Antes de virar “A Hipótese do Amor“, livro que chegou à lista de mais vendidos do The New York Times, a história de Ali Hazelwood era uma fanfic sobre Rey e Kylo Ren, personagens da franquia “Star Wars“. Com os nomes e características dos protagonistas alterados, o romance ganhou vida própria e agora chega às telas em uma adaptação do Prime Video.
O filme acompanha Olive Smith, interpretada por Lili Reinhart, uma candidata a doutorado que passa boa parte do tempo no laboratório e tem a pesquisa como prioridade. Para agradar uma amiga, ela finge estar namorando Adam Carlsen, vivido por Tom Bateman, professor e pesquisador conhecido pelo temperamento difícil.
O relacionamento de mentira interessa aos dois, já que Adam vê na farsa uma oportunidade de melhorar sua imagem entre os pares e garantir fundos para sua própria pesquisa. Como manda a cartilha das comédias românticas, o acordo deixa de ser apenas uma encenação. O casal começa a se aproximar e o que parecia uma estratégia conveniente se transforma em paixão.
O filme é lançado em um momento no qual o streaming da Amazon investe em peso no público jovem adulto a partir de adaptações de romances populares.
A plataforma já encontrou esse público com produções como “Daisy Jones and The Six“, “Vermelho, Branco e Sangue Azul“, “O Verão que Mudou Minha Vida” e “Off Campus: Amores Imporváveis” —grande estouro no verão americano—, também derivadas de livros, e com o recente “Sterling Point”, que, embora não seja uma adaptação literária, mira uma audiência semelhante.
Esse mercado cresceu com o BookTok, nicho do TikTok que tornou recomendações literárias um fenômeno de audiência. Ali circulam romances, muitas vezes eróticos, como “Puro Impulso”, de Lauren Asher, e as séries “Windy City”, de Lim Thomford, e “Boys Of Tommen”, de Chloe Walsh, também com adaptações já confirmadas para o streaming.
Essas produções ganham uma segunda vida na própria rede social, com cenas recortadas e vídeos dos casais, que podem levar novos espectadores de volta aos livros ou ao conforto de comédias românticas.
Para Reinhart e Bateman, o interesse renovado pelas comédias românticas se deve a relações cada vez menos comuns.
“As pessoas adoram ver homens vulneráveis”, diz Reinhart. “Estes jovens estão reagindo positivamente ao verem vulnerabilidade em suas telas, e amor sendo simplesmente amor, e pessoas expressando isso, com anseio e saudade, o que é muito atraente.”
Segundo a atriz, histórias de encontros fortuitos, desejo e demonstrações de afeto encontram espaço justamente em um momento em que aplicativos passaram a mediar boa parte dos primeiros contatos amorosos.
“As pessoas querem ver essas coisas que estão se tornando cada vez mais raras”, diz. Ela cita como exemplo os chamados “meet-cutes”, encontros casuais típicos do gênero, nos quais os personagens se conhecem por acaso.
Cada época encontra seus próprios romances, diz Bateman, casado com a atriz Daisy Ridley —intérprete de Rey, a personagem em “Star Wars” que inspirou a fanfic de Hazelwood.
“Uma nova geração sempre redescobre esse gênero. Eu não acho que ele desapareça. O amor não desaparece”, afirmou. Para o ator, também existe uma espécie de humor involuntário no comportamento de quem se apaixona. “É muito engraçado o que acontece conosco quando nos apaixonamos. Nós perdemos um pouco a cabeça.”
O ator cita “A Proposta”, estrelado por Sandra Bullock, como exemplo de uma comédia romântica que continua funcionando anos depois de seu lançamento. Para ele, o gênero não precisa ser reinventado para permanecer relevante, mas que uma fórmula garantida de sucesso é manter Bullock em cena.
Brincadeiras à parte, Bateman diz que o interesse pelas produções tem um motivo muito simples. “O amor é a força mais poderosa e bela, e é por isso que as pessoas sempre voltam a ela”.










