Do luxo ao lixo e a volta por cima: Como o BRT do Rio de Janeiro se tornou referência após anos de abandono

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Do luxo ao lixo e a volta por cima: Como o BRT do Rio de Janeiro se tornou referência após anos de abandono


Com investimentos bilionários, frota renovada e o programa BRT Seguro, o sistema agora registra recorde de passageiros e queda drástica na evasão

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Roberta Soares


Publicado em 24/05/2026 às 8:00
| Atualizado em 24/05/2026 às 8:47



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O sistema de BRT (Bus Rapid Transit) do Rio de Janeiro viveu uma trajetória dramática na última década, indo do luxo ao lixo. Mas, depois de um ressurgimento, virou uma lição não só para o País, mas principalmente para o BRT da Região Metropolitana do Recife, comprovando que transporte público coletivo pode ser bom, ter qualidade e eficiência se receber investimentos e, principalmente, prioridade política.

Inaugurado com grandes expectativas ainda para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – quando os corredores de BRT viraram referência nacional e mundial -, o modal que prometia revolucionar o transporte carioca chegou ao fundo do poço em 2021, marcado por estações depredadas, frota sucateada e insegurança. No entanto, um robusto plano de recuperação da Prefeitura do Rio de Janeiro, com investimentos que somam R$ 6 bilhões (R$ 2 bilhões a menos do que foi gasto para implantar o sistema), transformou o cenário de caos em um modelo de sucesso atualmente bem avaliado pela população.

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Durante palestra no Seminário de Mobilidade Urbana ZURB, que discutiu problemas e soluções para melhorar o transporte público coletivo no País e, principalmente, na Região Metropolitana do Recife, a ex-secretária de mobilidade do Rio, Maína Celidonio, descreveu o estado crítico em que o sistema se encontrava no início de 2021: “Eu assumi a pasta em janeiro de 2021 e essa era a foto do sistema: 46 estações fechadas, queimadas, completamente destruídas. Uma frota que era de 400 ônibus virou 120 ônibus operantes”.

Reprodução

BRT Rio foi do luxo ao lixo, mas conseguiu se reeguer. Imagens mostram como ele ficou degradado até se reerguer com investimentos e prioridade política – Reprodução

Roberta Soares

Maína Celidonio, ex-secretária de Mobilidade do Rio de Janeiro, durante Seminário Zurb de Mobilidade Urbana, realizado no Recife – Roberta Soares

Segundo ela, o resultado de uma má gestão anterior somada à pandemia de covid-19 transformou os três corredores do BRT Rio em um serviço precarizado, com superlotação extrema e estações sendo “depenadas” diariamente por vândalos. O Seminário Zurb foi realizado pela Urbana-PE (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco) nos dias 20 e 21 de maio, no Recife Expo Center, no Centro do Recife.

O RESSURGIMENTO DO BRT RIO CUSTOU BILHÕES EM INVESTIMENTOS E INFRAESTRUTURA

Divulgação/Prefeitura

BRT do Rio de Janeiro foi do luxo ao lixo e conseguiu se reerguer com investimentos e prioridade política da gestão municipal – Divulgação/Prefeitura

Divulgação/Prefeitura

Ressurgimento do sistema teve o prefeito Eduardo Paes (agora ex-prefeito do Rio) como principal incentivador e garoto propaganda
Divulgação/Prefeitura

A virada de chave começou em março de 2021 com a intervenção da prefeitura no sistema. A criação da empresa pública Mobi-Rio foi o primeiro passo para retomar o controle operacional. Para reerguer o BRT, o município investiu R$ 1,1 bilhão na reforma de 140 estações e na construção de seis novos terminais intermodais, que agora contam com acessibilidade plena e até bicicletários de alta capacidade.

A renovação da frota foi o pilar mais visível dessa transformação. Com um aporte de R$ 1,8 bilhão, a prefeitura adquiriu 731 novos veículos. Atualmente, a frota total chega a 853 ônibus, um salto enorme em comparação aos 120 veículos de 2021.


 

“Hoje, num horário de pico em uma estação cheia como Santa Cruz (na Zona oeste do Rio), você tem ônibus saindo de um em um minuto. Quando a gente dá um serviço de qualidade, o passageiro volta e adere” destacou Maína Celidonio. Os números comprovam a tese: o BRT bateu recorde histórico, atingindo 611 mil passageiros por dia, superando os 500 mil registrados no auge das Olimpíadas de 2016.

TOLERÂNCIA ZERO COM VANDALISMO E CALOTES: A ESTRATÉGIA DO BRT SEGURO

DIVULGAÇÃO

Programa BRT Seguro do Rio de Janeiro. Em três anos de atuação, realizou 3.400 prisões por crimes como roubo, furto, vandalismo e importunação sexual nas estações do BRT da cidade – DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Tendo como principal garoto-propaganda o prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), o programa tem números que mostram estar dando certo – DIVULGAÇÃO

Um dos maiores desafios da recuperação foi o combate à evasão tarifária e ao vandalismo, que geravam um prejuízo de R$ 300 mil por dia em 2021. Problemas vivenciados pelo BRT da Região Metropolitana do Recife.

A solução veio com uma mudança drástica na infraestrutura e a criação do programa BRT Seguro, que integra agentes da Polícia Militar e da Guarda Municipal em rondas permanentes. As vulneráveis portas de blindex, que eram destruídas ao ritmo de 30 por dia – segundo a ex-secretária -, foram substituídas por chapas de aço perfuradas e motores reforçados, além da instalação de prismas na pista para impedir o acesso irregular.

O ex-prefeito Eduardo Paes teve envolvimento direto e pessoal em todo o processo, desde a escolha da nova pintura dos ônibus até o enfrentamento público aos vândalos. Paes utilizou suas redes sociais para expor imagens de câmeras de segurança, em uma campanha de conscientização e constrangimento.

Guga Matos/JC Imagem

Quando não deixa o transporte público para usar os apps de moto, como Uber e 99 Moto, o passageiro invade o sistema. No Recife, flagrante são diários. É a desmoralização do setor – Guga Matos/JC Imagem

Guga Matos/JC Imagem

Sem refrigeração, estações do BRT vivem com as portas abertas, estimulando ainda mais a invasão descarada do sistema de transporte. Flagrantes são diários. – Guga Matos/JC Imagem

JAILTON JR./JC IMAGEM

Corredores do Sistema BRT do Grande Recife – Norte-Sul e Leste-Oeste – seguem sofrendo com as invasões das estações – JAILTON JR./JC IMAGEM

Maína destacou a postura do prefeito: “Ele pegava as imagens das pessoas fazendo vandalismo e colocava no Instagram dele: ‘Vamos fazer esse vândalo famoso’. Ele fez uma campanha de conscientização de que o dinheiro pago por esses ônibus é público”, reforçou.

Além do policiamento, a prefeitura implementou uma legislação específica que multa invasores e um sistema de monitoramento por áudio em tempo real. “Quando a câmera detecta a evasão, o operador aciona um alto-falante muito alto na estação e uma sirene falando: ‘Volte, você está invadindo’. A pessoa fica morrendo de vergonha, volta na catraca e passa o cartão”, relatou a ex-secretária.

O esforço conjunto surtiu efeito: o índice de calotes no sistema despencou de 40% em 2021 para apenas 9% em 2025. Em dois anos de programa BRT Seguro, foram realizadas mais de 2.000 prisões, consolidando uma nova cultura de respeito ao transporte público no Rio de Janeiro.






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