Mesmo diante do Escândalo Master, a estratégia mais racional para o bolsonarismo continua sendo manter um nome associado a Jair Bolsonaro
ADRIANO OLIVEIRA
Publicado em 23/05/2026 às 18:29
| Atualizado em 23/05/2026 às 18:30
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O futuro de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial não depende, inicialmente, das pesquisas de intenção de voto, mas do surgimento ou não de novas denúncias contra ele. A variável independente, neste caso, é a “denúncia”, que pode produzir como efeito uma eventual queda na intenção de voto. Portanto, a preocupação central do filho de Jair Bolsonaro é saber se novos fatos negativos virão à tona. Se novas denúncias não surgirem, a candidatura de Flávio Bolsonaro tende a permanecer competitiva, com condições de alcançar o turno final da disputa presidencial.
Mas o que aconteceria caso novas denúncias aparecessem? Se elas provocarem uma queda abrupta na intenção de voto — imaginemos, por exemplo, um cenário de segundo turno com presidente Lula em 47% e Flávio Bolsonaro em 38% — a pressão pela desistência da candidatura aumentaria significativamente. Não apenas pelos números. O principal fator seria a dificuldade crescente de explicar sua relação com Daniel Vorcaro perante a opinião pública.
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Por outro lado, existe uma hipótese distinta: novas denúncias surgem, mas não provocam queda expressiva nas pesquisas. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro permaneceria candidato. Todavia, atravessaria toda a campanha sob o peso constante de questionamentos e da necessidade permanente de explicar sua relação com o banqueiro. Embora o Escândalo Master tenha potencial para provocar tanto a desistência quanto uma eventual derrota eleitoral do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente Lula segue, na minha avaliação, com leve favoritismo em um eventual turno final.
O referido escândalo pode adquirir dimensão semelhante àquela que a Operação Lava Jato teve na política brasileira. Se a Lava Jato enfraqueceu o lulismo, o Escândalo Master pode ter capacidade de enfraquecer o bolsonarismo. Ainda assim, essa dinâmica não altera a lógica central da disputa presidencial, que tenho apontado em variados artigos: esta será, novamente, uma eleição movida pelo medo, assim como a disputa de 2022.
Por essa razão, mantenho minha previsão: Lula possui leve favoritismo por reunir, neste momento, melhores condições narrativas para a campanha eleitoral. Além disso, parcela do eleitorado pode adotar o seguinte raciocínio: “Entre os piores, ainda prefiro Lula”. Existe também outra lógica, igualmente sustentada pelo medo. Há eleitores que não gostam de Lula, mas votam em Flávio Bolsonaro por acreditarem que apenas ele teria condições de derrotá-lo, embora desejassem uma alternativa ao bolsonarismo. Por outro lado, há eleitores que rejeitam o bolsonarismo, mas escolhem Lula por acreditarem que somente ele pode impedir o retorno da família Bolsonaro ao poder.
Mas e se Flávio Bolsonaro desistir da disputa? Nesse caso, a alternativa eleitoral mais eficiente para o campo bolsonarista será lançar um nome diretamente vinculado a Jair Bolsonaro. A ausência do sobrenome Bolsonaro na urna eletrônica pode enfraquecer significativamente o desempenho dos candidatos bolsonaristas ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas. Portanto, Michele Bolsonaro e Carlos Bolsonaro são alternativas. Sendo a ex-primeira-dama, a melhor alternativa.
O raciocínio estratégico do PL precisa ser simples: caso não seja possível retornar à Presidência da República, torna-se fundamental manter uma bancada robusta na Câmara Federal e garantir bons fundos partidário e eleitoral. Por essa lógica, mesmo diante do Escândalo Master, a estratégia eleitoral mais racional para o bolsonarismo continua sendo manter um nome diretamente associado a Jair Bolsonaro.
Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa Qualitativa & Estratégia














