reconhecimento não formal, mas simbólico de legitimação do poder ditatorial. O que não é tão estranho num cenário geopolítico onde a Rússia, a China, Cuba e países do Oriente Médio abafam a liberdade em quase todas as suas formas, sob a complacência da comunidade global.
O que não dá para passar batido é a dissonância entre a valorização da democracia, em atos de apropriação política e partidária, no plano interno, e a desvalorização da luta democrática na Venezuela e noutras partes do mundo. A transferência da tortuosa lógica do “nós versus eles” para o tabuleiro global gera impressões de incoerência e cinismo que poderiam ser evitadas.


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