Nova Alepe dá a Raquel cenário mais favorável e bancada governista pode ter até 30 deputados

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Nova Alepe dá a Raquel cenário mais favorável e bancada governista pode ter até 30 deputados


Projeção do JC aponta bancada governista entre 25 e 30 deputados e oposição entre 10 e 15; composição ainda depende de reposicionamentos partidários


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A governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) deverá encontrar, a partir de 2027, uma Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) com uma configuração mais favorável ao Palácio do Campo das Princesas do que a enfrentada durante boa parte do primeiro mandato. A nova correlação de forças, no entanto, ainda depende de reposicionamentos individuais e partidários antes do início da próxima legislatura.

Uma projeção preliminar do JC, considerando as alianças construídas na eleição, posicionamentos públicos e o histórico de atuação dos parlamentares, aponta para uma bancada governista entre 25 a 30 deputados. A oposição, por sua vez, deve reunir entre 10 a 15 dos 49 integrantes da Casa.

O intervalo demonstra que ainda não é possível fechar uma divisão exata entre governo e oposição. Há deputados que mantiveram uma relação próxima com a gestão estadual, mas sem adesão pública mais ostensiva, além de partidos que poderão redefinir sua posição depois do encerramento da disputa eleitoral.

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Mesmo no cenário mais conservador da projeção, porém, Raquel poderia alcançar os 25 votos que representam a maioria absoluta da Assembleia.

A fotografia partidária ajuda a explicar o novo ambiente, mas não é suficiente para antecipar o comportamento do plenário.

Partidos que estiveram formalmente em lados diferentes da eleição também carregam, internamente, deputados com históricos distintos na relação com o Palácio. Por isso, a divisão da próxima Alepe tende a atravessar as fronteiras das coligações formadas para a eleição de domingo (4).

Confira a divisão das bancadas da Alepe para a próxima legislatura, com os eleitos do último domingo:

  • PSD – 9 deputados
  • PSB – 9 deputados
  • Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) – 9 deputados
  • União Progressista (PP/UB): 8 deputados
  • Podemos – 6 deputados
  • PL – 3 deputados
  • MDB – 2 deputados
  • Republicanos – 1 deputado
  • Avante – 1 deputado
  • Novo – 1 deputado

União Progressista pode ser decisiva

Uma das principais variáveis para a formação da futura base será o posicionamento da União Progressista, federação formada por PP e União Brasil, que conquistou oito cadeiras.

Foram eleitos Antônio Coelho, pelo União Brasil, e Pastor Júnior Tércio, Gleide Ângelo, France Hacker, Dannilo Godoy, Kaio Maniçoba, Adalto Santos e Roberta Arraes, pelo PP.

Parte desses nomes manteve uma relação próxima com o governo Raquel ao longo da atual legislatura. O comportamento da federação, entretanto, passou por mudanças nos últimos meses.

Em abril, o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, reuniu a bancada e conduziu um reposicionamento formal dos deputados, que deixaram o chamado blocão governista e passaram a se declarar independentes.

O movimento teve efeito principalmente sobre a organização das comissões da Alepe e não provocou, na mesma proporção, uma alteração no comportamento dos deputados nas votações. Parlamentares do grupo continuaram apoiando projetos do Executivo em plenário.

Posteriormente, a União Progressista integrou a aliança pela reeleição de Raquel, enquanto Eduardo da Fonte disputou uma das vagas para o Senado e acabou derrotado.

Com o fim da eleição, a posição a ser adotada pelo dirigente e pela federação será um dos pontos importantes para definir o tamanho efetivo da base governista.

Entre os eleitos, Antônio Coelho, Kaio Maniçoba, Adalto Santos e France Hacker tiveram uma relação mais claramente associada ao governo. Pastor Júnior Tércio, Gleide Ângelo, Dannilo Godoy e Roberta Arraes também tiveram aproximações com a gestão, ainda que de maneira menos ostensiva.

Uma eventual manutenção desse grupo próximo ao Palácio coloca Raquel em situação mais confortável para construir maioria na Casa.

