A Fósforo é a nova editora de Raduan Nassar, um dos maiores nomes da literatura brasileira.
O contrato acaba de ser tornado público, seis meses depois do desligamento do autor da Companhia das Letras, casa que o editava desde a década de 1980.
A editora promete, a partir de 2027, publicar novas edições dos três livros do vencedor do prêmio Camões: os romances “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera” e a coletânea de contos “Menina a Caminho”.
E acrescenta, na nota enviada à reportagem, que lançará escritos inéditos e volumes de textos publicados pelo autor na imprensa, mas nunca reunidos em livro.
É o investimento de maior vulto da Fósforo, editora de cinco anos de estrada com tino voltado a ciência e não ficção, em um projeto de literatura brasileira até aqui.
“É com honra e alegria que assumimos a tarefa de abrir um novo ciclo editorial para a obra de Nassar”, diz Rita Mattar, uma das sócias da Fósforo. “O desafio da empreitada está à altura da grandeza de sua literatura e do trabalho extraordinário realizado pela Companhia das Letras ao longo de décadas, tanto no Brasil quanto no exterior.”
“É uma oportunidade inimaginável para uma editora jovem como a Fósforo”, afirma Fernanda Diamant, a outra sócia-fundadora da casa. “Vamos trabalhar sem descanso para promover o encontro de mais leitores com esse escritor imenso que é Raduan Nassar.”
Nos planos da editora ainda estão novos audiolivros, volumes analíticos sobre a obra de Nassar e a organização de cursos gratuitos e clubes de leitura em torno do escritor paulistano.
Desde o rompimento de Nassar com a Companhia, cujos motivos nunca foram tornados públicos pelo escritor recluso —que tinha parceria com o editor Luiz Schwarcz desde sua época de Brasiliense, nos anos 1970—, a Fósforo vinha tentando fechar contrato para ser sua nova casa.
Agora, a editora promete trabalhar na reapresentação de Nassar a uma nova geração de leitores —não como um clássico, mas como um autor radical e contemporâneo, nas palavras do professor Augusto Massi, que integra o conselho editorial montado pela Fósforo para cuidar da obra do autor.
Além de Massi, que é professor da Universidade de São Paulo, compõem o conselho a crítica Rita Palmeira, hoje curadora da Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor e pesquisador Estevão Azevedo, especialista na obra de Nassar, e Messias Barboza, assessor do escritor nonagenário.
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Azevedo aponta que, além de tomar parte em decisões de publicação, o conselho vai colaborar com a “organização do conjunto de documentos, fotos, manuscritos e periódicos que Raduan vem reunindo ao longo de décadas”.
O cineasta Luiz Fernando Carvalho, que dirigiu a aclamada adaptação de “Lavoura Arcaica” em 2001, trabalha em outros desdobramentos audiovisuais da obra de Nassar, incluindo de um texto inédito chamado “As Três Batalhas”.














