Quase dois terços dos municípios brasileiros não dispõem de estoque para vacinar a população – mas a falta de responsabilidade é do governo federal
Publicado em 29/12/2024 às 0:00
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A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou levantamento que mostra o desabastecimento de imunizantes em praticamente dois terços – 65,8% – das cidades no país. No Sudeste, o percentual chega a 72%. Se fosse numa gestão negacionista, cujo presidente da República desdenhasse da ciência e dos programas vacinais, os números certamente causariam rebuliço político maior. A dimensão do desabastecimento, contudo, chama a atenção justamente pelo fato de se tratar de um governo eleito sob a bandeira da defesa das vacinas, depois da árdua batalha contra a desinformação durante a pandemia de Covid.
A substância imunizante contra a catapora está em falta em mais da metade dos municípios pesquisados – numa amostra de quase 3 mil deles. O pior é que a média de tempo sem a vacina é de três meses. Um quarto das cidades brasileira não conta com vacina para a Covid, em tempo de espera médio de um mês e meio. Os dados oficiais revelam que, este mês, há um aumento de 60% nos casos de Covid em território brasileiro. Sem estoque, o Ministério da Saúde não tem vacinas para repassar às prefeituras, e a população mais vulnerável fica exposta à doença e seus efeitos mais graves, sem a cobertura vacinal devida.
A imunização contra a difteria, o tétano e a coqueluche não estava disponível em 18% dos municípios, com média de dois meses sem estoque. Por coincidência, atravessamos o pior surto de coqueluche em uma década, com aumento de 2.000% (sim, dois mil por cento) na quantidade de casos identificados em 2024, em comparação com 2023. Também exibem níveis de falta consideráveis as vacinas contra a meningocócica C, a tetraviral contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela, e também contra a febre amarela.
O que se observa no Brasil, e possivelmente em outros países, é um desleixo que agrava o desabastecimento, uma vez que o círculo do desinteresse vai dos gestores públicos aos cidadãos, que não vão atrás de vacinas porque já sabem que não irão encontrar. A falta dos imunizantes é um grave desestímulo do governo federal à saúde preventiva, e traz consequências justapostas para a coletividade, da pressão no atendimento até os prejuízos na economia.
A prevenção deve ser uma medida também de gestão: a vacina contra a catapora não está disponível porque houve problemas na produção, e o governo não se preparou para acionar outros fornecedores. Em mais um exemplo do quanto a autonomia para a produção de imunizantes é importante para qualquer país, a fim de que a população não se torne dependente do conhecimento e da tecnologia de lugares distantes, enquanto a enfermidade se dissemina na porta de casa.
A transparência das informações dos municípios, dos estados e do governo federal, é crucial para que as políticas públicas de saúde, entre as quais a vacinação e a prevenção se inserem, alcance a eficácia necessária para cumprir seus objetivos. Sem vacinas, fica difícil.

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