Apoios atravessam partidos

A mesma lógica aparece na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. O grupo elegeu nove deputados, mas está longe de representar um bloco homogêneo na relação com o Governo do Estado.

A federação terá Dani Portela, João Paulo, Ivete Caetano, João Paulo Costa e Breno Araújo, pelo PT; Lara Santana, João de Nadegi e Joaquim Lira, pelo PV; e Vini Castello, pelo PCdoB. Dentro desse conjunto, há parlamentares que mantiveram proximidade com Raquel e outros claramente identificados com a oposição.

No PV, o reeleito João de Nadegi e a novata de votação expressiva Lara Santana estão entre os nomes que mantêm relação mais próxima com o governo.

No PT, que teve integrantes votando com o governo Raquel Lyra na última legislatura, a tendência é de posições novamente distintas na relação com o Palácio. João Paulo se aproximou da gestão estadual, enquanto João Paulo Costa teve histórico de votações favoráveis ao Executivo em diferentes momentos. Dani Portela, deputada estadual mais votada de Pernambuco, deverá ser uma das vozes mais ativas da oposição na Casa.

O PCdoB volta a ocupar uma cadeira na Alepe com Vini Castello, que integrava a equipe do ex-prefeito João Campos (PSB) na Prefeitura do Recife.

Essa divisão ajuda a demonstrar por que uma soma baseada exclusivamente nas coligações da eleição estadual pode produzir uma fotografia diferente daquela que deverá aparecer nas votações da Assembleia.

Oposição terá novos protagonistas

Dos 49 deputados da próxima legislatura, 35 foram reeleitos e 14 serão novatos na Casa. Apesar da manutenção da maior parte dos atuais parlamentares, a saída de nomes que ocuparam posições de destaque e a chegada de novos quadros devem provocar mudanças na dinâmica entre governo e oposição.

A oposição continuará tendo no PSB, que elegeu nove deputados, o seu maior núcleo partidário. A bancada socialista será formada por Francismar, Rodrigo Farias, Eriberto Filho, Maria Arraes, Batista Cabral, Bruno Marques, Romerinho Jatobá, Cayo Albino e Sileno Guedes.

O grupo combina deputados que já participaram dos embates com o governo na atual legislatura e nomes que chegam à Casa em 2027.

Entre os mais experientes dos novos integrantes estão Maria Arraes, que exerceu mandato de deputada federal, e Romerinho Jatobá, vereador do Recife e presidente da Câmara Municipal.

Ao mesmo tempo, alguns dos principais nomes da linha de frente da oposição no primeiro mandato de Raquel ficarão fora da próxima composição.

Diogo Moraes, um dos líderes da oposição na última legislatura, não conseguiu retornar à Assembleia. Romero Albuquerque, que esteve entre os deputados mais combativos contra a gestão e apresentou pedidos de impeachment contra Raquel e a vice-governadora Priscila Krause (PSD), também não estará na próxima legislatura.

Isso significa que, embora o PSB preserve uma bancada numerosa, a oposição precisará reorganizar suas lideranças e distribuir funções que durante os últimos anos ficaram concentradas em alguns parlamentares.

Um nome que permanecerá no centro dessas articulações é o atual presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), reeleito para mais um mandato. O MDB terá ainda Emerson Freitas, também identificado com o campo de oposição ao governo.

A definição sobre a próxima Mesa Diretora será, por isso, um dos primeiros testes concretos da nova correlação de forças.

Governo também precisará escolher nova liderança

A reorganização atingirá também o Palácio do Campo das Princesas. A atual líder do governo na Assembleia, Socorro Pimentel (PSD), deixou a disputa por uma cadeira estadual para concorrer à Câmara dos Deputados e não foi eleita. Seu marido, o ex-prefeito de Araripina Raimundo Pimentel, disputou uma vaga de deputado estadual pelo PSD, mas também ficou fora da nova composição.

