Comércio e serviços devem abrir 130 mil vagas para o fim do ano, projeta pesquisa CNDL/SPC Brasil

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Comércio e serviços devem abrir 130 mil vagas para o fim do ano, projeta pesquisa CNDL/SPC Brasil


Levantamento indica salário médio menor para contratados, de R$ 1.805, e maior procura por entregadores e ajudantes com avanço das vendas digitais

Por

JC


Publicado em 23/09/2026 às 15:21


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O aumento de demanda típico das festas de fim de ano deve levar o comércio e o setor de serviços brasileiros a abrir cerca de 130 mil vagas temporárias e efetivas em 2026. O número supera em 12 mil postos o do ano passado, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feita em parceria com a OfferWise.

O otimismo, porém, convive com cautela. Mais da metade dos empresários (57%) pretende manter o quadro de funcionários como está, enquanto 26% planejam ampliar a equipe e apenas 3% cogitam reduzi-la. Considerando todas as modalidades, de temporários a terceirizados, 36% das empresas já contrataram ou pretendem contratar para o período.

Reforçar o atendimento diante do pico de movimento é a principal razão para contratar, citada por 59% dos entrevistados. Entre os que não vão ampliar o time, o motivo mais comum (41%) é a descrença de que as vendas crescerão o suficiente para justificar o custo de um novo funcionário.

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Carteira assinada

As vagas com carteira assinada lideram, com 50% das contratações, mas as informais aparecem logo atrás, com 43%. A modalidade Pessoa Jurídica (PJ) já responde por 24% das vagas e as terceirizadas, por 11%. Como as empresas podem combinar mais de um tipo de vínculo, os percentuais somam mais de 100%. O quase empate entre emprego formal e informal mostra o peso que a informalidade ainda tem nas contratações sazonais.

Do total, 39% das contratações serão por tempo indeterminado, e metade das empresas (50%) inclui vagas temporárias. A escala é pequena. Cada empresa deve contratar, em média, 1,52 temporário, e quase metade das que recorrem a esse tipo de vaga (47%) vai reforçar a equipe com apenas 1 pessoa. Os contratos duram em média 2,4 meses, e a média de efetivação é de 1 funcionário por empresa.

“A expectativa positiva dos empresários para este período festivo evidencia a resiliência e a força do nosso setor produtivo. Muito além de suprir picos sazonais de vendas, essas vagas temporárias representam uma verdadeira vitrine de talentos, servindo como uma importante porta de entrada para que muitos profissionais conquistem a estabilidade e sejam efetivados em definitivo pelas empresas”, avalia o presidente da CNDL, José César da Costa.

Salário menor

A remuneração média oferecida é de R$ 1.805, R$ 138 a menos do que em 2025. A jornada também encolheu, de 7,75 para 7,54 horas diárias. Em compensação, 71% das empresas já oferecem algum benefício, o que sugere que parte do corte no salário direto está sendo compensada por outras vias.

Vale-transporte (47%) e vale-alimentação ou refeição (44%) são os benefícios mais comuns, seguidos pelo transporte fornecido pela própria empresa (28%) e pela participação nos lucros ou comissão sobre vendas (23%). A principal mudança em relação ao ano passado está no deslocamento. O vale-transporte perdeu espaço, enquanto o transporte próprio das empresas ganhou terreno.

O perfil procurado é jovem, com idade média de 26 anos e concentração na faixa de 25 a 34 anos. Quanto ao gênero, 38% das empresas dizem não ter preferência, 33% buscam mulheres e 28%, homens. A inclusão de pessoas com deficiência segue em segundo plano, já que só 11% das empresas preveem vagas para esse público.

Entrega cresce

Vendedor continua sendo a função mais demandada (23%), mas ajudante aparece praticamente empatado, com 22%. Na sequência vêm entregador e manicure (10% cada), caixa e recepcionista (9% cada). O avanço mais expressivo é justamente o de funções de entrega e apoio operacional, reflexo da migração das vendas para os canais digitais, que exigem logística própria.

O calendário também chama atenção. Novembro concentra o maior volume de contratações (24%), mas setembro (18%) e outubro (17%) já somam 35%, sinal de que boa parte dos empresários antecipa a formação das equipes para não chegar ao pico de vendas com quadro desfalcado.

“O varejo e os serviços se consolidam mais uma vez como os maiores empregadores do país, funcionando como uma verdadeira porta de entrada para quem busca a primeira oportunidade ou deseja ingressar no mercado de trabalho. Com a alta do final do ano, essas vagas abrem caminhos essenciais para quem busca experiência e profissionalização, reafirmando o compromisso do setor em absorver e impulsionar novos talentos”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Pequenos negócios

O levantamento retrata sobretudo pequenos empreendimentos. Metade das empresas ouvidas (51%) é formada por Microempreendedores Individuais (MEI) e 31% estão no Simples Nacional. Quatro em cada 10 não têm funcionários, e a média geral é de 2,3 colaboradores. A mesma proporção (40%) fatura entre R$ 6.750 e R$ 30 mil por mês, o que ajuda a explicar por que a maioria contrata só 1 temporário.

A amostra se divide entre serviços (52%) e comércio varejista (48%) e tem forte presença fora das grandes cidades, com 70% das empresas no interior e 30% nas capitais. O Sudeste reúne 46% dos entrevistados, 26% deles apenas no estado de São Paulo.






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