Raquel terá, portanto, necessariamente uma nova liderança do governo a partir de 2027. A escolha ocorrerá em um cenário no qual o próprio partido da governadora passa a ter um peso muito maior dentro da Assembleia.

O PSD elegeu nove deputados estaduais: Joãozinho Tenório, Antônio Moraes, Janjão, Débora Almeida, Aglailson Victor, Fábio Aragão, Jarbas Filho, Andréa Medeiros e Zé de Irmã Teca.

O partido passa a dividir com o PSB o posto de maior bancada partidária da Casa, o que dá a Raquel um núcleo próprio mais robusto para organizar a sustentação do governo.

Na entrevista concedida ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) nesta segunda-feira (5), a governadora demonstrou confiança de que a relação com a nova Assembleia será melhor.

A governadora atribuiu parte dos conflitos enfrentados nos últimos anos à antecipação da disputa pelo Governo do Estado.

“O que houve foi um trabalho incansável de quem queria ganhar as eleições de 2026”, afirmou.

Raquel disse ainda que o ambiente político da eleição agora deve ser superado.

“A governadora sou eu. O povo escolheu, e o povo escolheu esses deputados. E é com eles que eu vou trabalhar”, declarou.

Direita ganha mais peso

A nova Alepe também terá um grupo mais numeroso de nomes de direita e identificados com o bolsonarismo.

Um dos principais destaques da eleição foi Gilson Machado Filho (Podemos). Vereador do Recife, ele recebeu 132.322 votos e foi o segundo candidato a deputado estadual mais votado de Pernambuco, atrás apenas de Dani Portela (PT), que teve 146.123.

Gilson chegará à Assembleia em um momento no qual seu pai, o ex-ministro Gilson Machado, também foi eleito para a Câmara dos Deputados.

Outro nome de destaque é André Ferreira (PL), terceiro mais votado para a Alepe, com 118.868 votos, que deixará a Câmara dos Deputados para ocupar uma cadeira na Assembleia. Ele se junta a Coronel Feitosa e Abimael Santos na bancada do PL.

Na atual legislatura, Feitosa exerceu de maneira mais constante o papel de defensor aberto do bolsonarismo na Casa, sendo eventualmente acompanhado por nomes como Abimael, Renato Antunes e parlamentares ligados ao segmento conservador.

A partir de 2027, esse campo terá novos nomes com votação expressiva e maior capacidade de ocupar espaço no debate político estadual.

A posição desse grupo em relação ao governo Raquel, contudo, não deverá ser uniforme.

Renato Antunes (Novo) é identificado com a base governista. André Ferreira mantém uma relação mais independente com o Palácio e seu grupo possui espaços na gestão estadual. Coronel Feitosa, por outro lado, exerceu papel de oposição ao governo durante a legislatura atual.

O segundo turno presidencial acrescenta outra variável. Caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente, parlamentares ligados ao bolsonarismo poderão ganhar um novo papel na interlocução política de Pernambuco com Brasília e eventualmente funcionar como pontes entre o Governo do Estado e a nova gestão federal.

Se Lula (PT) for reeleito, a configuração será outra, e Raquel já afirmou que pretende manter a relação institucional construída com o petista durante o primeiro mandato.

Primeiros testes virão antes das votações

Embora a projeção inicial coloque Raquel em uma faixa entre 25 e 30 aliados, a configuração efetiva da Alepe só deverá ficar mais clara ao longo dos próximos meses.

O posicionamento da União Progressista, a organização das bancadas, a escolha do novo líder do governo e as articulações para a próxima Mesa Diretora ajudarão a determinar o tamanho e a estabilidade da maioria.

A eleição também renovou nomes suficientes para alterar dinâmicas internas tanto do governo quanto da oposição. Deputados novos chegam com votações expressivas, antigos protagonistas deixam a Casa e os maiores partidos terão de reorganizar suas lideranças.

Raquel começa esse processo em situação potencialmente mais confortável do que no primeiro mandato. Transformar essa vantagem política saída das urnas em uma maioria estável no plenário, porém, será uma das primeiras tarefas da governadora reeleita para 2027.






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